Phrenesy: O poder vem do Thrash!

Introdução:

             Uma banda afiada com um disco perfeito. Em poucas palavras, essa é a definição para The Power Comes from the Beer, primeiro full lenght do quinteto brasiliense. Ainda pouco conhecidos no meio, porém já com reputação inabalável no underground, eles demonstram um conhecimento de causa absurdo no Thrash Metal, e como grata revelação que é, merecem toda a atenção.

            Batemos um papo com Jôsefer Ayres, baterista da banda. Gente boníssima, ele nos revela um pouco mais da intimidade da banda entre muitos outros assuntos. Além disso, no final da entrevista, tem a resenha do álbum. Portanto, não perca mais tempo! Leia agora e divirta-se.

Entrevista com Jôsefer Ayres (Phrenesy)

Phrenesy (da esq. pra dir.): Ronny Lobato (baixo), Jabah Reivax (guitarras), Wendel Aires (vocal), Jôsefer Ayres (bateria) e Tiago Teobaldo (guitarras).
Phrenesy (da esq. pra dir.): Ronny Lobato (baixo), Jabah Reivax (guitarras), Wendel Aires (vocal), Jôsefer Ayres (bateria) e Tiago Teobaldo (guitarras).

Música e Cinema: Boa tarde! É uma satisfação falar com você. Apresente-se para os leitores do Música e Cinema.

Josefer:Fala, brother! Prazer enorme estar participando dessa entrevista, em nome do Phrenesy, e muito obrigado pelo apoio! Sou Jôsefer Ayres, baterista da banda.

Música e Cinema: Há quanto tempo o Phrenesy está na ativa? Conte-nos um pouco sobre a trajetória da banda.

Josefer: Cara, estamos desde 2003 na estrada e já passamos por várias mudanças, tanto que no inicio da banda eu era guitarrista e cantava. Daí, a banda só começou a dar certo mesmo depois que fui tocar bateria e entrou o Wendel pra cantar e está até hoje e entraram outros brothers que hoje já não estão na banda, mas estamos aí de pé, contrariando alguns que disseram que tínhamos que acabar com a banda. Mas faz parte porque passamos bons bocados como toda banda do underground que quer sobreviver.

Música e Cinema: Somente há poucos dias atrás eu tive acesso ao The Power Comes from the Beer, primeiro trabalho da banda, e ele me surpreendeu muito positivamente, a começar pela irreverente e muito bem feita arte da capa, que remete muito ao trabalho gráfico presente nos discos do Tankard. Seria uma espécie de homenagem aos alemães, ou mera semelhança?

Josefer:Nessa capa, desenhada pelo Ygor Morato (Guitarrista do Scania), na verdade tem muitas homenagens! Tem a caveira da lata que faz uma homenagem ao Motörhead; o boné do D.F.C., no boné tem um desenho do D.R.I.; tem o Marcelo Podrera (que é um dos maiores colaboradores do underground do DF e baterista da banda Podrera!) sendo carregado pelo público; a camiseta do “Beer man” é do Terror Revolucionário; tem um bêbado na porta do show com a camiseta do Dead Kennedys…, enfim, são várias as homenagens à bandas e pessoas que nós somos fãs e amigos!

Música e Cinema: A julgar pelo título do disco (em português O Poder Vem da Cerveja), podemos concluir que vocês possuem um lado irreverente bastante aflorado, são chegados numa cachaça (risos), ou ambos? Existe algum conceito por trás desse título tão inusitado?

Josefer:(muitas risos) Cara, nossa vida já é cheia de problemas e nós somos pessoas muito irreverentes. Todos somos muito de boa, brincamos com todo mundo e o disco não tem só coisas sobre cerveja, mas esse é o nosso jeito de tratar os problemas das nossas vidas. Bebemos muito sim (risos), mas todos nós temos trabalho e estudamos, então foi a forma mais real de tratar todos os assuntos de nossas vida, já que toda vez que estamos juntos estamos bebendo!

Música e Cinema: O som praticado por vocês é bastante violento e empolgante. Uma base Thrash bem acentuada, unindo-se com a ferocidade do punk, gerando um belo Crossover; além disso, a produção está perfeita, algo de muita qualidade ainda mais em se tratando de um trabalho independente. Conte-nos um pouco como se deu o processo de produção do álbum e como chegaram a esse grande resultado.

