Patria: manifesto Black Metal do terceiro mundo

Há alguns dias atrás, o Música e Cinema teve o imenso prazer de bater um papo com Mantus, guitarrista e multi-instrumentista do Patria. Uma banda que caminha a passos largos para ocupar o reinado do Black Metal nacional. Com o lançamento de Individualism, o grupo se empenha ao máximo para espalhar sua mensagem aos quatro cantos do mundo. Sendo assim, sempre muito atencioso e paciente, nosso querido Mantus nos conta alguns detalhes referentes ao processo de composição do novo trabalho, bem como curiosidades sobre o nome da banda, sobre a cena, sua opinião sobre a mesma, enfim, muita coisa bacana.

            Se você, assim como esse que vos escreve, é fã das artes negras do Metal extremo, não perca mais seu tempo. Leia essa entrevista e entenda o porquê da importância do Patria para a cena underground nacional. Com a palavra, o “patriota” Mantus.

 Entrevista com Mantus (Patria)

Mantus (guitarrista e demais instrumentos): alma e dedicação Black Metal!
Mantus (guitarrista e demais instrumentos): alma e dedicação Black Metal!

 Música e Cinema: Bom dia, Mantus. Muito obrigado por nos conceder esta entrevista.

Mantus: Bom dia! Eu que agradeço pelo seu interesse no PATRIA e no espaço dado aqui para falarmos um pouco sobre o nosso trabalho.

Música e Cinema: O Patria existe desde 2008 e foi fundado por você e pelo Triumphsword, dois músicos com amplo conhecimento no meio e muito respeitados, pois fizeram parte de grandes formações do estilo, entre elas Hellscourge, Mysteriis, Darkest Hate Warfront, entre outras. Como surgiu a idéia de criar mais uma banda no estilo? Cogitaram a hipótese de lançar algo em outra esfera do som pesado?

Mantus: Na verdade o PATRIA veio à tona num momento em que eu estava sem banda ou projetos musicais em andamento. Eu tinha acabado de me mudar do Rio para a Serra Gaúcha em 2008 e a idéia surgiu sem muito compromisso, como forma de eu me ocupar musicalmente e me manter na ativa. Apesar do PATRIA se enquadrar parcialmente no mesmo gênero da maioria de nossas outras bandas e projetos, a proposta não só musical como estética era completamente diferente. Tínhamos a idéia de começar algo sólido, simples e direto, mesmo que aquilo ainda não fosse de fato algo no qual iríamos nos dedicar seriamente ou 100%. A intenção era exatamente não haver esse compromisso e fazer com que as coisas andassem pouco a pouco, da maneira certa, mantendo aquela mesma identidade de sempre, se aprimorando, é claro, mas sem se perder o foco principal. Esse era e continua sendo o nosso objetivo com o PATRIA! Queremos que as pessoas escutem o nosso som e saibam que se trata do PATRIA, através da nossa sonoridade e abordagem musical. Acho que estamos conseguindo criar algo singular e diferente de tudo que já havíamos feito com nossas outras bandas, estamos ganhando personalidade, mas ainda temos muito caminho pela frente.

Música e Cinema: Individualism, o álbum mais recente, acaba de ser lançado e revela uma banda extremamente competente, técnica e entrosada; além disso, conta com uma produção cristalina, porém sem comprometer o peso e a agressividade do material. Na sua opinião, o disco ficou da forma que vocês esperavam? Como foi o processo de criação do mesmo?

Capa do novo álbum "Individualism". Homenagem ao Kreator?
Capa do novo álbum “Individualism”. Homenagem ao Kreator?

