Vulgar Display of Power: vinte e dois anos demonstrando poder

Há 22 anos atrás, no dia 25/02/92, era lançado o disco que, ao menos para mim, viria abalar as estruturas e acabar com a mesmice do Thrash Metal. Um álbum que seria um divisor de águas no estilo e viria a marcar a carreira de uma banda ainda jovem para todo o sempre. Um legado a ser respeitado na história da música pesada mundial. Me refiro a Vulgar Display of Power, o grande clássico do Pantera.

Pantera (em sentido horário): Dimebag (guitarra), Rex (baixo), Vinnie (bateria) e Phil (vocal)
Pantera (em sentido horário): Dimebag (guitarra), Rex (baixo), Vinnie (bateria) e Phil (vocal)

            A banda fundada em 1981 pelos irmãos Darrell Lance Abbott e Vincent Paul Abbott – guitarrista e baterista respectivamente – apresentava fortes influências do Hard Rock/Glam americano e também do inglês, como Van Hallen, Def Leppard, Kiss, entre outras, tanto na estética, quanto na sonoridade. Junto aos irmãos Abbott estavam Terry Glaze no vocal e Rex Rocker (que posteriormente viria a ser Rex Brown) no baixo. Com esta formação lançariam três álbuns que tiveram certa repercussão no underground: Metal Magic (83), Projects in the Jungle (84) e I’m the Night (85). Pouco tempo após o lançamento deste último, Terry Glaze deixa a banda, sendo substituído logo após por Philip Hansen Anselmo (Phil Anselmo para os chegados). Esta formação se tornaria bem sólida e, com o vocal marcante de Phil, lançariam somente em 1988 o Power Metal, último álbum da banda da fase “poser”

            Phil trouxe para a banda um “approach” mais Heavy Metal, mais pesado e agressivo, fazendo com que toda a sonoridade, estética e atitude da banda sofressem uma mudança radical, e com essa nova (e melhor) proposta lançaram Cowboys From Hell em 1990. De rapazes vestidos com botas, meias de oncinha, luvas, maquiagem e cabelos armados, passaram para as bermudas, All Stars, camisetas e cabelos sem laquê; além disso, o som outrora mais acessível daria lugar a um Heavy Metal com os dois pés no Thrash, trazendo um peso absurdo na guitarra de Darrel (que nesta época começaria a ser chamado de “Diamond” Darrel), e muito blast e trigger na bateria de Vinnie. Phil, com seu vocal ora gutural, ora rasgado, e em outras com um agudo semelhante ao do Rob Halford (Judas Priest), dominava os shows com suas performances eletrizantes e seu carisma a toda prova. Era uma nova banda, como se a responsável pelo lançamento dos quatro primeiros álbuns nunca houvesse existido (o próprio grupo costuma renegar essa fase, afirmando que a banda começou somente no Cowboys From Hell). O disco obteve grande sucesso de vendas, apresentando o Pantera ao mundo!

            Com um “início” avassalador como esse, naturalmente havia pressão para que a banda lançasse um novo álbum tão bom quanto Cowboys…, porém, meus amigos, não conseguiram. Não lançaram um álbum tão bom quanto aquele. Lançaram um infinitamente superior! Aquele que é o nosso homenageado de hoje: o aniversariante Vulgar Display of Power. O mundo do Metal nunca mais seria o mesmo!

Impressionante arte da capa de "Vulgar Display of Power"
Impressionante arte da capa de “Vulgar Display of Power”

            Já impressionando e se diferenciando dos demais discos da época logo pela capa, ilustrando uma mão socando furiosamente a cara de uma pessoa, passando para a deselegância sonora e lírica, e o título curioso (uma fala de Linda Blair em O Exorcista), temos um trabalho que seria a personificação da brutalidade. O esteriótipo da agressividade, semelhante a um chute nos culhões dos modismos e da inocuidade da música moderna. Um álbum que viria a redefinir tendências, arrebanhando uma verdadeira legião de fãs por todo o mundo, sendo venerado até hoje.