Josefer:A gente fez todo o trabalho do CD com o Caio Duarte (vocalista da Dynahead) que tem um estúdio chamado BroadBand Studio, e devemos essa produção toda a ele. A qualidade desse disco a gente deve a ele. Gravamos, mixamos, masterizamos e produzimos tudo no estúdio dele. Foram uns sete meses pra gravar tudo e ficar do jeito que todos queriam.

Música e Cinema: É perceptível a forte influência do Thrash Bay Area e até mesmo do HC/Crossover, nos moldes de D.R.I. e S.O.D. Foi intencional deixar as canções com essa característica? Essa é a proposta, ou foi apenas coincidência?

Josefer:O nosso processo de composição é muito natural! Alguns chegam com riffs prontos ou idéias de letra, algum assunto que gostaríamos de falar e fazemos a música. Não foi nada intencional e ficamos muito felizes (posso falar pela banda!) que tenha esse resultado para as outras pessoas que escutam o CD.

Animando o ambiente de trabalho!
Animando o ambiente de trabalho!

Música e Cinema: O Phrenesy já existe há vários anos, porém somente agora lançou seu debut? O que acarretou esse atraso todo?

Josefer:O problema todo sempre foi grana! Agora é que temos um trabalho legal, conseguimos planejar direito as coisas da banda. Mas sempre foi grana o problema!

Música e Cinema: Antigamente, geralmente os primeiros trabalhos das bandas eram caracterizados pela pobreza e simplicidade, tanto na execução dos instrumentistas, quanto na produção, no entanto, é muito comum hoje em dia as bandas lançarem mão de um excelente trabalho técnico logo no álbum de estréia – caso do Phrenesy -. A que você atribui isso? Acha que é uma tendência ou é somente a tecnologia que ajuda nesse processo?

Josefer:A gente tem material antigo gravado e é igual a isso que você disse. Execução feita sem experiência e gravação ruim. Temos alguns materiais antigos que estão pela internet e são de qualidade baixa. Esse foi realmente nosso CD de estréia, mas já tínhamos trabalhos gravados. Hoje está muito mais fácil de você comprar equipamento, achar estúdio bacana. Hoje em dia os caras podem pegar aula pelo Youtube. Antigamente, pra comprar uma vídeo-aula ou pegar aula com alguém era muito caro e difícil! Hoje você aprende a tocar um instrumento em um mês pela internet, então fica tudo mais fácil!

Música e Cinema: Josefer, toda a parte instrumental do álbum é impecável. Muito melhor que muito lançamento internacional, mas a tua parte na bateria é algo espetacular, muito técnico e veloz, despejando vários blast beats. Como você consegue manter esse ritmo o álbum todo? Qual sua rotina de treinamento?

Josefer:Mano, se eu te disser que eu não tenho tempo pra treinar (muitos risos). Eu praticamente pego na bateria só quando vou ensaiar. Trabalho de dia e de noite, final-de-semana no ensaio é que eu toco. Mas muito obrigado pelos elogios, fico muito grato, apesar de não achar que toco lá essas coisas. (mais risos).

Música e Cinema: Como andam as expectativas para esse trabalho? Vocês têm obtido o resultado esperado? Tem algum selo trabalhando na distribuição em território nacional?

Josefer:O resultado está sendo muito além de nossas expectativas. Sério, tem gente de muitos países com nosso material e a gente nem sabe como é que eles têm (risos). Existem muitos links na internet para download do nosso CD. Países como Estados Unidos, Hungria, Japão e Rússia têm o nosso trabalho e a gente nem sabe como conseguiram pra colocar disponível na internet. Então, a repercussão está sendo muito maior do que a gente imaginava. Ídolo nosso de banda de outro país adicionando a gente pedindo CD e parabenizando por isso. Não tem preço!

Música e Cinema: Músicas como Destroyed, Exploding in Rage e Fuck You With Your Lies são a personificação da brutalidade em sua essência. Como fazem para canalizar tamanha agressão em pouco mais de 30 minutos? Em sua opinião, qual a música que melhor define o espírito e o estilo do Phrenesy?