Mantus: Eu não diria “cristalina” mas realmente houve uma preocupação maior nesse disco com essa questão sonora. Nós queríamos ir além daquilo que estávamos fazendo, sem soar como uma banda moderna, com aquele som de plástico monótono que as fazem parecer todas iguais, sem personalidade. Queríamos buscar da melhor forma possível uma sonoridade ainda mais rústica, orgânica e analógica pro nosso material, primando por uma qualidade mais top, só que mantendo a sujeira e roupagem tradicional do Black Metal do começo dos anos 90. Ficamos extremamente satisfeitos com a produção desse novo disco e ficou até além do que poderíamos imaginar. Foi uma ótima surpresa! A masterização feita na Noruega por Øystein G. Brun (BORKNAGAR) rendeu um resultado final animal também. O Individualism é um disco mais pesado, sonoro e bem direto na sua estrutura musical e esse é um caminho que estamos buscando a cada trabalho. O processo de criação foi simples e razoavelmente rápido, acho que levou no máximo seis meses para que a gente tivesse o álbum todo composto e gravado. Foi bastante intenso, demos o sangue por esse trabalho. Ele é um disco que marca o começo de uma nova era na história do Patria.

Música e Cinema: O disco foi lançado pelo selo norueguês especializado em Black Metal, Indie Recordings. Para uma banda underground, essa é uma ótima porta de entrada para o mercado, não só europeu, mas também mundial. Vocês optaram por este selo por conta da dificuldade em lançar e distribuir material extremo aqui no Brasil, ou foi apenas para ampliar o mercado de distribuição?

Mantus: Na realidade as coisas no Brasil já não estão fáceis há muito tempo. Poucos selos investindo de verdade nas bandas daqui, a infra-estrutura de uma maneira geral é muito pobre e amadora, sem contar a distribuição que infelizmente é falha e não tem o alcance que deveria. Então, desde o começo tivemos um selo fora do Brasil, até porque nenhum do país se interessou pelo PATRIA na época. O mercado estava passando por um momento delicado, ninguém estava comprando material físico e obviamente ninguém queria investir em algo que fosse ficar parado em estoque. Já na Europa as coisas, mesmo em meio a uma crise no mercado fonográfico, sempre conseguiu andar com as próprias pernas, mais ainda no meio underground, que sempre se manteve sem precisar de terceiros. Foi ai que surgiu o interesse do selo russo Monokrom de assinar com o PATRIA para o lançamento do nosso primeiro disco Hymns of Victory and Death. A partir disso lançamos esse e mais dois trabalhos com eles até assinarmos com o selo cult francês Drakkar Productions. Através da Drakkar lançamos três materiais: os álbums Liturgia Haeresis, Nihil Est Monástica, e o split com a banda italiana Xeper, Divide Et Impera, trabalhos que tiveram um alcance muito bom e que posteriormente nos rendeu a assinatura do contrato com a Indie Recordings. Eu sinceramente nunca imaginei que fosse possível o PATRIA ser lançado por um selo grande como eles. Eles têm bandas enormes no cast, como o SATYRICON e CARPATHIAN FOREST, e já lançaram outras também gigantes como o ENSLAVED e BORKNAGAR. A Indie Recordings hoje é um dos maiores selos de Rock / Metal do mundo. É uma empresa muito séria, extremamente dedicada e profissional, e faz uma ótima promoção e distribuição de suas bandas. Acompanho o trabalho deles de perto desde 2007 e além de grandes parceiros, são amigos, já quase como parte da família. Então a minha escolha não poderia ser diferente.

Patria pronto para a batalha!
Patria pronto para a batalha!

Música e Cinema: Após a introdução ao estilo gregoriano de Individualism, a pancadaria começa impiedosa com Blood Storm Prophecy, com suas guitarras e linhas de bateria velocíssimas, mas, apesar de toda a brutalidade contida nas canções, é perceptível uma preocupação de vocês com a melodia; sendo assim, as composições se tornam mais variadas e interessantes. O acréscimo dessa parcela de melodia foi intencional, ou foi apenas a forma como saíram as músicas?

