Windhand: “mãos de bigorna”, isso sim!

O Doom Metal é um sub-estilo da música pesada que teve origem no início da década de 70 com o surgimento do pai de todos, o inigualável e insuperável Black Sabbath. Aqueles acordes pesados como chumbo, encorpados e bem executados por um senhor chamado Tony Iommi, serviram de inspiração e alicerce para muitas bandas que viriam a se formar nas décadas seguintes, entre elas o Paradise Lost, Anathema, My Dying Bride, Cathedral, isso só pra citar as mais relevantes e conhecidas. Após o surgimento dos medalhões do estilo, foram aparecendo também as bandas mais obscuras, que investiam num peso absurdo e adotavam uma postura mais soturna, enaltecendo o lado deprimente e as agruras da vida. Entre esses grupos menos conhecidos, um que me chamou bastante a atenção foi o Windhand.

            Com um nome bastante sui generis (significa “mão de vento”), esta jovem banda originária da cidade de Richmond / Virginia, formada em 2008 e com apenas dois full lenghts no currículo, vem obtendo bastante destaque no circuito underground com seu Doom/Sludge ultra-pesado, lento e sorumbático; além disto, eles possuem um diferencial em relação as outras bandas do mesmo sub-estilo. Este diferencial atende pelo nome de Dorthia Cottrell. Em meio a um paredão de peso perpetrado pela guitarra e pelo baixo, destaca-se a voz doce e suave da moça, causando um contraste muito bonito e interessante.

            Na resenha a seguir, vamos comentar sobre o mais novo lançamento da banda, intitulado Soma. Pois bem, coloque o capacete e entre embaixo da mesa, pois o teto e as paredes vão ruir!

Resenha: Windhand – Soma

            Ahhh se todas as guitarras do mundo tivessem esse timbre! Eu certamente seria mais feliz (ou não, depende do ponto de vista). Meus amigos, que bela surpresa eu tive ao me deparar com este disco. Em uma audição totalmente desprovida de compromisso, tive contato com um dos melhores discos do estilo que já ouvi em minha vida. Simplesmente fabuloso!

Capa do novo álbum "Soma"
Capa do novo álbum “Soma”

            Orchard começa com riffs de guitarra muito pesados e lentos como introdução para a delicada voz de Dorthia Cottrell, num contraste de peso, melodia e agressividade, muito bem conduzidos pelo grupo. Fazia tempo que eu não ouvia uma sonoridade tão densa e arrastada como essa. Uma marretada no estômago! Woodbine mantém a marcha lenta, com um trabalho de guitarras fantástico de Asechiah Bogdan e Garret Morris em seus quase dez minutos de duração. Quando você achava que a música nunca acabaria, eis que surge Feral Bones para manter o clima o menos amistoso possível; aliás, se você sofrer de depressão profunda, passe muito longe desse disco. Para dar uma amenizada na situação, temos Evergreen. Trata-se de uma belíssima balada acústica, com apenas violões e voz, dando destaque mais uma vez ao belo trabalho de Dorthia. Chega a dar até um nó na garganta e um aperto no peito, mas antes que eu precisasse de atendimento médico de urgência, eis que surge Cassock pra eu acabar com essa frescura. Quase quatorze minutos de melancolia, peso e cadência que te dão até um peso nos ombros; até o ar que se respira se torna denso,   apresentando um belíssimo solo de guitarra no terço inicial da canção, com destaque também para a cozinha matadora de Ryan Wolfe (bateria) e Parker Chandler (baixo). Chegando ao ato final temos Boleskine, com sua introdução com violões dedilhados e um som de vento ao fundo, transmitindo toda a tranqüilidade do mundo, porém, quando as guitarras entram em ação, o pobre ouvinte desavisado leva até um susto devido a súbita alternância de climas. Com seus intermináveis trinta minutos de duração, com melodias e andamento repetidos à exaustão, a faixa acaba se tornando um pouco maçante, cansando os ouvidos lá pela metade da mesma.

Windhand (da esq. para dir.): Asechiah Bogdan (guitarra), Dorthia Cottrell (vocal), Parker Chandler (baixo), Ryan Wolfe (bateria) e Garret Morris (guitarra)
Windhand (da esq. para dir.): Asechiah Bogdan (guitarra), Dorthia Cottrell (vocal), Parker Chandler (baixo), Ryan Wolfe (bateria) e Garret Morris (guitarra)

            A sonoridade tem influências das clássicas bandas do estilo, em conjunto com elementos das mais recentes (Noothgrush, Eyehategod, Fistula e Buzzoven), principalmente no peso exorbitante das guitarras. É um trabalho que vai agradar somente aos fãs ferrenhos do gênero, pois se você é fã de músicas rápidas e curtas, é bom ouvir seu Ramones velho de guerra; agora, se for chegado em riffs de guitarra mais pesados que o Faustão depois da ceia, andamento lento quase parando e clima soturno e depressivo, com certeza vai se deliciar. Só não leva 10 por dois fatores: a última música (bastante cansativa) e o nome da banda que, convenhamos, não tem cabimento. Ao invés de Windhand (“Mão de Vento”), deveria se chamar Anvilhand (“Mão de Bigorna). Soaria mais apropriado.

 Nota: 9,0

Formação:

. Asechiah Bogdan (guitarra)

. Garret Morris (guitarra)

. Dorthia Cottrell (vocal)

. Ryan Wolfe (bateria)

. Parker Chandler (baixo)

Faixas:

  1. Orchard (06:38)
  2. Woodbine (09:23)
  3. Feral Bones (08:00)
  4. Evergreen (06:57)
  5. Cassock (13:45)
  6. Boleskin (30:30)

Contatos:

https://www.facebook.com/WindhandVA?fref=ts

 http://windhandva.bandcamp.com

   [youtuber youtube=’http://www.youtube.com/watch?v=9rSWN3Bm8WE’]

Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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