Josefer: Contra tudo, Contra todos diz muito de nossas vidas, mas acho que cada uma tem uma particularidade de algum momento de nossas vidas, porque ao contrário de muita banda, cantamos a nossa realidade extremamente vivida. Tem banda que faz música falando de algo que nunca viveram porque acham o tema forte ou chamativo, que possa ter algum marketing pra banda, nós não! Falamos tudo o que vivemos e pensamos, então cada música tem um pouco do que vivemos. Exploding in rage, por exemplo, foi de uma época em que toda a banda precisava ter mais fé no que fazia, e nós fomos em frente com toda nossa garra! Acho que assim conseguimos canalizar tudo o que queremos dizer em poucos minutos.

Música e Cinema: Como você analisa o Thrash Metal hoje? É um bom momento para o estilo no Brasil?

Josefer:Existem muitas bandas boas aparecendo por aí e o momento, já faz um tempo, que é do Thrash anos 80. Coletes, calças apertadas, cinto de bala… O nosso jeito de tocar não está no mercado e acho que isso que está nos destacando, além do som que fazemos. O mercado pro Thrash Metal hoje está muito disputado e muito difícil, mas acho que quem vai continuar na cena são as bandas que têm identidade. E eu acho que isso a gente tem.

Música e Cinema: Devido à rápida evolução na tecnologia, muitas bandas em início de carreira optam por lançar seus materiais para download gratuito, deixando de produzir o material físico. Sabemos que é um trabalho árduo colocar no mercado um produto de qualidade, principalmente no aspecto financeiro; além disso, o compartilhamento ilegal de arquivos pela rede tem contribuído muito para a queda na venda de discos. Você acha que esse pode ser o início do fim do cd?

Josefer:Olha, eu achava que era o fim mesmo, mas quando a gente vai em show com uma caixa de CDs, acaba vendo que vende mesmo. O lance do download é legal porque uma galera baixa pra ouvir no celular, no computador e tal, mas querem o CD físico porque é legal. Eu mesmo faço isso! Eu tenho uns CDs que primeiro eu baixei pra ouvir e depois comprei o mesmo por ser fã, ou virar fã da banda. Uma coisa que eu achei que seria difícil era vender esses CDs, mas nos shows as pessoas procuram, na internet, pelo nosso Facebook. Tem gente correndo atrás de comprar o CD conosco mesmo tendo para download na internet.

Música e Cinema: Exatamente meu caso. Não sosseguei enquanto não encontrei o disco pra vender (risos). E quanto aos shows? Como está a agenda de vocês? Como é a reação do público perante a canções tão empolgantes e energéticas?

Josefer:A reação do público acaba sendo muito importante para toda banda que acaba de lançar um trabalho novo. Tem gente que já canta músicas nossas em shows, o público anda cada vez crescendo mais aqui no DF, mesmo sem ter muitos shows marcados. A galera que vai está cantando e curtindo muito nosso som. Temos um show dia 27 de Setembro, que será aniversário de uma banda irmã nossa que é o Device. O Ítalo Guardieiro participou inclusive de This is Extreme no CD. O show vai se chamar VERME FEST por conta de uma música deles que se chama assim. Estaremos lá com todo o nosso material: cd, patche, adesivo, chaveiro, bottom… Espero que a galera compareça!

Música e Cinema: Pelo que você tem observado, qual música funciona melhor ao vivo?

Josefer:Com certeza absoluta Contra tudo, Contra todos!

Música e Cinema: Agora uma pergunta mais no âmbito pessoal: como e quando foi seu primeiro contato com a música pesada? Qual banda foi a responsável pela sua iniciação?

Josefer:Meu irmão já escutava Hardcore, Thrash e Death Metal, daí fui no rumo. Meus primeiros discos foram …And Justice for all do Metallica e o Beneath the remains do Sepultura, e uma fita do Iron Maiden. Logo vieram Viper, Testament,  Pungent Stench, Sarcófago, Biohazard. Aí deslanchou o caminho do mal feito! (muitos risos)

Música e Cinema: Nesses anos todos de carreira, vocês devem ter passado por muitos perrengues. Houve algum episódio em especial que te fez pensar: “Puta merda! Porque diabos fui escolher essa carreira”? (risos)

Josefer:Já tiveram vários. Muitos mesmo! De ir tocar fora do Distrito Federal e passar fome e sede. Teve vez de chegarmos em Goiânia e não termos a passagem de volta, daí o público fez uma “vaquinha” pra pagar nossa passagem e quase não voltamos. Muitas brigas! Cara, acho que banda de verdade briga mesmo porque a gente se trata como família. São cinco cabeças diferentes e que estão querendo dar o melhor pra fazer tudo funcionar. Perrengue toda banda de verdade vai passar. Quem quer levar essa vida vai passar por problemas sim! Mas tem que ter cabeça pra seguir em frente. Eu e o Tiago, que montamos a banda e temos mais tempo, já passamos por muitas coisas que, puta que o pariu mano,  de passar raiva demais e quase acabar com tudo.

