Soulspell – “The Second Big Bang”: detalhes e entrevista sobre o novo disco

Lançado no fim do primeiro semestre, “The Second Big Bang” é o quarto disco da banda Soulspell Metal Ópera. Com um trabalho maduro e dando continuidade a história iniciada em “A Legacy Of Honor” (2008), o grupo conta com convidados ilustres como Andre Matos e Blaze Bayley.

Em meio a muitos convidados e uma competente banda, o Soulspell entrega um belo disco. Letras bem trabalhadas dão continuidade a narrativa, como uma série, relacionando-se com os discos anteriores. “The Second Big Bang” vem após “Hollow’s Gathering” (2012), um bom disco, porém não tão inovador como o último.

Com muitas referências de bandas clássicas do metal melódico, a banda não deixa de inovar e apresentar um disco atual, com roupagens modernas e uma complexa relação de sons muito bem encaixadas. Nas doze faixas, são dezenas de músicos ao total, porém em nenhum momento o ouvinte perde a referência do direcionamento (sonoro e conceitual). A agregação de elementos progressivos e a variação de timbres faz com que o trabalho seja coeso e uma ótima experiência para fãs do gênero e de boa música em geral.

A banda é formada por: Jefferson Albert (vocal), Daisa Munhoz (vocal), Pedro Campos (vocal), Victor Emeka (vocal), Talita Quintano (vocal), Daniel Guirado (baixo), Leandro Erba (guitarra), Sérgio Pusep (guitarra) e Rodrigo Boechat (teclado) e Heleno Vale (bateria).

Os convidados para The Second Big Bang são: Andre Matos, Arjen Lucassen, Blaze Bayley, Dani Nolden, Eduardo Ardanuy, Fábio Laguna, Fabio Lione, Frank Tischer, Jani Liimatainen, Kiko Loureiro, Markus Grösskopf, Oliver Hartmann, Ralf Scheepers, Tim “Ripper” Owens, Timo Kotipelto e Tito Falaschi. Entre os vocalistas, cada um interpreta um personagem dentro da história.

The Second Big Bang é um disco de altíssimo nível, provando que música de qualidade, em todos os sentidos, pode ser produzida no Brasil. Para os fãs de teatro, literatura e cinema, acompanhar as letras é uma projeção interessante e diverta.

Banda Soulspell

Conversamos com o fundador e líder da banda, Heleno Vale. Confira:

Entrevista com Heleno Vale – Soulspell

Música e Cinema – The Second Big Bang é um disco com letras muito interessantes e que deixa claro seu estilo conceitual. Ele foi formatado como uma sequência dos trabalhos anteriores ou foi um processo criativo independente?

Heleno – Trata-se do quarto ato de uma saga que terá, muito provavelmente, nove atos. São na prática três trilogias que podem virar livros, encenações ou filmes. Então, todos os álbuns serão sobre uma mesma história.

Música e Cinema – Nos trabalhos anteriores e no novo disco, ficam claras muitas referências musicais. Somando uma banda grande para o cenário brasileiro e ainda muitos convidados, como formatar um trabalho coeso?

Heleno – Precisamos sempre de mais tempo, mais dinheiro, mais paciência, mais pés no chão, palcos maiores, do que uma banda comum. No entanto, os resultados são sempre ainda mais gratificantes e memoráveis. Eu tento centralizar um pouco as coisas “ruins” e partilhar com os demais membros da banda as coisas boas. Já estamos há mais de 10 anos juntos e está tudo caminhando muito bem, por enquanto.

Música e Cinema – Para um disco tão complexo, o trabalho de planejamento deve ser gigantesco. Como funciona toda essa logística? Vocês escolhem os convidados após já terem o material pronto ou fazem o material conforme encaixe melhor com os convidados?

