The Black Coffins: Death Metal sueco old school made in Brazil

O Black Coffins é uma banda de Death Metal oriunda de São Paulo, formada por Thiago Vakka (vocal), J. Martin (guitarra), A. Beer (baixo) e M. Rabelo (bateria) há aproximadamente 3 anos. Apesar do pouco tempo em atividade, eles vêm demonstrando grande competência e profissionalismo, tanto nos shows, quanto no excelente material lançado até agora. O primeiro disco do quarteto é uma verdadeira celebração do metal da morte. Com forte influência do Death Metal sueco dos anos 80 e 90, com produção sonora e gráfica primorosa, o grupo vem conquistando cada vez mais espaço na cena do Metal underground nacional. A seguir, você confere a resenha deste grande trabalho, com exclusividade aqui no nosso Música e Cinema. Prepare-se para entrar no tétrico e sinistro mundo do “Caixões Negros”.

The Black Coffins – Dead Sky Sepulchre (Resenha)

Pois bem, meus amiguinhos, foi com muito prazer que escutei o primeiro álbum do The Black Coffins. Intitulado Dead Sky Sepulchre, o álbum conta com 12 poderosas faixas (1 introdução e mais 11 músicas) que são verdadeiras celebrações fúnebres.

The Black Coffins
Banda The Black Coffins

O clima denso e macabro percorre todo o disco, desde a sua arte gráfica, até a sonoridade e conteúdo lírico. Como um sussurro gélido mortal na nuca, começamos com a macabra introdução Dead Sky Burial, que serve para criar todo um clima para o massacre sonoro que se aproxima com Chambers of Eternal Sleep. Como uma voadora com os dois pés na boca, a faixa conta com os vocais de Vakka muito similares aos de Matti Karki (Dismember), com belíssimo trabalho de guitarras de J. Martin; peso e agressividade na medida certa para nossos já castigados ouvidos.

Below the Roots tem uma levada crust/hc muito legal, como se fosse um Varukers do mal. Destaque para a bateria “bate-estaca” precisa de M. Rabelo e o baixo “gordão” de A. Beer incorporando ainda mais peso ao som. Sensacional! Após um breve descanso para o pescoço (e olha que estamos só no começo), somos agraciados com a magnífica Carve the Host, com Vakka berrando a plenos pulmões, num início acelerado, bem D-Beat até, mas dando uma acalmada do meio para o fim.

Dead Sky Sepulchre
Capa de Dead Sky Sepulchre

 

The Last Spectral Convoy tem início com um baixo muito pesado e distorcido,  daqueles de estralar os falantes, para dar seqüência num Death Metal rápido, pesado e ainda com forte acento crust. Nada de invencionices e experimentalismos inúteis e maçantes, só o bom e velho Death old shool. Grandes riffs de guitarra e cozinha poderosa. Tocando o cortejo, temos Hate’ 96 (primeiro clipe da banda, que você confere com exclusividade no final deste artigo), que é um verdadeiro compendio de Metal old school sueco, reverenciando os grandes nomes do gênero, como Entombed, Dismember, Grave e Unleashed. Refrão marcante, peso e um andamento mais cadenciado em uma faixa perfeita. Uma das melhores do álbum! Hibernaculum vem como uma espécie de introdução para Transition Compulsory, apresentando um início muito interessante, quase doom, pra depois descambar no Death /Crust já característico do grupo. Pouco mais de 3 minutos de peso, velocidade e partes mais cadenciadas, demonstrando todo o talento e versatilidade dos rapazes.

No terço final do petardo nos deparamos com Dead Planets, até agora uma das mais velozes e agressivas do disco, com linhas de bateria beirando o grindcore no início e meio da canção. Vakka a esta altura já espancou suas cordas vocais, tamanha a agressividade no desempenho das vozes, sempre muito bem anparado pela guitarra pesadíssima de J. Martin e cozinha precisa de A. Beer (B) e M. Rabelo (D). To the Universal Throne segue rumo ao “Trono Universal”, em uma faixa curta e grossa, com guitarras e bateria velocíssima, não deixando o pobre ouvinte nem sequer piscar. Pancadaria pra deixar atordoado por uma semana! Não dá nem pra anotar a placa do caminhão que nos atropelou. Uma das 3 melhores do disco todo.

Para darmos uma recuperada na integridade física, vem a seguir The Cryptborn, com seu andamento bastante cadenciado, até um pouco melódico, com um belíssimo solo de guitarra, mas ainda assim investindo no peso do instrumental e na agressividade do vocal de Vakka, que está demonstrando realmente ser um dos melhores vocalistas da nova geração de bandas extremas nacionais, pois soa bastante agressivo, porém inteligível e variado. E, por fim, chegamos a derradeira Dead Sky Sepulchre, que trata-se de um longo tema instrumental, que consiste em um mórbido barulho constante por mais de 6 minutos, chegando a ser deveras irritante. Na minha humilde opinião, trata-se do único ponto fraco do disco. Não fosse por esse pequeno deslize, mereceria um 10 com honra ao mérito.

Pois bem, meus amigos, me surpreendeu muito positivamente este primeiro trabalho do The Black Coffins, pois demonstrou ter muito mais qualidade que muita banda experiente por aí. Produção sonora e gráfica irrepreensíveis, de nível internacional. A banda é muito competente e coesa, demonstrando grande profissionalismo. Com certeza merecem, e vão, colher muitos frutos ainda no underground.

Se esse é o seu tipo de som, não perca mais tempo. Corra atrás deste disco e faça uma verdadeira viagem aos rituais fúnebres das antigas civilizações, com a influência dos grandes mestres do Metal old school sueco. Uma combinação mais que perfeita. Grande abraço a todos e até a próxima!

O disco foi lançado pela Black Hole productions. Interessados em adquiri-lo, acessem o site e compres está obra prima do death metal, ajudado assim a boa música brasileira.

Hate ’96 – The Black Coffins

Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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One comment

  1. Muito bom! ImI

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