Opressor: Uganga lança seu novo álbum

No último dia 10/11/14, a produtora Som do Darma e o Uganga convidaram toda a imprensa para o lançamento de seu mais novo álbum, Opressor. Em um concorrido coquetel realizado em uma conhecida casa noturna de São Paulo, a banda divulgou seu mais novo clipe da música Casa, e ainda fomos agraciados com a audição do álbum completo em primeira mão.

      O recinto ficou pequeno para tantos jornalistas, músicos e fãs de música pesada em geral, e posso dizer que pela reação da platéia, minha inclusive, estamos diante de um dos grandes lançamentos do ano. Fomos recebidos com muito carinho e atenção pelo Eliton Tomasi e pela Susi dos Santos, do Som do Darma, e também por toda a banda. Aproveitamos a oportunidade para bater um papo com o líder e fundador do Uganga, o vocalista Manu “Joker” Henriques. Sempre muito solicito e paciente, Manu nos contou detalhes do novo trabalho, planos da banda e muitas outras curiosidades. Confira agora, no Música e Cinema.

Entrevista com Manu Joker (Uganga)

 

Capa de "Opressor"
Capa de “Opressor”

 

Música e Cinema: Manu, é um grande prazer falar com você. Obrigado por nos conceder essa entrevista.

Manu “Joker”: O prazer é meu, camarada!

Música e Cinema: Apesar de ser uma banda de qualidade indiscutível, o Uganga ainda é relativamente pouco conhecido no país. Você acha que o novo álbum veio para mudar esse panorama?

Manu “Joker”: Eu creio que sim, mas essa é só a minha opinião (risos). Trabalhamos duro em cima desse material, conseguimos o som que buscávamos no estúdio desde nosso primeiro álbum e temos 13 faixas poderosas. Seria mentiroso se dissesse que não temos expectativas positivas, e estamos prontos pra trabalhar ainda mais pesado.

Música e Cinema: Manu, você tocou bateria no Sarcófago nos primórdios do grupo.   Certamente é uma banda que marcou época e é referência em extremidade musical, tanto nacional quanto mundial. Alguns anos após você fundou o Uganga, com uma proposta totalmente diferente, um som ainda muito pesado, mas algo mais trabalhado e bem produzido. Pra você, foi algo natural essa transição de estilos?

Manu “Joker”: Eu sempre tive cabeça aberta com aquilo que me agrada, independente de que tribo pertença. Antes de tocar no Sarcófago, já pensava assim e foi com esse pensamento que me guiei enquanto estive na banda de 88 a 90. Quando saí do Sarcófago, e com o fim do Angel Butcher, que foi minha primeira banda, passei por alguns grupos, projetos, etc., até me firmar no Uganga e voltar a fazer o que fazia no começo: misturar metal e hardcore à minha maneira. No caso do Uganga, a “nossa” maneira.

Música e Cinema: Por falar em Sarcófago, você se recorda como foi o primeiro encontro com os outros integrantes? Como foi o primeiro ensaio? Tem boas recordações dessa fase?

Manu “Joker”: Eu conheci o Wagner na época do I.N.R.I. Logo depois que o álbum saiu ele se mudou pra Uberlândia/MG e acabou se juntando à nossa galera, bandas como Angel Butcher, Nosferatu, K.A.U.S.A., Reticências, Witchcraft e outras. Quando precisaram de um batera pra retomar o Sarcófago, com a saída do DD Crazy e Zéder, me chamaram. Eu já tocava extremo e tudo rolou numa boa, trouxe minha pegada e as coisas rolaram. Ensaiávamos na minha casa em Araguari/MG, num astral excelente e por isso o disco é tão bom a meu ver, na verdade meu preferido da banda, mesmo I.N.R.I. e The Laws of Scourge  também sendo excelentes.

Música e Cinema: O Uganga foi fundado em 1993, tendo seu primeiro álbum – Atitude Lótus -, lançado dez anos após. Decorrido todos esses anos, já contabilizam quatro álbuns de estúdio e um ao vivo gravado na Europa. Como tem sido a recepção e a repercussão ao trabalho da banda ao longo desse tempo?

