Robocop (2014): Vivo ou morto, você vem comigo!

Sinopse:

             Em um futuro não muito distante, no ano de 2028, drones não tripulados e robôs são usados para garantir a segurança mundo afora, mas o combate ao crime nos Estados Unidos não pode ser realizado por eles e a empresa OmniCorp, criadora das máquinas, quer reverter esse cenário. Uma das razões para a proibição seria uma lei apoiada pela maioria dos americanos. Querendo conquistar a população, o dono da companhia Raymond Sellars (Michael Keaton) decide criar um robô que tenha consciência humana e a oportunidade aparece quando o policial Alex Murphy (Joel Kinnaman) sofre um atentado, deixando-o entre a vida e a morte.

  

Poster de divulgação de "Robocop"
Poster de divulgação de “Robocop”

Elenco:

    .Joel Kinnaman como Alex Murphy, um detetive da polícia que está ferido em uma explosão e transformado no ciborgue RoboCop.

  • Gary Oldman como Dr. Dennett Norton, o cientista que cria o Robocop.
  • Michael Keaton como Raymond Sellars, o CEO vilão da OmniCorp.
  • Samuel L. Jackson como Patrick “Pat” Novak, anfitrião da The Novak Element e proeminente defensor do controle do crime mecanizado.
  • Abbie Cornish como Clara Murphy, esposa de Alex.
  • Jackie Earle Haley como Rick Mattox, um estrategista militar responsável pela formação de RoboCop.
  • Michael K. Williams como Jack Lewis, ex-parceiro de Alex.
  • Jennifer Ehle como Liz Kline, a cabeça chefe de assuntos jurídicos da OmniCorp.
  • Jay Baruchel como Tom Pope, a cabeça de marketing da OmniCorp.
  • Aimee Garcia como Jae Kim, um cientista que trabalha com Dr. Dennett Norton.
  • John Paul Ruttan como David Murphy, filho de Alex.
  • Patrick Garrow como Antoine Vallon. Assassino do Murphy.
  • Marianne Jean-Baptiste como Karen Dean, Chefe da Polícia de Detroit.
  • Douglas Urbanski como Prefeito Durant, o Prefeito de Detroit.
  • Zach Grenier como Senador Dreyfuss

   

Robocop (2014): resenha

             José Padilha (diretor dos cultuados Tropa de Elite 1 e 2) virou celebridade após o estrondoso sucesso dos Tropa de Elite. Seu sucesso foi tão grande que as oportunidades foram surgindo e, por conta disso, foi convidado a dirigir um remake de Robocop. Com uma proposta ousada e um orçamento polpudo, lá vai nosso amigo Padilha para os E.U.A trabalhar em cima do grande clássico da ação de 1987, dirigido por Paul Verhoeven. O filme original foi um grande sucesso para a época. Contando com um orçamento pequeno (US$ 13 milhões, uma merreca para os padrões de hoje), um roteiro de certa forma original, e muita competência por parte dos realizadores, o filme arrecadou mais de US$ 50 milhões. Não foi aquela fortuna, mas o filme marcou época com a história do policial dedicado, íntegro, pai de família, e que é atacado e quase morto pela quadrilha do traficante casca-grossa e mau-caráter, Clarence Boddicker (Kurtwood Smith). Alex Murphy (Peter Weller), o tal policial, é praticamente esquartejado por armas de grosso calibre, ficando muito próximo da morte. Como a O.C.P. (empresa que controlava toda a polícia e segurança dos E.U.A.) mantinha a mais alta tecnologia em armamento e robótica em geral, tiveram uma brilhante idéia: dar um novo corpo para Murphy e recuperá-lo do trauma sofrido, para que retorne às ruas e coloque a bandidagem sem seu devido lugar e, de quebra, dar um “sacode” no seu algoz e na sua cambada.

Robocop (Joel Kinnaman) e Matox (Jackie Earle Haley). Baixinho folgado esse!
Robocop (Joel Kinnaman) e Matox (Jackie Earle Haley). Baixinho folgado esse!

            Pois bem, miguxos, o filme é muito bacana. Divertido, repleto de ação e violência, como os bons filmes do gênero dos anos 80. Marcou minha infância e creio que marcou a de muita gente também. Apesar de muito bem construído, o filme ainda tinha aquele espírito trash (quem viu a cena do fuzilamento de Murphy e o atropelamento de um dos bandidos que estava dissolvendo em ácido, sabe muito bem do que estou falando), o que o torna ainda mais especial. O filme ainda teve uma seqüência muito boa em 1990, Robocop 2, e uma terceira parte desprezível em 1993, que já nem era estrelada por Peter Weller (que deve ter percebido a bucha que era e pulou fora antes).

            Com essa onda nefasta de refilmagens, nem o pobre policial cyborg escapou de receber sua versão moderna; sendo assim, Robocop (2014) chegou aos cinemas em 12 de fevereiro de 2014 (nos E.U.A.). É um filme que dividiu opiniões em platéias no mundo todo. Ou se ama, ou se odeia. Não existe meio termo! Assisti ao filme recentemente e posso afirmar que talvez eu seja o único indivíduo no mundo que ficou numa linha tênue entre o bom e o ruim. Não gostei muito, mas também não odiei tanto assim. A produção não chega a ser uma refilmagem em sua totalidade. Muito do que vemos no filme recente é bem diferente do que se via no original. O “esqueleto” foi reaproveitado, mas com acréscimo de muitos elementos novos; além disso, com ação típica do século XXI.

