Open the Road fest: Thrash, Death e Crossover unidos em prol da diversão

            No último domingo (15/12/13), São Paulo foi assolada por um holocausto sonoro de conseqüências catastróficas. Tivemos o Open the Road Fest, segunda edição do festival que reuniu quatro bandas de estilo distintos: Violator, Benediction, R.D.P. e D.R.I. O evento, realizado no Via Marquês, reuniu um ótimo público que ali estava por um único motivo: celebrar o Metal! Foram quatro apresentações que marcaram época e ficarão na memória dos bangers para sempre.

Cartaz de divulgação do festival.
Cartaz de divulgação do festival.

            O Via Marquês é um local bastante apropriado para este tipo de evento. É um local de médio porte, com excelente sistema de som e ventilação, além de um visual bem old school, que remete às casas de show underground da década de 80 e 90. Ponto para a organização também, com os shows iniciando pontualmente no horário previsto e sem intervalos muito longos entre uma banda e outra.

            Pois bem, vamos ao que interessa! Pontualmente às 18:00 entra em cena o Violator, o Nuclear Assault do cerrado! Pedro “Poney Ret” Arcanjo (baixo e vocal), Marcio Cambito (guitarra), Capaça (guitarra) e Batera (bateria) já entram botando a casa abaixo com seu Thrash old school velocíssimo. O som estava ótimo, bem alto e pesado, o que tornou a apresentação ainda mais insana. O público ainda estava adentrando no recinto e o ‘mosh pit’ já estava se formando. A banda surpreendeu pela energia e pelo carisma no palco, com Poney sempre agradecendo a presença do público e demonstrando toda sua paixão pelo estilo. Isso é Thrash Metal de verdade! Os maiores destaques da apresentação do quarteto foram Endless Tyrannies, Thrash Maniacs, Addicted to Mosh (durante esta, o ‘mosh’ estava insano. Com certeza alguém teve a integridade física comprometida lá no meio!), e Destinate to Die. Show perfeito e banda sensacional! O único defeito foi o set muito curto, mas como se tratava de um festival e eram a banda de abertura, não podia ser diferente.

Pedro "Poney Ret" (Violator)
Pedro “Poney Ret” (Violator)

            Encerrado o set do Violator, após um breve intervalo para o público dar um repouso para o pescoço, eis que surgem pela primeira vez na capital paulista os ícones do Death Metal britânico. Uma verdadeira instituição do metal da morte: Benediction. Muitos questionavam sua presença num evento desse tipo, pois era voltado mais ao público thrash/crossover. Pois posso afirmar pra vocês, estimados leitores do Música e Cinema, que foi o melhor show de todo o festival. Apesar de ser composta por senhores em sua maioria, a banda é de uma vitalidade e agressividade impressionantes! O quinteto de Birmingham apresentou uma seleção de clássicos, abrangendo quase todas as fases da carreira. O som produzido pelas guitarras de Peter Rew e Darren Brookes era de um peso descomunal, socando o peito dos presentes. Impressionante! Dave Hunt urrava igual um urso com amidalite, enquanto a cozinha de Frank Healy (baixo), o baixista mais punk do Death Metal, e Per Karlsson (bateria, substituindo Neil Hutton de última hora), davam o suporte necessário para a avalanche de agressão. A excitação por parte do público era tanta que os seguranças tiveram trabalho pra conter o ‘crowd surfing’, sendo que alguns deles se exaltaram com o público, o que causou a indignação de Dave Hunt. Os ingleses, sempre muito simpáticos, acenando e interagindo com o público sempre, fizeram um espetáculo perfeito! Pesado, rápido e agressivo, como já era de se esperar deles. Difícil enumerar destaques, mas quando tocaram Subconcious Terror deu até um frio na espinha. Se o festival acabasse agora, eu já estava mais do que satisfeito; porém, a dupla de criadores do Crossover ainda estava por vir.

