“World Downfall”: vinte e cinco anos do maior clássico do Grindcore!

Mas que bela porcaria de fã de música extrema eu seria se não perdesse alguns minutos da minha vida para prestar um mais que justo tributo para esta pequena pérola da intransigência sonora chamada World Downfall. Sim, refiro-me ao primeiro full lenght do Terrorizer, que em 13/11 último completou duas décadas e meia. Um álbum que apesar de ter surgido no século passado, continua ainda o mais eficaz e urgente possível em sua proposta.

world downfall front

Oriundo das cinzas do Majesty, o Terrorizer foi fundado em 87 por Oscar Garcia (vocal/guitarras, ex-Majesty), Pete Sandoval (bateria, ex-Morbid Angel), Alfred “Garvey” Estrada (baixo) e o finado Jesse Pintado (guitarra, ex-Napalm Death). Com essa formação lançaram duas demos ainda no mesmo ano, e um split independente com o Nausea (outra banda clássica de Oscar) em 88, mas foi apenas em 89 que o mundo foi abalado inexoravelmente por um “disquinho aí”. Pois bem, essas referidas demos correram os porões do underground e chegaram aos ouvidos de um tal de Shane Embury (sim, esse mesmo) e o cara simplesmente pirou naquela sonoridade rústica e brutal ao extremo. Bastante empolgado com o que acabara de ouvir, ele foi ao encontro do chefão da gravadora inglesa Earache, já que na época o Napalm Death integrava o cast da mesma, e tentou convencê-lo a lançar o primeiro disco do Terrorizer. Dizem que outros figurões da música extrema intermediaram também a negociação: David Vincent (Morbid Angel, o que faz muito sentido, afinal Pete Sandoval era seu companheiro de banda) e Mick Harris (Napalm Death). Já deu pra perceber que a banda era muito querida e assediada no meio, não é mesmo?

Detalhes acertados, contrato assinado, era hora de gravar. Foram todos para o santuário da música maldita, o Morrisound Studios em Tampa, na Flórida. Todavia, havia um problema. Alfred “Garvey” Estrada, o baixista da banda, havia sido preso. Diante dessa triste realidade, decidiram de última hora que o próprio David Vincent seria o responsável pelas quatro cordas do registro. Sendo assim, a formação mais implacável do Grindcore registrou sob a batuta de Scott Burns (produtor que se tornou lendário no meio por gravar e lançar as maiores pérolas do estilo) e do próprio David, as dezesseis faixas que compõem esse verdadeiro tratado sobre violência sonora. Reza a lenda que World Downfall foi gravado e mixado em apenas oito horas! E pensar que tem banda por aí que leva meses e solta cada tralha, não é mesmo?

Com letras de forte cunho político e social, o álbum não apresenta falhas. É de uma precisão cirúrgica em absolutamente todas as faixas, se situando em um meio termo entre a agressão e brutalidade do Death Metal, aliado a rapidez e simplicidade do Grindcore, criando uma música hipnótica, atordoante e rude, sendo obrigatória a repetida audição por dias a fio (pelo menos esse foi meu caso). Poucos discos conseguem ser tão impactantes logo no início quanto esse.

After World Obliteration dá início ao massacre, seguida imediatamente por Storm of Stress – uma das melhores composições do disco -, e sua linha de baixo assustadora. Fear of Napalm é um coice de mula no peito tamanha a sua potência. Sem nem chance de recobrar os sentidos, a seguir temos ainda Human Prey, Corporation Pull-In, a sensacional Strategic Warheads, Condemned System (Nausea? Alguém?). Que outro disco pode ter uma seqüência tão animalesca quanto essa? Além dos já citados destaques, ainda temos mais nove canções que não deixam o ritmo cair em momento algum. Após pouco mais de trinta minutos de duração, só nos resta levantar em meio aos escombros que se tornou a sala de estar, espanar a poeira e seguirmos adiante com nossa vidinha medíocre.

Só feras aqui: David Vincent (baixo), Oscar Garcia (vocal), Jesse Pintado (guitarra) e Pete Sandoval (bateria)
Só feras aqui: David Vincent (baixo), Oscar Garcia (vocal), Jesse Pintado (guitarra) e Pete Sandoval (bateria)

A formação que gravou o álbum é de um entrosamento ímpar. Oscar Garcia é um dos melhores vocalistas do estilo, vociferando com sua voz rouca e potente numa intensidade que poucos agüentariam. Jesse Pintado é praticamente o pai das guitarras grindcore, criando riffs rápidos, afiados e marcantes com uma facilidade incrível; Pete Sandoval é considerado o inventor do blast beat, e aqui ele mostra o porquê disso tudo. É uma metralhadora humana em potencial. Esse foi o disco que o tornou mundialmente famoso no segmento da música extrema e, finalmente, David Vincent se comporta como excelente músico e produtor, afinal, quem mais poderia formar uma parceria tão certeira com Scott Burns e criar algo tão grandioso e imprescindível aos amantes da grosseria musical?

Trata-se de um álbum que marcou toda uma época e é considerado por muitos um divisor de águas para o gênero. Eu particularmente costumo afirmar que existem dois momentos no Grindcore: o antes do World Downfall e o pós World Downfall. Pode parecer exagerado, mas quem conhece o disco e a banda sabe do que se trata. Somente após 17 anos a banda lançou o álbum seguinte, Darker Days Ahead, porém com uma formação totalmente diferente, mantendo somente Pete no posto da bateria. Após mais seis anos, em 2012, o grupo lança seu último trabalho até agora, o Hordes of Zombies. São dois excelentes discos, mas que não fazem frente à supremacia de seu debut, mas que certamente serão abordados em um futuro e merecido artigo.

Só para encerrar e a título de curiosidade, a Earache lançou uma edição limitada em vinil de 12”colorido do álbum em 2013, sendo um total de 1500 cópias divididas nas cores vermelha, laranja, verde e preta. Haja grana no bolso do pobre headbanger do proletariado, mas o investimento vale muito à pena.

Enfim, se você quiser conhecer um álbum que condensa em um único lugar tudo de melhor que uma banda de Grind/Death Metal pode oferecer, World Downfall está aí. A síntese da boa música extrema! Obrigatório em qualquer coleção que se preze, colocado em um pedestal, em posição de destaque.

* Agradecimentos ao amigo Frans Dourado e Roadie Crew pelo apoio.

Contatos:

  http://www.terrorizergrindcore.net/

Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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One comment

  1. Fernando M Sanches

    Muito bom heim mano…..cade vc em uma revista de grande porte? Tanto nego meia boca e vc dando um baile na galera. Congratulations!!!!

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