Mantus: Um pouco de cada coisa. O PATRIA, mesmo com toda sua rispidez, sempre foi uma banda que prezou por melodias em suas músicas. Algumas vezes mais presentes e outras vezes mais discretas, mas estão sempre ali de alguma maneira. No Individualism a gente procurou dosar essa parte melódica pra ficar na medida certa. Não queríamos que soasse chato ou grudento, de forma que essa atmosfera melódica pudesse estar presente em todo o álbum sem encher o saco de quem estivesse ouvindo. E a harmonia de todas as músicas carrega um brilho melancólico, triste e fúnebre, que permite trabalhar bastante com melodias.

Música e Cinema: Outro aspecto de destaque no novo trabalho é o projeto gráfico, que lembra muito a arte da capa do grande clássico do Kreator, Coma of Souls, só que numa roupagem Black Metal. Foi uma espécie de tributo ao grupo? Vocês são fãs do Kreator? Ela também é obra de Costin Chioreanu (artista gráfico romeno responsável pela capa do álbum anterior, Nihil Est Monastica, de 2012)?

Mantus: Somos todos muito fãs do Kreator, é claro, principalmente do Coma of Souls, que é um disco animal, mas honestamente esse “tributo” que prestamos à capa deles foi completamente sem intenção (risos). O conceito foi se desenvolvendo dessa maneira e quando vimos o resultado no papel gostamos tanto que resolvemos relevar esse detalhe. Não foi um problema pro artista que criou, nem pra banda e nem mesmo para a Indie Recordings, logo, não haveria motivo pra fazer qualquer alarde. E se o Coma of Souls ficou como referência é algo positivo e motivo de orgulho pra nós. Gostaria que nosso álbum representasse pelo menos 50% do que o Coma of Souls representou naquela época. Eu ficaria imensamente feliz! E no final das contas é uma capa icônica demais, um álbum clássico, era óbvio que haveria essa ligação, mesmo que nos detalhes não tenha tanto a ver assim. Quem for mais a fundo no conceito do nosso disco e ler as letras vai notar isso mais nitidamente. Eu inclusive soube de algumas pessoas criticando a capa por parecer Kreator, mas honestamente aproveito o espaço aqui e deixo o meu foda-se com “F” maiúsculo para elas (risos). Vão procurar o que fazer! 666 toneladas de bandas usam aquela mesma abordagem com bodes, demônios, sangue, cruzes invertidas e pentagramas nas capas, onde parecem todas iguais e, na maioria das vezes, da maneira mais porca e mal feita possível, e ninguém diz nada. Isso é legal e original? Bom, no mínimo estranho esses pseudo-intelectuais das trevas virtuais pensarem assim.

O vocalista Triumphsword anunciando o novo trabalho.
O vocalista Triumphsword anunciando o novo trabalho.

Música e Cinema: Seus trabalhos anteriores são excelentes, porém mais simples e diretos. Neste novo álbum, a qualidade continua, porém muito mais elaborada. Você acha que a banda atingiu o seu auge criativo neste disco, ou ainda buscarão o aperfeiçoamento nos próximos trabalhos?

Mantus: Estamos sempre buscando um aprimoramento a cada disco, mas nem sempre cronologicamente falando. Eu acredito que esse novo álbum seja muito mais simples e direto que os últimos na verdade. Se você analisar a estrutura e bases do Liturgia Haeresis ou Nihil Est Monástica, vai notar que são álbuns tecnicamente mais trabalhados do que o Individualism. No novo álbum, nossa meta foi exatamente fazer um balanço e usar apenas o que importava e que fazia diferença no nosso som na prática. Provavelmente são músicas mais sonoras, isso sim, só que no geral são extremamente mais simples na sua estrutura, menos bases e talvez mais “pegajosas”, no bom sentido. A produção do disco, por ter uma qualidade maior, também leva as pessoas a pensarem que é um álbum bem mais trabalhado, mas na verdade não é. Fizemos cortes, simplificamos, tentando buscar aquele mesmo feeling que tínhamos no começo da banda, de que muitas vezes “menos é mais”, e foi isso que aconteceu. Conseguimos um resultado mais sólido e com uma maior personalidade.