Uganga
Uganga

Manu “Joker”: Excelente! Fora Atitude Lótus, que apesar de gostar, considero outra banda. Nosso som foi obtendo cada vez mais receptividade e acredito que grande parte disso se deve a termos tocado bastante, tanto aqui quanto lá fora. É no palco que o Uganga realmente mostra a que veio e estamos em nosso melhor momento.

Música e Cinema: O Uganga pratica um som bastante diferenciado, pois consegue unir em sua música elementos do Thrash Metal, Heavy Metal, Groove, H.C., mas com um diferencial único: cantado em português. Certamente isso os torna bastante originais nesse meio. A seu ver, como você definiria o som do Uganga?

Manu “Joker”: Rock Pesado Mineiro. (risos)

Música e Cinema: Recentemente, mais precisamente hoje (a entrevista foi feita em 10/11/14), o Uganga lança Opressor, o mais novo álbum de estúdio. Em sua opinião, quais as principais diferenças que os fãs encontrarão nesse disco em relação ao primeiro trabalho, o já citado Atitude Lótus?

Manu “Joker”: Como disse, é praticamente outra banda, apesar da essência nas letras já estar lá assim como o apreço pelo groove. Fora isso, é outra banda literalmente, porém foi o start para estarmos aqui hoje. A partir do segundo álbum, Na Trilha Do Homem De Bem (2006), definimos nossa cara e desde então a banda segue evoluindo.

Música e Cinema: Quem seria o “Opressor” do título e qual o significado da criatura ilustrada na capa?

Manu “Joker”: Seríamos todos nós, a porra do mundo moderno. A figura representa isso, como se fosse a Deusa Kali, destruidora da maldade, só que dentro do universo do Uganga com outra estética. Um totem, uma entidade criada a partir de tudo de negativo que existe no mundo, deixando claro que sou também parte disso.

Música e Cinema: Analisando as letras de Opressor, é realmente perceptível elementos de cada música reproduzidos na ilustração da capa, formando uma conexão, sendo assim, o ouvinte consegue associar a arte com o conteúdo lírico. A meu ver, nem toda banda consegue fazer isso, não é mesmo?

Manu “Joker”: Eu falo pelo Uganga, e no nosso caso sempre amarramos o título do álbum a uma linha a ser seguida nas letras. Não é propriamente um disco conceitual, pois músicas como O Campo ou Moleque De Pedra, por exemplo, tratam de temas distintos, mas que se conectam no conceito do trabalho como um todo. Convido todos a tirarem suas próprias conclusões.

Música e Cinema: As músicas presentes no novo trabalho são muito empolgantes, pesadas e agressivas; além disso, conta com uma produção sonora e gráfica de alto nível, cortesia do experiente produtor Gustavo Vazquez (Macaco Bong, Krow, entre outros). Até que ponto o trabalho dele influenciou no resultado final das canções? Ele teve alguma participação no arranjo e composição das músicas?

Manu “Joker”: Na parte gráfica o Gustavo não teve influência, o conceito eu desenvolvi e passei pro meu irmão Marco (baterista) que cuidou da arte de todos os CDs, com exceção do primeiro. Ele achou por bem trabalharmos com outro artista dessa vez e indicou o Betinho de BH, que já tinha feito a arte da nossa segunda tour européia. O cara mandou muito bem, assim como o Marco que cuidou de todo o encarte. No lado musical a conversa foi diferente, e se na composição o Gustavo não teve muita participação, na timbragem ele foi essencial. O cara é foda! Fez a banda soar como soa ao vivo, extraiu o melhor de cada um e o clima no estúdio foi o melhor possível.

Música e Cinema: Além disso, vocês lançaram há pouco tempo o clipe de trabalho da música Guerra e de Casa. Pelo jeito vocês pretendem fazer um forte esquema de promoção para o novo álbum, não?

O baterista Marco Henriques agradecendo a presença do público na noite de lançamento de "Opressor"
O baterista Marco Henriques agradecendo a presença do público na noite de lançamento de “Opressor”

Manu “Joker”: Sim, o Youtube é uma excelente ferramenta pra divulgar nosso trabalho e nesses dois clipes, assim como de Fronteiras Da Tolerância e Meus Velhos Olhos de Enxergar o Mal (2 Lobos), trabalhamos com nosso parceiro Eddie Shumway da Travesseiro Discos. Ele está cuidando também do DVD de 20 anos da banda que sairá em breve.