Heleno – O trabalho passa por diversas etapas. Tudo começa com a definição de qual parte da história o disco abordará. Daí escrevo um breve resumo de cada música e, então, passo a compor as canções me inspirando pela própria temática da história. Quando tenho as canções prontas em meu computador, me reúno com meu produtor para definirmos a estrutura final das músicas e, enfim, enviamos as músicas para os demais instrumentistas. Quanto aos convidados, passamos pelas duas situações que você citou. Ora escrevemos o material para determinada participação, ora produzimos o material e depois escolhemos os participantes.

Música e Cinema – Todos os trabalhos da banda mostram inovações, porém The Second Big Bang parece ser mais ousado e até mesmo maduro. Isso foi relacionado ao tempo de produção ou a uma evolução natural da banda?

Heleno – Acredito que o tempo nos ensinou muito. Eu mesmo aprendi muito com a convivência com grandes produtores e grandes músicos. Minhas composições e letras eram bastante simples e, hoje em dia, já chegam mais prontas. Claro que o cuidado com este último álbum foi, também, maior. Sua produção durou 5 longos anos.

Música e Cinema – Como está sendo a recepção do álbum pela crítica e pelo público? O mercado europeu ainda tem muitas diferenças em relação ao brasileiro (para o metal)?

Heleno – A recepção dos fãs está ótima e as críticas positivas. No entanto, confesso que elas oscilam bastante dependendo dos muitos tipos de críticos que as produzem. Há aqueles que entendem de Power Metal e são totalmente imparciais. Esses são ótimos para a cena e, na maioria das vezes, pontuam adequadamente os álbuns do Soulspell. Pra você ter apenas uma ideia de como essas críticas oscilam, já peguei resenhas que apontavam uma música como o ponto forte do álbum e, logo em seguida, outra resenha que apontava essa mesma música como o ponto fraco desse mesmo álbum. Então, sempre insisto para que o público ouça os álbuns e formem sua própria opinião, antes de lerem as demais opiniões. Essa é uma prática importante, que quase ninguém faz. Eu faço! Faça também. Sobre os mercados europeu e brasileiro, há, sim, alguma diferença. Percebi, nesses últimos 10 anos, que o público europeu dá um pouco mais de espaço a bandas novas. Digamos que, aparentemente, eles sejam um pouco mais desapegados. No Brasil, o público defende muito a bandeira de uma só banda, como se fosse uma religião ou um time de futebol. Isso é extremamente prejudicial para a cena, mesmo para as grandes bandas e para o próprio público. No entanto, o mercado europeu não é perfeito. Percebo um patriotismo acentuado. Bandas de mesmo país se apoiam bastante e a mídia de um país apoia muito as bandas do próprio país. Isso não é nada positivo, também, para o mercado em geral. No Brasil, isso não acontece, mas há outro problema oposto. As bandas nacionais, com exceção de uma ou duas, não são valorizadas se não fizerem sucesso lá fora antes de se projetarem aqui. Então, resumindo, há várias peculiaridades no mercado do Metal em todo o planeta. Isso dificulta bastante. As bandas novas devem ser bem pacientes e se portar no mercado de maneira inteligente, moderna e honesta, desde o princípio.

Música e Cinema – Como já citado, a banda tem uma formação maior que a maioria dos grupos do Brasil. Com um trabalho tão complexo e a necessidade de um trabalho logístico também, como adaptar isso para os palcos e conseguir viabilizar shows pelo país?

Heleno – Há alguns planos em andamento com relação a adequar o Soulspell a palcos menores. Estamos criando e estudando algumas possibilidades já para 2017, mas ainda não posso revela-las aqui. Você tem razão quando diz que a logística não é simples e que tornar um show com 11 músicos viável, ou rentável, não é normal no Brasil. No entanto, os desafios estão aí para serem superados e vamos superá-los um a um, pode acreditar nisso. Para viabilizar e agilizar a parte técnica, o que fazemos é preparar um material completo para suporte aos ensaios, como samplers individuais de cada músico e divisões de letras e linhas, de forma a podermos ensaiar com parte da banda, mesmo que alguns não possam estar presentes.