Música e Cinema: No disco anterior, o espetacular Nihil Est Monastica, vocês gravaram uma bela versão de Black Vomit do Sarcófago. Todos nós sabemos da imensa importância deles para toda a cena, não só nacional, como também mundial, embora não tenham nem metade do reconhecimento que merecem. Você acredita que o Sarcófago foi uma banda injustiçada? Eles representam uma grande influência para o Patria?

Mantus:  Não acho que eles tenham sido injustiçados de maneira nenhuma. Acho que ninguém tem esse “poder” na verdade. Nada é fácil, menos ainda naquela época, e exigia muita dedicação, esforço e alguma boa grana investida. Nesse meio é preciso saber colocar suas prioridades na frente e abrir mão de muitas coisas, que para algumas pessoas são primordiais para a felicidade. Quando se tem muito a perder, temos mais medo de arriscar, faz parte da vida. Então, acho que é uma questão de opção mesmo. Talvez na época eles não quisessem realmente levar a banda à frente profissionalmente. Mas eu não posso responder por eles, é claro. Cada um colhe o que planta! Eu sei que, independente de terem ido em frente ou não, são hoje um nome absurdamente consagrado e foram divisores de águas no metal mundial. Tiveram um papel fundamental na criação do estilo e serviram de inspiração para muitas bandas hoje renomadas. Isso pra mim já é um enorme motivo de orgulho! Eles são parte da história! E claro, eles são uma gigantesca influência para todos nós do PATRIA. Pode não estar presente tão nitidamente na nossa música, mas está nas nossas veias como músicos e fãs de metal brasileiro. Por esse motivo é que resolvemos fazer aquela versão da Black Vomit.

Música e Cinema: A sonoridade do Patria é calcada no estilo sueco e norueguês, que é aquele som mais cru, direto e sem muitas frescuras, que realmente honra o termo Black Metal. Essa era a idéia inicial da banda? Resgatar aquela aura negra tão comum ao estilo oitentista?

Mantus: Exatamente isso! Quando começamos o PATRIA, a idéia era resgatar essa aura, na verdade mais “noventista”, do Black Metal. Pra mim, as bandas da escandinávia reinventaram o Black Metal de uma maneira incrivelmente singular, com características muito próprias, abordando temas mais culturais e diferentes do que faziam as bandas nos anos 80. Não era apenas música, era também conceito, sonoridade, atitude e um apelo visual muito forte. Um movimento de vanguarda que marcou uma época de ouro pra quem viveu! Pelo menos pra mim é algo muito nostálgico e esse tipo de som me leva de volta praquele período.

Música e Cinema: A maior parcela das bandas de Black Metal ainda abusam dos clichês do gênero, como a exagerada mensagem satânica anti-cristã, algumas soando até caricatas, mas isso não é o caso do Patria. É perceptível o posicionamento ideológico e religioso da banda, porém suas letras são mais profundas e, de alguma forma, mais filosóficas. Pra você, qual a importância do conteúdo lírico nas bandas do estilo? Uma banda de Black Metal necessariamente precisa ser contestadora e contrária a dogmas pré-estabelecidos?