Música e Cinema: Aliás, a julgar pela potência e intensidade de Guerra, creio que ao vivo ela deverá transformar o local em um verdadeiro campo de batalha, não acha?

Manu “Joker”: É verdade, mano, tanto que a escolhemos para abrir o álbum. É uma faixa direta e bem HC e o clipe mostra imagens de nossa segunda tour pela Europa, além de cenas de vários conflitos da era moderna.

Música e Cinema: A segunda faixa do novo disco, O Campo, relata na forma de música talvez o episódio mais nefasto da história da humanidade: o massacre de judeus no campo de Auschwitz, na Polônia. O Uganga esteve lá durante sua última turnê mundial e pode sentir de perto toda a aura sombria que assola o lugar. Como se sente compondo uma letra que relata tal barbárie? Conte-nos como foi a visita ao campo, afinal, você buscou a inspiração direto da fonte.

Manu “Joker”: Eu sou fanático por história, em especial pelos grandes conflitos da humanidade. A Segunda Guerra com certeza foi o maior e mais nefasto desses conflitos e tanto Hitler como Stalin banharam o leste europeu em sangue. Estar naquele local, entrar nas câmaras de gás, parar em frente ao muro dos fuzilamentos, ver um quarto lotado de sapatos de crianças e outro com cabelos de mulheres, entre outras coisas, tudo isso é muito impactante e nunca deve ser esquecido. Quando se esquece, se abaixa a guarda e ai o inimigo pode voltar. Eu acredito nisso e em um mundo livre. Foi inevitável bater a inspiração pra essa letra e considero O Campo uma das melhores faixas de Opressor.

Música e Cinema: Pela reação e comentário das pessoas na audição de Opressor, você acha que atingiram o resultado esperado com o novo trabalho?

Manu “Joker”: Acho que sim, fomos bastante elogiados durante o evento tanto por jornalistas como por amigos músicos, como o Arthur do Vulcano, banda que gravamos um cover, ou os caras do Genocídio, por exemplo. A impressão que nos foi passada foi a melhor possível.

Música e Cinema: Mudando um pouco de assunto, há alguns anos atrás vocês fizeram uma turnê européia que abrangeu alguns países, incluindo Portugal e Alemanha, o que culminou no lançamento em 2013 do disco ao vivo Eurocaos – Ao Vivo. Conte-nos como foi essa experiência no velho continente. Há planos de voltarem pra lá na divulgação de Opressor?

Manu “Joker”: Fizemos nossa primeira tour européia em 2010, rodamos 13.000 km e tocamos em 7 países durante 27 dias. Num desses shows, em Datteln, na Alemanha, gravamos o Eurocaos Ao Vivo que saiu aqui e lá. Em 2013 voltamos para promover esse disco e rodamos mais 6.000 km em 15 dias ao lado dos poloneses do Terrordome. Ambas as tours foram excelentes. Vejo vários relatos de furadas que bandas entraram, mas no nosso caso ambas as tours podem ser consideradas um sucesso . A idéia é voltar em 2016.

Música e Cinema: Eurocaos chama a atenção em muitos aspectos, a começar pela ótima qualidade de gravação. Outro aspecto a ser ressaltado é a presença de um pequeno diário de bordo que vem junto com o cd, narrando resumidamente a rotina da banda durante a tour européia. Um exemplo de dedicação e respeito ao fã. De quem foi a idéia de criar esse pacote? 

Manu “Joker”: Minha. Gosto muito de escrever, sempre anoto um diário das tours e dessa vez resolvemos compilar tudo o que rolou pra valorizar ainda mais o material. A Sapólio Radio, nosso selo, peitou o pacote completo e a repercussão foi excelente, pena que na Europa o livreto não sairá.

Música e Cinema: Agora uma curiosidade minha: de onde surgiu esse nome tão diferente? Qual o significado de Uganga?