Dr. Norton (Gary Oldman) colocando Murphy (Joel Kinnaman) pra dormir!
Dr. Norton (Gary Oldman) colocando Murphy (Joel Kinnaman) pra dormir!

            O ano é 2028. A OminiCorp é uma poderosa multinacional que domina a tecnologia em robótica e armamento pesado, fornecendo armas e favorecendo a pacificação em muitas partes do mundo, desde a própria Detroit, até países do Oriente Médio dominados pela guerra. Nesta realidade, nos combates pelo mundo afora, não são mais utilizados humanos na frente de batalha, mas exércitos de drones que, segundo a empresa, são muito mais eficazes e seguros, não perecendo de emoções humanas e suas fraquezas, o que é muito prejudicial em uma guerra, porém, seu uso nos E.U.A. ainda é restrito por conta de uma lei. O detetive Alex Murphy (Joel Kinnaman) divide seu tempo entre seus afazeres de oficial de polícia em uma cidade caótica, totalmente dominada pela criminalidade e violência, com a rotina doméstica de marido dedicado e pai exemplar. Em meio a uma investigação sobre um poderoso traficante e por estar muito próximo da verdade, Murphy sofre um atentado, ficando a beira da morte. Isso você já viu no filme de 27 anos atrás, não é mesmo? Então, após esse fatídico evento, o pobre policial é reconstruído, graças a super tecnologia vigente. Com isso, ele ganha muitas habilidades, como força descomunal, velocidade e agilidade, mas perde coisa mais importante que isso tudo: sua família. O bom e velho Alex Murphy marido, pai e policial dedicado sai pra dar lugar a Robocop, um produto, uma inovação tecnológica em prol da segurança civil. Um grande problema para a empresa é quando o lado humano do “produto” aflora, gerando dúvidas quanto à eficiência do mesmo. O presidente da empresa, Raymond Sellars (Michael Keaton), a princípio um entusiasta da fusão homem-máquina, ao perceber o risco disso tudo, tenta colocar Murphy fora da jogada, principalmente quando este resolve investigar a fundo os responsáveis pelo seu atentado, ainda mais agora que ele tem a seu dispor todo o banco de dados da polícia de Detroit implantado em seu cérebro. Segura o robozão justiceiro agora!

            Padilha consegue, para o bem ou para o mal, imprimir na narrativa de Robocop algumas características presentes em Tropa de Elite 1 e 2, como por exemplo o âncora de um telejornal sensacionalista que é um entusiasta do implacável combate ao crime perpetrado pelos drones, e que se mostra um fã do trabalho promovido por Murphy, Pat Novak (Samuel L. Jackson); os policiais corruptos, que são informantes e subordinados do traficante Antoine Vallon (Patrick Garrow); o manda chuva da empresa, Raymond Sellars (Keaton), que se mostra muito solícito e preocupado com a questão do pobre policial, mas que depois se revela o mais sórdido dos canalhas, entre outros aspectos que ligam esses dois mundos. Em maior ou menor escala, isso já vem sendo apontado como uma característica do diretor. Uma ação com forte crítica social, por assim dizer. Tem papel de maior importância na narrativa o personagem Dr. Dennet Norton (Gary Oldman), o cientista responsável pela construção do Robocop e que se torna um amigo, um elo de ligação entre a família e Murphy em sua nova condição. Ahhh, e os efeitos especiais saltam aos olhos, embora eu ainda tenha saudade daquele robozão feito em “stop motion” da produção original. A idade chega e a gente fica igual museu: vivendo de passado.

Robocop durante treinamento.
Robocop durante treinamento.

            A pergunta que não quer calar: é um bom filme? É bonzinho até, mas fraco em alguns quesitos, tais como violência e caracterização do personagem principal. No filme original, o negócio era brutal! Sangue e violência em profusão. A cena do assassinato de Murphy ficou gravado na minha mente por muito tempo. Na nova versão, a violência é muito contida. Robocop evita de usar munição letal em muitas de suas abordagens. Está muito politicamente correto até. Às vezes, soa muito parecido com aqueles filmes tão comuns na Sessão da Tarde. Quanto à caracterização do herói, tudo vai bem enquanto a armadura é semelhante a do Robocop antigo. O problema surge quando ela é pintada de preto, transformando nosso herói em uma espécie de Black Kamen Raider contemporâneo, ainda mais quando está patrulhando a cidade com sua moto. Em algumas seqüências, é visível o aspecto emborrachado da armadura, o que é decepcionante para um filme que teve um orçamento de 100 milhões. Na dúvida, prefira o original, mas vale uma espiada. Dá pra se divertir por quase duas horas sem muitos traumas.

Até a próxima, gente boa!

Confira ao trailer de “Robocop”

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Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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