Sete Star Sept: por um Japão mais noise!

Dentre os inúmeros estilos e sub-estilos do Metal, existem alguns que são bastante inacessíveis no que concerne à audição propriamente dita. Requerem uma certa experiência para uma melhor assimilação; e dentre esses subgêneros tão extremos, destaco o noisecore. Pelo nome do negócio, já dá pra perceber o quão castigado será o ouvido do pobre coitado que se submeter a ouvir este disco. O estilo tem vários representantes pelo mundo, entre eles o Sete Star Sept e seu disco Vinyl Collection 2010-2012. Trata-se de uma dupla japonesa, uma garota e um rapaz, que fazem um barulho que poucas vezes eu ouvi na vida. É algo que desafia as leis da física, tamanha a ignorância sonora que rompe os falantes no decorrer da audição. É um negócio muito interessante, portanto, a seguir, você confere a resenha deste inusitado trabalho, com toda a exclusividade do mundo aqui no Música e Cinema (essa é exclusiva mesmo, pois duvido que alguém neste mundo já resenhou isso aqui).

Resenha: Sete Star Sept – Vinyl Collection 2010-2012

Caro leitor do Música e Cinema, aqui vai um alerta: se você não é fã das vertentes mais extremas, grotescas, malditas e abjetas da música pesada, recomendo que pare de ler por aqui mesmo. Vai por mim que eu sei do que se trata; agora, se o nobre leitor já é um aficcionado pela ignorância sonora, barulho infernal e extremidade desenfreada, aqui é seu lugar. Seja muito bem-vindo!

Pois bem, tive o prazer (????!!) de conhecer o Sete Star Sept muito recentemente. Trata-se de uma dupla formada por Kae (baixo e vocal) e Kiyasu (bateria) oriunda do Japão, que pratica um misto de HC com noisecore e harsh que certamente lhe causará cefaléias severas caso não esteja familiarizado com o estilo. Imagine um almoço de domingo reunindo A.C., Sore Throat, Y, um pouco de Cripple Bastards e, o toque final, Napalm Death da fase Scum. Sentiu o drama, né? Eu avisei que era só para os fortes!

Sete Star Sept (da esq. pra dir.) - Kiyasu (bateria) e Kae (baixo e vocal)
Sete Star Sept (da esq. pra dir.) – Kiyasu (bateria) e Kae (baixo e vocal)

O objeto de nossa resenha é uma coletânea que abrange sons de sete splits e um ep, lançados durante o período de 2010 a 2012, intitulado Vinyl Collection 2010-2012. Nele encontramos 99 faixas(!!). Não, nobre leitor, você não entendeu errado! São 99 faixas em pouco mais de uma hora onde encontramos toda a sorte de barulho, microfonias, vocais desesperados e distorção que se pode imaginar. Esta visão caótica em conjunto com o vocal insano de Kae (como berra a japinha!), produz um verdadeiro terrorismo sonoro capaz de ensurdecer até um surdo. A dupla engata a primeira marcha e sai fritando os pneus, sem um segundo de descanso para o pobre ouvinte. Uma faixa já emenda com a outra subseqüente, formando uma massa sonora indescritível! Difícil imaginar que toda essa barulheira seja produzida por apenas uma garota e um baixo extremamente pesado e distorcido – fazendo o do Lemmy e o do Kronos parecerem o banjinho de brinquedo do meu filho de 7 anos – , e um rapaz arrebentando a caixa da bateria com batidas velocíssimas. É praticamente impossível enumerar destaques, pois são muitas músicas e todas dificilmente ultrapassam os 40 segundos de duração, mas me atrevo a destacar a primeira, Naked Medow, talvez pelo impacto inicial que ela causa. Destaque também para Pilot Error Snooze, Fastest Prayer e a última faixa sem título, que nada mais é que um set ao vivo, com algumas músicas englobadas em uma só faixa, demonstrando que ao vivo o negócio é ainda mais violento.

A felicidade e sensação de bem estar ao ouvir o petardo
A felicidade e sensação de bem estar ao ouvir o petardo

Como disse anteriormente, é uma sonoridade de difícil digestão, que somente ouvidos calejados poderão suportar. Não sei se eu tenho algum tipo de distúrbio psicológico, mas eu achei bastante interessante. Caso essa seja sua praia, vai sem medo. E tome a dipirona depois.

Obscene Extreme Trutnov – Sete Star Sept


Nota: 7,5

Formação:

Kae (baixo/vocal)
Kiyasu (bateria)

Contatos:

Site oficial
Facebook oficial

 

Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

Veja Também!

bomba

Vídeo: Show do Rammstein com “homem bomba” gera polêmica com muçulmanos

Participando do Rock in Vienna, na capital austríaca, a banda Rammstein utilizou sua famosa pirotecnia …

2 Comentários

  1. Ricardo, Sensacional cara essa resenha! To virando fã desse seu blog garoto! Valeu man!

  2. Fala, meu querido!! Que bom que gostou! Se eu escrevo aqui hoje, boa parte da culpa é sua, não é? HAHAHAHAHA!! Que legal, cara. Pode nos acompanhar, pois sempre tem novidades por aqui. Grande abraço e obrigado pela força!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *