Pantera: duas décadas de Far Beyond Driven

No ano de 1994, o Grunge ainda estava em voga. O estilo que surgiu no final da década de 80 e causou um verdadeiro furor na cena musical ainda tinha uma legião de fãs fiéis; sendo assim, os subgêneros mais extremos – o Thrash entre eles -, davam sinais de cansaço; todavia, havia uma banda que, demonstrando que a maioria estava errada, resolveu atropelar todo mundo com um álbum, que é referência em brutalidade e extremismo até hoje. Logicamente, me refiro ao Pantera e o assombroso Far Beyond Driven.

Capa de "Far Beyond Driven"
Capa de “Far Beyond Driven”

Esse rebento maléfico “nasceu” em 22 de março de 1994 e, segundo as estatísticas, foi o primeiro álbum da história da música pesada a figurar na lista dos duzentos álbuns mais vendidos da Billboard e, o detalhe mais inusitado, estreando em primeiro lugar. Chegava a ser um paradoxo, pois a referida lista era povoada por bandas do “mainstream”, e o Pantera estava lá para apodrecer todo o cesto das maçãs boas (putz, que analogia mais besta eu usei).

Após o lançamento de Vulgar Display of Power, ficava até difícil imaginar que os cowboys do inferno conseguiriam superar-se em termos de peso e agressividade, mas conseguiram. Em sua infindável cruzada pelo extremismo musical, a banda tinha a necessidade de se opor contra as tendências e os modismos, e com este novo álbum provaram que nunca se atinge o ápice em agressividade; sempre podemos dar um passo além. A arte da capa já revelava o teor caustico da obra: um crânio sendo perfurado por uma imensa broca bem no meio da testa (houve também uma outra capa, ainda mais polêmica e, justamente por isso, banida em boa parte dos países lançados. Nela, testemunhávamos a mesma broca, porém penetrando em outra região, digamos, mais delicada). Um disco que transcendia a violência e transpirava atitude.

Pantera (da esq. pra dir.): Dimebag Darrel (guitarra), Vinnie Paul (bateria), Phil Anselmo (vocal) e Rex Brown (baixo)
Pantera (da esq. pra dir.): Dimebag Darrel (guitarra), Vinnie Paul (bateria), Phil Anselmo (vocal) e Rex Brown (baixo)

O grupo continuava afiado e entrosado, com destaque máximo para Dimebag Darrel e seus riffs de guitarra pesados e inovadores para o estilo. Nenhuma guitarra soava daquele jeito. Uma sujeira pesada, distorcida e desenfreada (ouça Use my Third Arm e comprove o que estou falando) que se transformou, não só na marca registrada do guitarrista, mas a identidade de toda a banda, tornando a presença de um segundo guitarrista totalmente desnecessária.  Phil Anselmo abandonara de vez aqueles gritos agudos e estridentes, dando lugar definitivo ao vocal gutural meio rasgado. O que o cara berra nesse disco é algo simplesmente assustador! Em algumas passagens dá impressão que estão lhe arrancando a perna na altura do quadril; Vinnie Paul (bateria) e Rex Brown (baixo) formavam a cozinha mais eficaz da época, dando a assistência necessária para o bom desenvolvimento de todo o trabalho. A melodia e o “bom mocismo” passou bem longe daqui.

A retaliação começa com Strength Beyond Strength, se mantém com 5 Minutes Alone, I’m Broken, Hard Lines/Sunken Cheeks e Slaughtered; atinge a bestialidade máxima em Use my Third Arm e Throes of Rejection, culminando na calmaria ocultista/psicodélica/viajante de Planet Caravan (cover do Black Sabbath). Um time que jogou contra as modas e ganhou de goleada.

Contando novamente com a produção do competente Terry Date, que já tinha experiência ao lado da banda e conseguiu agregar sua personalidade à sonoridade do quarteto, se tornando praticamente um quinto elemento. Far Beyond Driven é, por si só, não apenas mais um trabalho da mais alta qualidade, mas um caminho de transição para o álbum que viria a seguir, outra bordoada, chamada The Great Southern Trendkill.

A polêmica capa censurada de "Far Beyond Driven"
A polêmica capa censurada de “Far Beyond Driven”

Apesar de, na época do lançamento, a banda já começava a apresentar sinais de desgaste emocional e físico, em grande parte ocasionados pelo afundamento de Phil em drogas pesadas, ainda assim a banda provou que tinha capacidade e conhecimento de sobra para reinar soberana no topo da música extrema, o que de fato não chegou a acontecer, devido ao final abrupto e trágico em sua carreira, mas esse episódio fica pra outra ocasião.

No próximo dia 25, será lançada nos Estados Unidos a versão especial do disco, contando com o álbum original totalmente remasterizado; além disso, acompanha também um segundo cd com a apresentação da banda em Donington, no festival Monsters of Rock, em 1994. Faço aniversário em abril, portanto, fica a dica para um ótimo presente.

Formação:

 

  • Phil Anselmo (vocal)
  • Dimebag Darrel (guitarra)
  • Vinnie Paul (bateria)
  • Rex Brown (baixo)

 Faixas:

 

  1. Strength Beyond Strength
  2. Becoming
  3. 5 minutes Alone
  4. I’m Broken
  5. Good Friends and a Bottle of Pills
  6. Hard Lines, Sunken Cheeks
  7. Slaughtered
  8. 25 Years
  9. Shedding Skin
  10. Use my Third Arm
  11. Throes of Rejection
  12. Planet Caravan (Black Sabbath cover)

Contatos:

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Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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