Recipocral: o lado mais progressivo do Death Metal

Já se foi o tempo que o Death Metal era considerado apenas como barulho desconexo. Já há algum tempo as bandas vêm se aprimorando em técnica e, aliada a produções de alto nível, estão produzindo trabalhos cada vez mais complexos e intrincados. Bandas como Decrepit Birth, Necrophagist, Viraemia, Braindrill, entre outras, fazem parte deste seleto grupo: o denominado Technical Brutal Death Metal. O nome bonito revela algo além de pura “masturbação” musical. Revela músicos dedicados, competentes e com comprometimento com a cena; e além dos grupos mais conhecidos desta ramificação do Death Metal, temos também os mais obscuros, dentre os quais o Recipocral. Trata-se de uma banda ainda jovem, formada em 2007. A banda de Hollywood/CA é formada por Andy McLeod (guitarra), Dustin Perle (bateria), Jacob Enfinger (vocal) e Jeff Hughell (baixo). Lançaram dois full lenghts, sendo que o objeto da nossa resenha é o mais recente, lançado de forma independente neste mês de novembro, intitulado New Order of the Ages.

Bem, chega de conversa fiada e vamos ao que interessa. A seguir, você confere a resenha deste grande trabalho aqui no nosso Música e Cinema. Confira!

Resenha: Recipocral – New Order of the Ages

Rapaz, esses caras devem ser os maiores fãs de Dream Theater e Rush do mundo do Death Metal. New Order of the Ages, segundo álbum do grupo, conta com onze faixas em pouco mais de uma hora trazendo o mais técnico, intrincado e rebuscado Death Metal de que se tem notícia. Um curso de Phd em música brutal bem tocada e composta! Andy McLeod (guitarra), Dustin Perle (bateria), Jacob Enfinger (vocal) e Jeff Hughell (baixo) chegam com os dois pés na boca do ouvinte, tamanha a quebradeira sonora que sai dos falantes. New American Century começa com blast beats a mil por hora, com Andy percorrendo o braço da guitarra e despejando todas as notas que ele conhece, num misto de técnica e velocidade. Precisão cirúrgica!

New Order of the Ages

 

Esoteric Agenda apresenta um trabalho de cozinha fabuloso, com atuação brilhante de Jeff Hughell no baixo e vocal rasgado de Jacob muito semelhante ao de Jeff Walker (Carcass) em várias passagens; Profit Before Protocol e Guilty Until Proven Innocent te pegam pela garganta com riffs de guitarra velozes ao extremo, bateria marcante e baixo pulsando forte, dando o suporte adequado pra Jacob inflamar as cordas vocais. Lindo! Como outros destaques da obra, ainda temos Illuminati, com pouco mais de 7 minutos de quebradeiras infernais em velocidade estonteante, que eu não sei como o ser humano é capaz de fazer um troço desses; a faixa título e Saintan, com magnífico trabalho de baixo, e ainda destaco Mistery, Babylon the Great, Mother of All Harlots and Abominations of the Earth (prêmio Nile de nome kilométrico) como uma das melhores do álbum, com solos de guitarra que deixariam Steve Vai e Joe Satriani frustrados.

Reciprocal banda

Muito bem, devo admitir aos caros leitores que tive que ouvir o álbum pelo menos umas três vezes antes de elaborar a resenha, pois a carga de informação passada é tão grande que dificulta a assimilação em apenas uma audição. Creio que não vai agradar aqueles fãs mais radicais, que normalmente são avessos a esses malabarismos instrumentais. Realmente, a técnica é absurda, mas em nenhum momento soa gratuita, pois percebe-se a preocupação dos músicos com a qualidade do material. Trata-se de um trabalho independente, mas com produção sonora e gráfica impecáveis (aliás, a arte da cap é uma das mais bonitas que vi nos últimos tempos); sendo assim, deixe de ser um radical metido a besta e dê uma chance aos caras. Você não vai se arrepender e ainda vai me agradecer por isso.

Abraço e até a próxima!

Formação:

Andy McLeod: guitarra
Dustin Perle: bateria
Jacob Enfinger: vocal
Jeff Hughell: baixo

Faixas:

  1. New American Century (05:41)
  2. Esoteric Agenda (05:40)
  3. Profit Before Protocol (05:06)
  4. Guilty Until Proven Innocent (06:49)
  5. Illuminati (07:03)
  6. New Order of the Ages (07:45)
  7. Saintan (06:47)
  8. Mistery, Babylon the Great, Mother of All Harlots and Abominations of the Earth (05:08)
  9. Tyrannicide (06:22)
  10. Oblivion (03:52)
  11. RIP (Memento Mori) (07:17)

Reciprocal – Saintan

Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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