Power Trip: uma viagem poderosa ao HC/Crossover

O início dos anos 80 foi marcado pelo surgimento de um estilo único, que fundia a agressividade e caráter contestador do punk com o peso do metal, originando uma sonoridade visceral e contagiante. Riffs de guitarra rápidos, simples e pesados se uniam a um baixo bem encorpado, uma bateria reta, veloz e sem muita variação, e a um vocal gritado e mais puxado para o rasgado, e tínhamos a fórmula perfeita do que viria a ser o Crossover. Das várias bandas que surgiram deste subgênero, as que mais se destacaram foram o D.R.I., o Cryptic Slaughter, o S.O.D. e o Suicidal Tendencies, grupos de suma importância na fundamentação, não só do estilo, mas da música pesada em geral.

Power Trip
Power Trip

            Nos anos seguintes, principalmente na década de 90, o estilo deu uma hibernada, porém, de alguns anos para cá começaram a surgir novas bandas que estavam dispostas a reacender novamente a chama underground. Das bandas mais recentes do estilo, merecem destaque o Municipal Waste, o Iron Reagan e esta bela surpresa chamada Power Trip.

            Se existe uma banda que pode ser considerada uma verdadeira homenagem ao old school, esta é a Power Trip. Com aproximadamente cinco anos de carreira, dois eps, uma demo e um single lançados, em 2013 chutaram a porta pra valer com o exuberante Manifest Decimation, primeiro ‘full-lenght’ do conjunto, sendo este o objeto de nossa resenha de hoje.

            Pois bem, já que o nobre leitor agüentou até aqui os devaneios desse colaborador xarope, segure mais um pouco e conheça este belo trabalho. O Música e Cinema serve bem para servir sempre. Confira!

Em show de recente turnê européia (photo by Benjamin Hardman)
Em show de recente turnê européia (photo by Benjamin Hardman)

 Power Trip: Manifest Decimation (resenha)

            Se você tem espasmos de regozijo com aquela sonoridade HC/Crossover, suja, pesada, empolgante, mas ainda assim bem produzida, seus problemas acabaram! O Power Trip é a sua nova banda preferida! Em seu primeiro álbum, o quinteto conterrâneo do Pantera traz uma sonoridade que é um caldeirão das melhores influências. Imagine uma situação: O D.R.I. se encontra com o Cryptic Slaughter e ambos se dirigem a casa do S.O.D., onde lá estão esperando, além do anfitrião, o Vio-lence e o Nuclear Assault, para um belo churrasco regado a muito som pesado e conversa fiada. A bizarra analogia só serve para mostrar ao leitor o terreno no qual estamos pisando. É thrash/crossover da melhor qualidade, feito com garra e paixão por quem realmente idolatra o estilo. Contando com oito pequenas obras de arte em pouco mais de meia hora de duração, temos um trabalho que certamente marcará a história da banda e do próprio estilo. Sabe aquela sonoridade obtida em gravação analógica, com riffs de guitarra pesados e cortantes e aquele vocal ecoado, típico das gravações do início dos anos 80? Pois bem, aqui temos tudo isso acrescidos de uma ótima produção, deixando este trabalho ainda mais especial. Como um soco desferido na cara, Manifest Decimation dá início ao trabalho de forma bastante vigorosa, sendo seguida quase sem intervalo pela potente Heretic’s Fork, com seus riffs de guitarra pesadíssimos e cavalgados, acompanhados pela cozinha matadora. Conditioned to Death mantém o ritmo insano, numa velocidade estonteante, certamente sendo um dos grandes destaques do disco. Merecem também atenção as faixas Murderer’s Row (mais cadenciada e com um ótimo solo de guitarra), Drown e Power Trip, aliás, seria redundância falar, mas todo o álbum é espetacular.

Fantástica capa do novo álbum "Manifest Decimation"
Fantástica capa do novo álbum “Manifest Decimation”

            Num momento onde muitas bandas estão resgatando as sonoridades mais antigas, optando pela crueza e simplicidade no processo de gravação, o Power Trip vem a se destacar, pois conseguiu criar um trabalho poderoso, contando com uma produção fantástica, mesmo primando pela sonoridade vintage. Merece menção honrosa também a bela ilustração da capa, agregando ainda mais valor ao produto final.

            Muito bem, o que mais posso dizer sobre este disco sem soar repetitivo demais? Nada! É um disco perfeito do início ao fim, que tem tudo aquilo que nós, fãs de música extrema em geral, buscamos. Ouça do início ao fim, dê ‘repeat’, ouça tudo de novo e repita a operação infinitas vezes. Cada vez que você o ouvir gostará ainda mais dele. O futuro do Crossover atende por Power Trip. Oremos!

 Nota: 10

 

Formação:

  • Chris Whetzel (baixo)
  • Riley Gale (vocal)
  • Nick Stewart (guitarras)
  • Blake “Rossover” Ibanez (guitarra solo)
  • Chris Ulsh (bateria)

 

  Faixas:

  1. Manifest Decimation (04:33)
  2. Heretic’s Fork (04:02)
  3. Conditioned to Death (03:22)
  4. Murderer’s Row (03:52)
  5. Crossbreaker (03:46)
  6. Drown (04:45)
  7. Power Trip (03:52)
  8. The Hammer of Doubt (06:26)

Contatos:

https://www.facebook.com/powertripTX?fref=ts

 http://www.southernlord.com

Ouça a faixa Manifest Decimation:

[youtuber youtube=’http://www.youtube.com/watch?v=RttNBc_dcRs’]

Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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