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Mantus: Eu acho que no começo o conceito por trás do Black Metal foi a inversão de valores da igreja e do homem cristão como forma de oposição e rebeldia, para mostrar que existiam cabeças pensantes e livres de seus dogmas, regras e contos de fadas. Acho inclusive muito interessante o uso do ocultismo e satanismo no Black Metal como forma de rebelião, de ir contra, inverter os valores morais do cristianismo, trazendo os instintos e desejos do homem a tona em primeiro lugar e antes de tudo. Sem mestres, pura liberdade e individualismo! Isso é válido e respeito isso! Apesar disso, não sou religioso, não sigo a ninguém e não tenho qualquer tipo de fé em forças maiores que eu, que não da própria natureza. Tenho meu lado espiritual, mas honestamente sou uma pessoa mais ligada a ciência e a razão. Por isso, o PATRIA obviamente não defende nenhuma bandeira religiosa ou qualquer coisa do gênero, como você já pôde notar. Temos um posicionamento anti-religioso muito forte que vai de encontro a nossa temática de uma maneira geral, mas o nosso conteúdo lírico aborda temas muitas vezes fictícios ou até mesmo pensamentos e experiências pessoais nossas, divagações sobre a mente humana, a beleza e força obscura da natureza, discussões sobre a morte, universo, matéria ou até indagações sobre um possível mundo espiritual paralelo. Gostamos muito dessa subjetividade em nossas letras, pra fazer as pessoas pensarem e tirarem suas próprias conclusões! Acho que nem sempre é preciso ficar batendo na mesma tecla, muitas vezes podemos alcançar um mesmo objetivo através de outros caminhos e geralmente os mais longos nos ensinam mais. Não gosto de regras e acho que a falta dela nos propicia um resultado mais criativo e interessante.

Música e Cinema: Mantus, você é o responsável por todos os instrumentos da banda, e posso afirmar que executa todos os postos com maestria e propriedade. Você gravou tudo sozinho no novo álbum, com exceção da bateria em Your Rotten Heart Dies Now, que fora gravada pelo baterista Abyssius. O Patria se apresenta ao vivo, ou é uma banda apenas de estúdio?

Mantus: Obrigado! Sempre preferi compor e gravar os instrumentos sozinho por uma questão de praticidade e por saber exatamente o que eu quero e como eu quero. Isso faz as coisas fluírem mais naturalmente e bem mais rápidas, além de poupar dinheiro na hora de trabalhar na produção de um disco. Sim, estamos com uma formação para shows e já de volta aos ensaios. Somos todos grandes amigos, nos entendemos muito bem e todos ótimos músicos. Gosto muito de ter uma banda completa e ativa, ensaiando, é quando a gente se sente em uma banda de verdade. Então, a minha preferência por mantermos o PATRIA como um duo nos álbums é meramente pelo que citei acima. Quase uma necessidade para fazer as coisas acontecerem como estão acontecendo. Não vivemos da banda e infelizmente não temos tempo disponível ou grana pra fazer diferente.

Música e Cinema: Você e o Triumphsword ainda são membros ativos das outras formações, ou atualmente dedicam-se somente ao Patria?

Mantus: Eu estou me dedicando exclusivamente ao PATRIA no momento. Tenho o MYSTERIIS e outros projetos parados que pretendo retornar ao trabalho no futuro, mas minha prioridade como banda é sempre o PATRIA. Nosso vocal Triumphsword, além do PATRIA, também toca bateria na LAND OF FOG e faz vocal na THORNS OF EVIL, além de outros projetos que temos juntos mas sem muito compromisso.

Música e Cinema: Nas fotos de divulgação, vocês aparecem usando um ‘corpse paint’ bastante carregado e abusando na pose. Você acha muito importante esse apelo visual nas bandas do gênero, ou isso é apenas mero detalhe?

Mantus: Acho que é um mero detalhe, mas que considero importante por fazer parte da estética do Black Metal. É algo que queremos manter para o PATRIA, gosto muito desse apelo visual mais carregado e teatral, mas já houve momentos em que não usamos corpsepaint em álbuns anteriores. Acho que isso é uma escolha de cada banda, não vai mudar nada pra mim, e é claro que não vou julgar ou desvalorizar uma banda por ela estar usando ou não corpsepaint.

Música e Cinema: E por falar em apelo visual, o que você acha das bandas que abusam nesse quesito, como Dimmu Borgir e Cradle of Filth? Você aprecia esse Black Metal mais mainstream?