Música e Cinema – Você é o líder da banda. Como é ter essa responsabilidade? É uma tarefa difícil saber os momentos de centralizar as ações e os momentos de distribuir as tarefas? Como manter o comando e ao mesmo tempo dar liberdade para os músicos?

Heleno – Eu já estou acostumado com esse tipo de responsabilidade e acho que aprendi bastante nos últimos anos. Hoje em dia, consigo gerenciar um pouco melhor o fato de manter os músicos engajados com o projeto e, ao mesmo tempo, entender as restrições de suas vidas particulares etc.

Música e Cinema – No trabalho do Soulspell, é possível identificar diversas músicas que facilmente poderiam ser adaptadas para o teatro e cinema. Falando especificamente de filmes, eles servem como inspiração? Como os diferentes tipos de expressão ajudam no momento da criação?

Heleno – Claro que sim. Muitos filmes e livros já serviram de inspiração para a história do Soulspell. Nem haveria como ser diferente. É simplesmente impossível que um ser humano escreva uma história, sem usar sua base de conhecimento para isso. No entanto, eu tento tornar a história do Soulspell a mais inovadora, interessante e original possível. Um de meus objetivos é justamente esse, ter uma história boa o suficiente para virar livros, teatro e filmes. Não é à toa que os discos do Soulspell funcionam como um seriado de TV. Já estamos no quarto ato, ou temporada.

Música e Cinema – Como você avalia a cena musical brasileira atual? O que lhe chama atenção no Brasil?

Heleno – Para o Rock é a pior cena possível. Até o MPB praticamente “morreu”, quem diria. A grande mídia dominou, enfim, completamente as rédeas do mercado e estamos há mais de 10 anos escutando a mesma porcaria gerada pelo estilo sertanejo universitário. É como um câncer, quando o estilo começa a declinar um pouco, eles trocar o sexo das duplas, ou transformam as duplas em artistas solo ou injetam uma pitada de funk e tudo volta ao estado inicial. Não vejo um fim breve para isso, infelizmente. O que podemos fazer é focar no mercado externo para podermos sobreviver e, aos poucos, irmos tentando abrir os olhos do grande público. Torço com todas as minhas forças para que o governo também interfira de maneira correta nisso, já que a maioria das verbas de incentivo vão, atualmente, apenas para artistas já consagrados. Não há grandes festivais de boa música mais e os que existem estão completamente corrompidos, onde bandas que mereceriam um espaço precisam pagar (caro) para tocar. Vejo cada vez menos bandas de Rock ou MPB autoral surgindo e estou bastante preocupado com o futuro da música no país. Todos deveriam estar e organizar um movimento a respeito.

Música e Cinema – Para esse ano, quais os principais planos e metas da banda?

Heleno – Em 2017, o grande objetivo era, obviamente, o lançamento do nosso quarto álbum. Ele foi lançado em Maio e agora estamos fazendo alguns shows, como já fizemos o Roça N’ Roll e estamos a caminho dos Sescs e do Araraquara Rock. Até o final do ano devemos realizar mais alguns shows e planejar os primeiros passos de 2018 que incluem a gravação de um álbum só de tributos, de uma coletânea do Soulspell e de um DVD ao vivo.

Música e Cinema – Muito obrigado pela atenção e disponibilidade. Quem quiser conhecer mais da banda e adquirir o novo trabalho, como deve fazer?

Heleno – Eu que agradeço. Estamos prestes a colocar nosso novo website no ar com toda a história dos quatro primeiros atos, desenhos de personagens etc., no entanto, enquanto isso, os interessados podem acessar nossa loja virtual e adquirir todo nosso merchandising. Nossa página de Facebook é, também, bastante ativa. Grande abraço a todos e muito obrigado!

Sobre Leonardo Caprara

Idealizador e fundador do site, tem profunda paixão pela música e pelo cinema, desbravando os mais diferentes sub-gêneros dentro destes dois maravilhosos nichos e procurando levar o melhor conteúdo para os fiéis leitores do Música e Cinema!

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