Um punk com alma Death Metal. Frank Healy (Benediction)
Um punk com alma Death Metal. Frank Healy (Benediction)

 

Peter Rew (Benediction)
Peter Rew (Benediction)

 

            O R.D.P. já é velho conhecido de todos. Com seus trinta anos de experiência, a maior banda do Brasil entrou pra mostrar quem é que manda no negócio. João Gordo, Jão, Juninho e Boka sabem como ninguém transformar a pista em um autêntico campo de batalha. O chute na cara inicial foi com Amazônia Nunca Mais. Além deste, a banda desfilou clássicos como Beber até Morrer, Crocodila, Vida Animal, Igreja Universal, Sofrer, Aids, Pop, Repressão, e até uma música nova chamada Conflito Violento, que fizeram a alegria dos fãs sedentos por hardcore. A esta altura, o ‘mosh pit’ já tomava o público inteiro. Set e presença de palco impecáveis! É uma banda que dispensa quaisquer comentários. Uma pena que o show teve curta duração, pois se durasse mais uma meia hora acredito que todos aprovariam. Mas ainda restava o D.R.I…

Ratos de Porão
Ratos de Porão

            Como é de conhecimento de todos, o Dirty Rotten Imbeciles é uma das mais antigas e importantes bandas do estilo. Formada em Houston / Texas no ano de 1982, foi a primeira banda a criar um som híbrido, unindo a agressividade do Thrash com a velocidade e o caráter contestador do Punk, gerando o que viria a ser chamado de Crossover. O grupo foi o alicerce deste subgênero, servindo de influência para centenas de outras formações de várias partes do mundo. Assim sendo, torna-se natural uma certa expectativa acerca do show dos caras, não é mesmo? Pois é, só que infelizmente ficaram aquém do esperado.

            Um breve intervalo após o show do R.D.P. e os pais do Crossover entram arrombando a porta com Madman, seguida imediatamente de Couch Slouch, e aí começaram os pequenos problemas. Logo no início da canção tivemos um corte abrupto no som, durando alguns minutos, o que causou um certo desconforto nos fãs e, obviamente, na banda. Neste meio tempo, o baixista Harald Oimoen tentava se comunicar com a platéia, gesticulando, falando, se sacudindo e fazendo palhaçadas, provocando riso em todos os fãs presentes no local. O músico é de uma simpatia ímpar, além de muito engraçado. Um show man de primeira. Sanados os problemas sonoros, a banda continua desferindo golpes certeiros com Equal People, Yes Ma,nn e The Explorer, uma seguida da outra quase sem pausa nenhuma. Assim não há pescoço que agüente! Já não havia local seguro para permanecer, pois o mosh havia tomado todo o recinto como uma grande epidemia zumbi. Karma, All for Nothing e a clássica Manifest Destiny acabam de destruir nossos já combalidos corpos. Chegando ao terço final do espetáculo, a banda e o público já começam a dar sinais de cansaço, pois após a cadenciada Beneath the Wheel, Argument then War, Snap e Rather be Sleepin, Kurt anuncia o fim do espetáculo e agradece ao público. Um set bem curto, chegando a no máximo 40 minutos. Após a saída da banda, a cortina do palco ainda permaneceu aberta, indicando que poderia haver um bis. O público esperava impacientemente apesar do cansaço, e eis que a banda retorna para tiro de misericórdia. O bis foi composto por três canções, com destaque máximo para a divina Violent Pacification, mas com o cansaço batendo forte, alguns “atropelos” na bateria e o som um pouco embolado neste momento, tornaram o final que deveria ser apoteótico, em um final morno. Não foi um show ruim de forma alguma, mas uma banda como o D.R.I. é capaz de muito mais.

Os pais do Crossover: D.R.I.
Os pais do Crossover: D.R.I.

            Bem, entre mortos e feridos, qual o balanço geral? Foi um excelente festival, realizado em um ótimo local e contando com elenco de primeira linha. Um domingo especial, que veio para encerrar o ano com chave de ouro. Apesar dos pequenos percalços, foi o melhor festival que já assisti na vida! Todas as bandas estão de parabéns, mas o Benediction merece o troféu do dia. Eu sou fã da banda desde o início da década de 90, mas após assistir ao espetáculo dos ingleses, me tornei fã número um; além disso, um festival que reúne a nata do Crossover, do Thrash e do Death Metal não é todo dia que se vê, né?

Tirando o pé do chão com Kurt Brecht (D.R.I.)
Tirando o pé do chão com Kurt Brecht (D.R.I.)

            Após algumas fotos com os ídolos e com os amigos, era hora de ir pra casa, tomar um banho, um analgésico, um relaxante muscular e dormir, sonhando já com a próxima edição deste maravilhoso fest. Que esta seja apenas a segunda edição de muitas.

Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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