Mantus: Gosto muito do Dimmu Borgir, principalmente na época do Enthrone Darkness Triumphant. Aquele álbum é fantástico! Os tenho como amigos pessoais e respeito muito o trabalho deles até hoje. Eles estão em outro patamar musical, já não os considero mais uma banda de Black Metal, acho que nem eles mesmos (risos). O Cradle of Filth não acompanho faz muito tempo, mas gosto dos primeiros materiais deles também. O Vempire é muito legal! Ambas as bandas meio que remoldaram o Black Metal sinfônico ali em meados dos anos 90.

Música e Cinema: Agora, uma curiosidade: porque o nome Patria? Você não tem receio que alguns fãs menos informados possam acreditar que se trata de uma banda nacionalista, já que existem várias bandas de ideologia radical nesse meio?

Mantus: Sinceramente eu não ligo. Para as pessoas que forem de intelecto curto o suficiente para acharem isso da gente e não irem atrás de ler nossas letras e entender o porque do nome, prefiro nem tê-las como ouvintes. Já disse inúmeras vezes que não somos uma banda religiosa e menos ainda política! Somos uma banda de Black Metal, ponto! O meu recado para essas pessoas é que leiam as letras (caso saibam ler) e vão descobrir sobre o que falamos, nosso ponto de vista e o que defendemos. Toda hora ouço pessoas perguntando se fomos isso ou aquilo, até ai tudo bem perguntar. Ao menos chegaram até nós e quiseram saber direto da fonte, isso dá pra respeitar, apesar de já ter enchido o saco. Mas existem pessoas que inventam baboseiras sem sentido e pior, acreditam nelas. É quase uma doença! Quando na realidade é muito simples saber a verdade se elas querem. Pra começar, como poderíamos ser patriotas assinados com selo fora do Brasil e cantando em inglês? Ou nazistas sendo brasileiros? Nada disso faz qualquer sentido! Não ligamos pra cores, gostos ou amores, mas sim para caráter! Sinceramente, eu tenho um pouco de medo dessa ignorância que envolve a cena brasileira. Mas já que estamos falando sobre isso, vou explicar mais uma vez (risos). O nome PATRIA é exatamente uma brincadeira sarcástica com o nosso país. Não temos orgulho nenhum do Brasil, pelo contrário, nos consideramos orfãos! Como ter orgulho de um país afundado na lama como esse? Enfim, a palavra PATRIA aqui representa a pátria do Black Metal, a escuridão, trevas, e essa sim é uma pátria da qual podemos nos orgulhar e da qual fazemos parte.

Música e Cinema: Eu imaginava isso mesmo (risos). Pela sua experiência no segmento, qual a principal dificuldade que uma banda de Black Metal encontra para se estabelecer no mercado nacional? Ainda é muito complicado para uma banda deste estilo se manter em evidência no país?

Mantus: De uns anos pra cá, com a internet e todos esses canais “super populosos”, as coisas ficaram muito mais fáceis para promover um trabalho de forma independente, mas ainda é necessário haver bom senso, investimento e trabalho sério. Isso ainda é uma grande dificuldade no Brasil exatamente porque temos pouquíssimos selos com essa visão e com a possibilidade de dar a infra-estrutura necessária para que a banda possa produzir um trabalho digno. As pessoas daqui tem um defeito muito grande que é desvalorizar o que é nosso. Uma banda, um músico ou o que for, sendo brasileiro, já perde seu valor na maioria das vezes, se comparado a qualquer porcaria européia, por exemplo. Essa mentalidade tem que mudar. Lixo existe em qualquer lugar do mundo, como bandas e músicos de qualidade também. E o Brasil é cheio delas! Olhem mais pras bandas daqui, compareçam aos shows, comprem o material. Não fiquem só reclamando que é ruim, façam por onde.

Música e Cinema: O disco novo vai ter seu lançamento acompanhado de alguma turnê nacional de divulgação? Pode nos adiantar algo a respeito?