Manu “Joker”: Não significa nada, assim como Korzus, Krow ou Kreator (risos). Só que o nosso tem uma sonoridade mais Africana (mais risos). Falando sério, quando começamos o nome era Ganga Zumba , um dos líderes de Palmares, mas descobrimos que havia outra banda com esse nome. Para não perdermos a conexão, mudamos pra Uganga que não significa nada, mas remete a “O Ganga”, como nossos amigos se referiam ao antigo nome. Tempos depois descobri que Ganga é o nome de uma divindade hindu. Ela é cultada pelos hindus que crêem que banhar-se no rio Ganges ocasiona a remissão dos pecados e facilita a libertação dos ciclos de reencarnação, de vida, morte e renascimento. Um significado massa, mas na época eu não sabia disso (risos).

Música e Cinema: Com o lançamento de Opressor, creio que a rotina de apresentações será bastante intensa. Já há uma turnê nacional agendada? Quais estados serão abrangidos?

Manu “Joker”: Em 2015 o foco é Brasil e América Latina. Já tocamos em Budapeste, mas nunca em Fortaleza. Precisamos mudar isso e vamos fazê-lo!

Música e Cinema: Pra encerrarmos o nosso papo que eu já tomei o seu tempo demais (risos). Quais as cinco bandas que serviram de referência para o Uganga?

Manu “Joker”: Cada um da banda com certeza citaria 5 bandas diferentes, mas aí vão as minhas: Black Sabbath, Motorhead, Faith No More, Exodus e Exploited. Essas bandas/artistas sintetizam bem a minha visão dessas influências.

Música e Cinema: Manu, muito obrigado pela entrevista. Em nome do Música e Cinemadesejo a vocês toda a sorte do mundo e uma trilha de sucessos adiante. Alguma consideração final para nossos leitores? Fique à vontade.

Manu “Joker”: Eu que agradeço, irmão! Nos vemos na estrada e quem quiser conferir mais nosso trampo, acesse www.uganga.com.br. Paz!

Mais informações:
www.uganga.com.br
www.twitter.com/uganga
www.myspace.com/uganga
www.youtube.com/ugangamg
www.facebook.com/ugangaband
www.sapolioradio.com.br

 

Uganga: Opressor (Sapólio Rádio/nacional/2014) – resenha

       Com sua potente mistura de Metal e Hardcore, o Uganga impressiona com Opressor, seu quarto full-lenght. Amparados por uma excelente produção, que só serviu pra abrilhantar ainda mais a sonoridade dos mineiros, o Uganga revela-se uma banda madura, íntegra, honesta e apaixonada pelo que faz, preocupando-se apenas com a qualidade de suas composições e como elas podem ser assimiladas e admiradas pelos seus fãs. Devo reconhecer que apenas recentemente conheci a banda e sua obra, e confesso que tive a melhor das impressões, pois além da qualidade técnica irrepreensível, o trabalho de composição é simplesmente brilhante, abordando de forma muito inteligente temas como a rotina, guerra, violência, entre outros. Músicas como Guerra (relatando em poucas palavras os conflitos atuais), é repleta de uma energia explosiva, quase palpável, que vai causar destruição nos recintos onde for apresentada, O Campo (narrando as atrocidades cometidas contra os judeus nos campos de Auschwitz, na Polônia), Casa e Moleque de Pedra – essa abordando um problema muito sério e atual: o vício em crack. Conta com a participação de Juarez Tibanha (Scourge)-, são a síntese da música bem executada, com ênfase no peso e na agressividade, ainda que com uma sonoridade moderna, porém sem perder a essência do autêntico Metal. Além dos destaques inevitáveis, temos ainda outras pérolas como Modus Vivendi, Aos Pés da Grande Árvore e Who Are the True (Vulcano), que conta com a participação de Murilo Leite (vocal/Genocídio) e Ralf Klein (guitarra/McBeth), homenageando uma de suas grandes influências.

      A banda é composta por Manu Joker (vocal), Christian Franco (guitarra), Thiago Soraggi (guitarra), Raphael Franco (baixo e vocal) e Marco Henriques (bateria), formando um time coeso e entrosado, que sabe muito bem e reconhece como ninguém o terreno que está pisando.

      Se você, nobre leitor, é fã de música pesada, rude, com aquele groove moderno, mas com veia oitentista latente, essa é sua nova banda preferida. Pode ir atrás sem medo de ser feliz. Uganga rules.

Nota: 9,0

 

 

Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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