Sepultura: banda lança seu álbum mais pesado e sombrio

Com 30 anos de carreira e uma história de sucesso, definitivamente o Sepultura é a maior banda de Metal do Brasil e uma das maiores do mundo. Apesar de não estar no auge como na década de 90, ainda assim seguem realizando turnês mundiais e lançando ótimos discos. O mais recente trabalho, intitulado The Mediator Between Head and Hands Must be the Heart acaba de ser lançado e se o título não é lá muito estimulante, espere para ouvir o som. Com certeza trata-se do álbum mais pesado e agressivo da carreira da banda. A seguir você confere a resenha de mais este grande lançamento, com exclusividade para o Música e Cinema. É Sepultura do Brasil!

The Mediator Between Head and Hands Must be the Heart – Sepultura

Depois do mediano Kairos, mais uma troca de bateristas (sai Jean Dolabella e entra Eloy Casagrande), eis que o Sepultura chega com mais um lançamento no mercado. Trata-se de The Mediator Between Head and Hands Must be the Heart. O kilométrico título é uma referência ao filme alemão de ficção científica lançado em 1927, Metrópolis, dirigido por Fritz Lang. Confesso que a primeira impressão que tive ao ver a capa e o título do disco foi de desgosto, porém, como sou grande admirador do trabalho da banda desde os primórdios, resolvi dar uma chance. E que decisão mais acertada eu tomei! Que bela surpresa eu tive.

Banda Sepultura
Banda Sepultura

Nunca um álbum da banda soou tão pesado, brutal e sombrio quanto esse. Para uma audição mais proveitosa, é necessário despir-se de preconceitos e idéias pré-concebidas. Esqueça que um dia existiu aquela banda formada pelos irmãos Cavalera no longínquo ano de 1984 lá em BH. O que ouvimos aqui é uma banda totalmente nova, tanto na estética, quanto na sonoridade. E meus amigos, que sonoridade! Produzido por Ross Robinson (o mesmo do platinado Roots), o álbum faz tremer paredes no decorrer da audição.

A guitarra de Andreas Kisser está com a afinação mais baixa, propiciando um peso descomunal; além disso, neste trabalho ele demonstra toda sua competência e versatilidade, pois é capaz de produzir os mais diversos fraseados e nuances com o instrumento. É um dos melhores do ramo em atividade. Derrick Green se mostra o vocalista correto de sempre, vociferando como nunca, mas apresentando algumas vozes bem diferentes do costumeiro, com vocais limpos e encorpados em várias passagens. O baixo de Paulo Jr, que até hoje sempre foi muito discreto, neste trabalho é dotado de um peso absurdo, deixando o som ainda mais encorpado. Com certeza é o melhor trabalho de baixo de sua carreira. E quanto à bateria? Pois bem, a bateria é um caso à parte.

Em seu primeiro disco ao lado do Sepultura, o jovem Eloy Casagrande vem demonstrar o porquê de ser considerado a maior revelação do instrumento dos últimos tempos. O que o garoto toca não é brincadeira! Dotado de técnica, precisão e peso absurdos, posso afirmar sem medo de errar que é o melhor baterista que o Sepultura já teve, não desmerecendo os grandes Igor Cavalera e Jean Dolabella. Escolha mais que acertada.

Após uma breve introdução, Trauma of War dá início ao trabalho, mostrando ser tão devastadora quanto um “trauma de guerra”. Com um andamento beirando o HC, Andreas e Paulo produzem uma verdadeira muralha sonora de peso e agressividade, com Eloy espancando a bateria com vontade e Derrick urrando desesperadamente como se o mundo estivesse acabando. Um belo início em uma faixa marcante, uma das melhores do álbum.

The Mediator Between Head and Hands Must be the Heart
Capa do álbum

A seguir temos The Vatican, com sua introdução macabra de sinos, cordas e corais gregorianos, criando uma aura sinistra como prelúdio da violência que se aproxima. São pouco mais de 6 minutos que nos deixam atordoados, tamanha a velocidade, peso e violência que emana dos falantes. A melhor do álbum com louvor! Impending Doom deixa a velocidade de lado, investindo mais no peso do baixo e bateria, com Derrick apresentando um vocal mais rasgado que nunca. Excelente! Manipulation of Tragedy segue mais ou menos a mesma linha da anterior, mudando do meio para o final com a incursão de tambores e percussão tribal, fazendo-nos questionar o porquê do baixo de Paulo Jr não ter tido esse tratamento antes. Definitivamente, Ross Robinson sabe o que faz! Como uma tragédia de grandes proporções, chegamos a Tsunami, investindo ainda na cadência, com trabalho sensacional de guitarra e bateria e Derrick mesclando urros com vocais limpos falados. Grande música! The Bliss of Ignorance poderia ser uma faixa escondida de Roots, tamanha a semelhança na estrutura rítmica e andamento da mesma, sobrando percussão tribal pra todo lado. Pelo menos não teve Carlinhos Brown nessa, graças a Deus! Grief dá uma amornada na situação com sua levada Doom psicodélico, tornando-se um pouco cansativa nos seus quase 6 minutos de duração. Extremamente lenta e viajante, definitivamente é um dos pontos fracos do disco.

The Age of the Atheist e Obsessed vêm a seguir, unindo peso, velocidade e melodia em doses homeopáticas para a nossa saúde e alegria. Enfim, chegamos ao desfecho com o cover de Chico Science Da Lama ao Caos, e aqui cabe uma observação: eu nunca entendi direito o porquê do Sepultura dar tanta atenção pra essa banda (Max, inclusive, em entrevistas afirmou que o Chico Science era sua banda preferida). É apenas minha opinião pessoal, mas trata-se de uma banda horrível! Esse tal de “mangue beat” propagado e fundado por eles é algo lamentável. Esse, sem dúvida alguma, é o ponto negativo do disco. Além disso, após o final da faixa existe um insuportável silencio por intermináveis 20 minutos, culminando num breve solo de bateria de Eloy. É um tempo perdido totalmente desnecessário no disco. Se ao invés disso colocassem mais umas 4 faixas inéditas, aí levaria 10 com honra ao mérito. O disco tem lançamento mundial via Nuclear Blast.

Pois bem, amiguinhos, é um disco meio difícil de assimilar na primeira audição, mas posso afirmar com toda a tranqüilidade que se trata do melhor registro do Sepultura da fase Derrick. Essa nova formação mostra que está afiadíssima e com sangue nos olhos, e esperamos que ainda venham mais trabalhos como este pela frente. Nossos ouvidos agradecem. Corram atrás deste disco e protejam-se, pois a bucha é grande!

Grande abraço e até a próxima, cabrones!

The Vatican – Nova música

Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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2 Comentários

  1. Muito bom primo! Excelente resenha, e mesmo não sendo fã de Sepultura, fiquei com muita vontade de ouvir este novo CD.

  2. pauemfriscoeemchico

    Eu gostei muito desse trampo!

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