Música e Cinema: Josefer, muito obrigado por sua atenção. Desejo a todos vocês uma trilha de sucesso pela frente. Gostaria de deixar algum recado aos leitores do nosso site?

Josefer:Valeu aí todo mundo que está apoiando a cena Metal brasileira, que vai em show, faz resenha e, de qualquer outra forma ajuda, as bandas. Valeu aí, Ricardo Leite e Música e Cinema, por esta entrevista e o apoio gigante a nós oferecido. Grande abraço em nome do Phrenesy. Stay Drunk!

Resenha Phrenesy: The Power Comes From the Beer (independente/nacional)

Capa de "The Power Comes From the Beer".
Capa de “The Power Comes From the Beer”.

             É simplesmente inadmissível que uma banda dessa categoria ainda esteja relegada aos lançamentos independentes, enquanto tanta bandinha medíocre por aí inunda o mercado com trabalhos de qualidade no mínimo duvidosa, amparados por grandes gravadoras. Injustiça é pouco! Amigos leitores, que disco é esse? Na luta já há 10 anos, porém só agora lançando seu debut, o Phrenesy tem em The Power Comes from the Beer um artefato Thrash com poderio pra destruir a mais insana das platéias.

            Reunindo dez canções do mais puro e visceral Metal/Crossover, o quinteto brasiliense transpira energia e agressividade a cada segundo do cd. As guitarras de Jabah Reivax e Tiago Teobaldo possuem um timbre dos mais pesados que já ouvi em bandas do estilo, unindo técnica (tem cada solo de cair a boca!) e agressividade em doses homogêneas; o baixo de Ronny Lobato insere uma base necessária e sólida à sonoridade, conferindo ainda mais intensidade e deixando as músicas ainda mais encorpadas; Wendel Aires é o locutor da revolta, com toda a aspereza de sua voz martelando o ouvinte do princípio ao fim, com um timbre vocal que remete ao lendário Billy Milano (S.O.D.), e Jôsefer Ayres destruindo bumbos e caixas numa velocidade desumana. O que esse rapaz toca é algo inacreditável, pois consegue administrar habilidade, peso e pegada em todas as composições.

            E quanto aos destaques? Meu amigo, coloque o disquinho pra rodar e destrua a sua sala de estar com Dirty Game, Exploding in Rage, The Power Comes from the Beer (com um refrão bombástico), Never Forget the Beer of Your Girl e Contra Tudo, Contra Todos (a única cantada em português e que já está se tornando o hino da banda). Quer saber? Todo o álbum é digno de destaque e merece figurar em lugar de honra na coleção de qualquer banger que se preze. Seria injustiça suprema também não destacar a produção soberba do petardo, por conta de Caio Duarte (Dynahead), que deixa de lado a “pasteurização” do som e investe mais no lado orgânico da coisa, bem como o belíssimo projeto gráfico, a cargo de Ygor Morato (da banda Scania), onde o mesmo cria uma ilustração que é uma justa homenagem às principais influências da banda (observe os detalhes) e também ao modo de vida headbanger.

            Então é isso. Se S.O.D., D.R.I., Tankard, Slayer e Overkill significam algo em sua miserável existência, essa é sua nova banda de cabeceira. Corra atrás disso como se sua vida dependesse dele. Satisfação garantida!

Nota: 9,5

  

Formação:

  • Jabah Reivax (guitarra)
  • Jôsefer Ayres (bateria)
  • Ronny Lobato (baixo)
  • Tiago Teobaldo (guitarra)
  • Wendel Aires (vocals)

Faixas:

  1. Dirty Game
  2. Destroyed
  3. Exploding in Rage
  4. F.U.C.K. (Fornicating Under Consent of King)
  5. The Power Comes From the Beer
  6. Never Forget the Beer of Your Girl
  7. A Song of Truth
  8. Fuck You With Your Lies
  9. This is Extreme
  10. Contra Tudo, Contra Todos

  

Contatos:

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 www.facebook.com/Phrenesy

 https://soundcloud.com/phrenesy

 

Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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