Os Capial – a roça como você nunca viu!

O interior do estado de SP anda muito bem representado no setor das bandas extremas underground, e Os Capial é o mais novo representante dessa safra. Dotados de um visual no mínimo curioso (dois autênticos cortadores de cana), mas praticantes de uma sonoridade das mais rudes que já ouvi nos últimos tempos, a dupla tem feito algumas apresentações em festivais do interior e recebendo muitos elogios por onde passa. Nossa Grindroça Querida é o primeiro álbum deles e trata-se de uma verdadeira homenagem à zona rural. Original para o estilo, mas mantendo a mesma ignorância sonora que o Grindcore precisa.

            Confira agora, com exclusividade aqui mesmo, a resenha do disco. Trem bão dimais!

      Os Capial – Nossa Grindroça Querida (Rotten Foetus Records/2015 – nacional)

 

Capa do primeiro disco.
Capa do primeiro disco.

Desde os primórdios do gênero, o Grindcore sempre foi conhecido não só pela sonoridade e estética violenta, mas também por ser contestador, pregando em suas mensagens basicamente ódio contra o sistema, contra a corrupção, religiões, enfim, sobre todo o mal que assola a humanidade; todavia, de uns tempos pra cá, as bandas do referido estilo vêm dando uma maior abrangência em sua área de atuação, vamos assim dizer. Se antes focavam apenas nos problemas políticos e sócio/culturais, hoje encontramos bandas que versam sobre gore em geral, horror, ficção, etc., porém, no interior do estado de São Paulo, mais precisamente na cidade de Araraquara, existe uma banda que deu um passo além, e vocês já saberão o por quê.

Os Capial é uma dupla que toca o mais pútrido Grindcore, porém com um diferencial único: se vestem como autênticos trabalhadores do campo e homenageiam toda a rotina e trabalho rural em suas letras, e acreditem, é demais! Dito (guitarra e vocal) e Bento (bateria), em um arroubo de originalidade e genialidade, criaram algo bastante próprio dentro desse sub-estilo, prestando um mais que merecido tributo a esses homens tão sofridos, que com sua habilidade e dedicação, trazem o alimento à nossa mesa.

Um show de moda rural com Dito (vocal e guitarra) e Bento (bateria)
Um show de moda rural com Dito (vocal e guitarra) e Bento (bateria)

Tá, tudo muito bonito, mas e o som da banda? Meu amigo, pense num Grindcore old school dos mais cabulosos, aquele praticado por Napalm Death em início de carreira, Terrorizer, um pouco de Death Metal podreira à La Repulsion, e aquele lado irreverente de um Macabre, e você poderá ter uma noção do que encontrará em Nossa Grindroça Querida, primeiro álbum da banda. Com apenas baixo e bateria, os rapazes criam uma massa sonora densa como concreto e veloz como uma metralhadora giratória. Por possuir um timbre muito pesado e distorcido, a guitarra de Dito cobre com sobras a lacuna deixada pelo baixo, e pra acompanhar, Bento desce a madeira sem dó na bateria, num estilo muito simples, mas extremamente veloz e intenso, como os bons bateristas do estilo fazem.

Bailão grindcore com Os Capial!  *(foto por Carol Boalin)
Bailão grindcore com Os Capial!
*(foto por Carol Boalin)

O play é composto por vinte e três enxadadas (pra combinar com o contexto), todas muito curtas, sendo vinte e uma composições próprias e duas versões de antigas bandas dos integrantes. Quer aprender um pouco mais sobre a rotina rural? Ouça Composteira, Colheitadeira, Colheita, Irrigação e Aclimatação. O lado ecológico também aflora em Tuiuiú (cover dos Mediantes Immundes) e Porco do Mato eu Não Mato. Em Quando o Sol Mata a Sede, é necessário uma reflexão à parte. Primeiramente, por se tratar de uma verdadeira epopéia gore-western, pior que roteiro do Tarantino e do Robert Rodriguez (observe a letra e diga se não daria ao menos um curta daqueles bem brutos), segundo por conter a maior quantidade de participações especiais que eu já vi na minha vida. Um verdadeiro dream team do underground bagaceira nacional. É humanamente impossível listar todos aqui, mas vai desde Juliano Regis (Sodamned), Laerte Guedes (Rancid Flesh), Lucas Scaravelli (Zombie Cookbook), passando por Pedro Pedra (da portuguesa Grog), Thales (MDK), Guerra Pirata (Serrabulho), até chegar em João Gordo (RDP). E isso é só pra citar alguns! Ficou simplesmente sensacional e certamente vai render uma colocação no Guinnes Book.

Pois é, coleguinhas. Já foi se o tempo em que o campo era lembrado e homenageado apenas nas modas de viola e nas canções sertanejas de raiz. Hoje podemos bater cabeça e chutar a cadeira da cozinha ao som do mais bruto Grindcore, e ainda assim honrar nossas raízes rurais. Tem coisa melhor? Claro que não!

Nota: 9,0

Formação:

  • Dito (vocal e guitarra)
  • Bento (bateria)

Faixas:

  1. Imprantação (instrumental)
  2. Composteira
  3. Colheitadeira
  4. Arado
  5. Água
  6. Colheita
  7. Semente
  8. Porco do Mato eu Não Mato
  9. Irrigação
  10. Pulverização
  11. Calagem
  12. Acero
  13. Desbaste
  14. Enxertia
  15. Aclimatação
  16. Hidroponia
  17. Curva de Nível
  18. Quando Sol Mata Sede
  19. Tuiuiú (cover Mediantes Immundes)
  20. Aquela Rua (cover Horríssono)
  21. Quando Sol Mata Sede (part. Especiais)
  22. Forrageira
  23. Acabou

  

Links:

https://www.facebook.com/oscapial?fref=ts

http://www.rottenfoetus.com.br/

https://www.youtube.com/user/oscapial

Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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