Mantus: Sim, estamos com a primeira parte da tour brasileira agendada para o mês de agosto, juntamente com a banda TORQVEREM. Faremos shows em São Paulo capital, Belo Horizonte, Curitiba e Rio de Janeiro. Estamos tentando fechar a segunda parte da tour até o final do ano, mas infelizmente ainda não temos nada concreto. Gostaríamos muito de tocar aqui no RS, SC, DF e algumas cidades do Nordeste, mas não tem sido muito fácil. As datas confirmadas que temos até o momento são:

01 Agosto – São Paulo/SP, Fofinho Rock Club

02 Agosto – Belo Horizonte/MG, Matriz

08 Agosto – Curitiba/PR, Hangar Music Hall

09 Agosto – Rio de Janeiro/RJ, Planet Music

Música e Cinema: Bem, nosso papo está chegando ao fim e gostaria de concluir perguntando: como você vê a cena Black Metal no Brasil? Acha que o Patria, após todos esses anos, atingiu o patamar e o reconhecimento que almejavam?

Mantus: Na verdade a gente nunca imaginou alcançar nada disso. O PATRIA surgiu como um mero projeto sem muito compromisso e tem crescido bastante desde então. Nós continuaremos fazendo a nossa música e indo em frente da mesma forma de sempre, com seriedade e profissionalismo, é o que eu posso te dizer, mas acredito que ainda exista um caminho muito longo a ser percorrido. Acho que temos muito o que aprender e conquistar! Sobre a cena brasileira, acho ótima musicalmente falando, mas a mentalidade de 90% precisa mudar. Eu repito o que eu disse acima, temos que quebrar esse estigma de que tudo que vem do Brasil é ruim e não tem valor. Os fãs de metal daqui precisam se conscientizar indo a shows e comprando material, dando suporte verdadeiro pras bandas. Underground não se resume a posar de malvado na internet! Outro ponto importante é que as bandas saibam trabalhar profissionalmente, tendo bom senso também com a qualidade do material que apresentam, atitude e posicionamento ideológico. Oferecendo um material sólido e havendo procura por parte do público, selos, distros e lojas, os produtores de shows vão começar a valorizar de verdade o cenário brasileiro como ele merece. Acho que é um mix de tudo isso junto que vai fortalecer a nossa cena e fazer dela cada vez maior e significativa, abrindo portas e novas possibilidades não só para as bandas como também para todos os envolvidos com metal por aqui.

Música e Cinema: Quais os planos para o futuro do Patria?

Mantus: Não estamos com nenhum plano a longo prazo, pra ser sincero, mas gostaríamos muito de fazer uma tour sul-americana e outra européia, provavelmente em 2015. Mas só faremos isso se a oportunidade certa aparecer. De qualquer forma, ainda é cedo pra saber. No momento estamos batalhando pela promoção e distribuição do disco novo. Também estamos focados na preparação do material que será apresentado ao vivo na primeira parte da tour brasileira.

Música e Cinema: Mantus, gostaria de agradecer toda sua atenção e paciência para conosco. Gostaria de deixar alguma mensagem aos leitores do Música e Cinema? O espaço é seu.

Mantus: Eu te agradeço novamente pelo espaço e interesse no PATRIA. Parabéns pelo ótimo trabalho com o site Música e Cinema.

Para quem estiver interessado em adquirir nosso disco novo, teremos uma versão sul-americana licenciada pela Indie Recordings para o selo brasileiro Sulphur Records, que estará disponível em Julho. A pré-venda do CD já está rolando nesse endereço: http://patria.sulphur-rec.com. Temos também nosso merchandise oficial sendo vendido através da loja MOSHPIT: www.moshpit.com.br, e pra finalizar, quem quiser comprar a versão importada do álbum disponível em DIGIPACK e VINIL, acesse a loja do PATRIA na Indie Recordings: http://patria.indierecordings.no

Contatos:

https://www.facebook.com/blackmetalpatria?fref=ts

https://myspace.com/blackmetalpatria

Confira agora o clipe de Blood Storm Prophecy

 

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Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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