            Contando com onze faixas em pouco mais de cinqüenta minutos, temos reunidos em um único lugar alguns dos maiores clássicos de toda a carreira da banda. Começando com Mouth for War, com as palhetadas e riffs vigorosos de Dimebag Darrel e um vocal agressivo – porém diferenciado – de Phil, levamos até um susto. E isso é porque é só o começo. O massacre tem seqüência com A New Level e seu andamento cadenciado e pesado; Walk soa como uma marcha militar em direção ao inferno. Nunca uma guitarra soou tão pesada e consistente.

            Fucking Hostile e This Love são os extremos opostos: a primeira é uma ode à violência e à intolerância, com andamento acelerado próximo ao Hardcore. A rispidez em forma de música; a segunda é uma “balada” com início dedilhado e vocal tranqüilo de Phil, narrando um amor no mínimo doentio e psicótico, que descamba pro peso feroz no final, destacando-se o trabalho primoroso de Dimebag e Phil. Ainda destacamos Rise, Live in a Hole, a sinistra By Demons be Driven, e o final apoteótico com Hollow e sua bela melodia.

            Pois bem, após conhecer e adquirir esse álbum, pude perceber e entender a música pesada de outra forma, sob um outro ponto de vista. Boas bandas e estilos surgem todos os dias, mas nada vai superar isso aqui. Uma banda de raro talento, formada por músicos carismáticos e competentes. O conjunto funcionava de forma perfeita, graças ao entrosamento dos membros e, principalmente, pela presença de um dos maiores guitarristas de todos os tempos: Dimebag Darrel. Juntamente com o irmão Vinnie, eram a força motriz por trás do grupo. Uma banda que tinha ainda muito a oferecer, muito ainda a contribuir, mas que infelizmente por problemas internos e de convivência, veio a sucumbir. Pior ainda é saber que jamais se reunirão novamente, principalmente após a trágica morte de Dimebag, assassinado no palco em pleno show de sua banda, o Damageplan.

            Dime (como era conhecido pelos amigos) e o Pantera serão sempre lembrados como os renovadores de todo um estilo. Sua obra permanecerá viva para sempre entre nós.

            Se você se diz fã de música extrema em geral e não curte esse disco, você é um poser e merece todo o desprezo. O maior disco da história. Simples assim!

Obs.: No ano de 2012, no aniversário de 20 anos de lançamento do disco, foi lançado uma versão especial do álbum, com um dvd de bônus contendo o show do Monsters of Rock na Itália, ocorrido em 1992; além disso, foi lançado um single de uma música que ficou de fora das gravações do álbum na época, a Piss. Ela saiu como bônus na versão comemorativa do disco e como single isolada.

Capa do single de "Piss"
Capa do single de “Piss”

Formação:

 

  • Phil Anselmo (vocal)
  • Dimebag Darrel (guitarra)
  • Rex Brown (baixo)
  • Vinnie Paul (bateria)

Faixas:

 

  1. Mouth for War
  2. A New Level
  3. Walk
  4. Fucking Hostile
  5. This Love
  6. Rise
  7. No Good (Attack the Radical)
  8. Live in a Hole
  9. Regular People (conceit)
  10. By Demons be Driven
  11. Hollow

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Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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One comment

  1. com lagrimas nos olhos, li a sua narrativa…vivi, tudo isso..curti muito, ouvi a exaustão esse album…acho q jamais teremos uma banda assim novamente…os caras se superavam a cada album..qd Dimme foi assassinado, era como eu tivesse perdido um irmão, nao acredito e continuo nao acreditando ate hoje q isso aconteceu..uma lastima eu nunca ter visto essa banda ao vivo…abraços irmão, vc e um dos meus…se puder, visita meu instagram (mauriliio ), la tem as camisetas q eu pintei do Pantera, e nesse momento, estou pintando mais uma.

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