O Último Desafio: do governo para a ação!

Arnold Schwarzenegger foi um dos maiores astros do cinema de ação da década de 80 e 90. Colecionando sucessos de bilheteria como Conan – O Bárbaro (82), O Exterminador do Futuro (84), Comando para Matar (85), Jogo Sujo (86), O Predador (87), entre tantos outros, o ator austríaco radicado nos E.U.A. resolveu, após um período em que estava em baixa no cinema, se candidatar a governador do estado da Califórnia. Devido a sua imensa popularidade, venceu com larga vantagem sobre os outros candidatos. Foi eleito em 2003 e reeleito em 2006, permanecendo no mandato até 2010.

Cartaz de divulgação de "O Último Desafio" (The Last Stand).
Cartaz de divulgação de “O Último Desafio” (The Last Stand).

            Muito bem, neste período em que esteve atuando na política, ele deixou a carreira no cinema, porém em entrevistas ele freqüentemente afirmava que retornaria à carreira que o consagrou assim que concluísse seus compromissos políticos. O tempo passou e nosso querido Arnoldão provou ser um homem de palavra. Em 18 de janeiro de 2013 foi lançado no mercado americano O Último Desafio (The Last Stand), seu primeiro filme como protagonista desde O Exterminador do Futuro 3 – Rebelião das Máquinas (Terminator 3 – Rise of the Machines) de 2003. Neste filme, o ator quis voltar às raízes, vivendo um xerife durão que toca o terror na bandidagem.

            Sem mais delongas, o nobre leitor se deleitará com a crítica de mais esse grande trabalho do ex-governador, sempre com exclusividade (ou pelo menos tentando ser exclusivo) aqui, no seu companheiro de sempre, Música e Cinema.

 O Último Desafio (The Last Stand) – sinopse:

             Ray Owens (Arnold Schwarzenegger) cai em desgraça em Los Angeles devido a uma operação que acabou em desastre; logo depois do fracasso, Ray parte para um município na fronteira dos Estados Unidos com o México, e se torna xerife da pequena cidade. O que ele não esperava era que um poderoso chefão das drogas, que escapou recentemente da prisão, quisesse cruzar a fronteira exatamente na cidade onde trabalha. Agora, Ray precisa reunir todo o pessoal que tem à disposição para enfrentá-lo.

 Elenco:

Resenha:

            Nossa, como é bom assistir a um filme de ação autêntico, daqueles que te prendem a atenção do início ao fim, com tiroteios aos montes, lutas, perseguições espetaculares, fugas alucinadas, e tudo o mais que nós, fãs do gênero, merecemos. Na noite de ontem tive o prazer de assistir a este O Último Desafio e nele encontrei tudo isto que enumerei acima. Trata-se de um filme americano lançado em janeiro de 2013, dirigido pelo cineasta Kim Ji-woon (estreando em Hollywood), e protagonizado por Arnold Schwarzenegger (em seu primeiro filme como protagonista desde 2003).

Chumbo nos vagabundos!
Chumbo nos vagabundos!

            Contando com um roteiro que não é um primor em originalidade, narra a história de um xerife que, após uma operação mal sucedida em Los Angeles, vai trabalhar em uma cidadezinha na fronteira dos E.U.A. com o México. Lá ele leva uma vida bastante tranqüila, isso até descobrir que um perigoso traficante de drogas fugiu da polícia e pretende atravessar a fronteira pela sua cidade, obrigando-o a lutar com todas as suas forças para tentar frustrar a empreitada do criminoso. Certamente você já viu isso em outro lugar, mas acontece que agora é com o Arnoldão, o que já garante uma atenção a mais.

            Ray Owens, o xerife vivido por Schwarzenegger, convive na delegacia com os tipos mais estapafúrdios que se pode imaginar: o novato com sede de ação Jerry Bailey (Zack Gilford), o delegado veterano meio covardão Mike Figuerola (Luiz Gusmán, que provoca boas risadas), a bela policial dedicada Sarah Torrance (Jaimie Alexander), o ex-soldado presidiário Frank Martinez (Rodrigo Santoro), e até um doido de pedra, chamado Lewis Dinkum (Johnny Knoxnille, interpretando basicamente ele mesmo). Todos esses personagens são de grande importância na trama, servindo de apoio na ação contra o traficante foragido Gabriel Cortez (Eduardo Noriega).

Relembrando os tempos de "O Exterminador do Futuro 2".
Relembrando os tempos de “O Exterminador do Futuro 2”.

            Apesar de ser um filme bem dinâmico, com muitas cenas de ação eletrizantes, é possível perceber que a idade já começa a pesar para Arnold Schwarzenegger, o que é muito natural, afinal ele já é um senhor de quase 67 anos, mas isso não chega a ser um empecilho para o desenvolvimento da ação. Apesar do ritmo um pouco mais lento, ele ainda dá conta do recado, distribuindo tiros, sopapos (como na seqüência final da luta contra o vilão. Eu que não saio na mão com esse véio!), e ainda protagoniza uma cena de perseguição de carros no milharal que é um show à parte. O cara ainda convence como ator de ação e posso dizer que esse foi um ótimo retorno a este universo. Destaque também para a feição de pedra do astro e suas frases características. Sorrindo, chorando ou irritado, a cara é sempre a mesma, mas isso já se tornou uma marca registrada dele, e durante o diálogo final com o criminoso, no qual este lhe oferece a quantia de US$ 5.000.000,00 pra que o deixe atravessar a fronteira, e ele responde: “minha honra não está à venda” e depois diz “você é uma vergonha para imigrantes como nós”. Sensacional! São frases que não soariam autênticas na boca de nenhum ator, mas que soam perfeitas na interpretação de Arnold.

            O filme tem algo de faroeste americano, tanto na estética (cidade na fronteira com o México, no meio do deserto, xerife e tiroteio), quanto no desenvolvimento da trama. Talvez seja influência do cineasta coreano, que já dirigiu o western Os Invencíveis, que é uma homenagem ao estilo “western spaguetti” do filme Três Homens em Conflito, do cineasta italiano Sérgio Leone.

            Outro aspecto a ser ressaltado é a qualidade e a violência das cenas de tiroteio. Em um filme comum, um tiro de revólver causa um pequeno ferimento quase sem nenhum sangue. Aqui, um tiro do mesmo armamento causa a explosão da cabeça, com direito a litros de sangue e quilos de massa encefálica jogados contra a câmera. Lembra muito as cenas de tiroteio daqueles filmes chineses protagonizados por Chow Yun Fat (Fervura Máxima, O Atirador, entre outros). Percebe-se o uso de alguns efeitos digitais em tais cenas, mas de uma forma contida. A maioria do trabalho é maquiagem mesmo, e muito bem feita.

Diretor e elenco principal reunidos na estréia do filme.
Diretor e elenco principal reunidos na estréia do filme.

            E Rodrigo Santoro? Pois bem, o rapaz já é praticamente estrela do cinema americano, participando de importantes produções quase todo ano. Se em seus filmes anteriores, como em As Panteras, onde ele não proferia nem uma única palavra, neste filme ele demonstrou uma grande evolução como ator, com muitas falas (num inglês perfeito, praticamente sem sotaque) e participação importante na trama. Merece o sucesso trilhado.

            Em se tratando de filme de ação, é um entretenimento de primeira e um retorno digno de um dos maiores astros do cinema de todos os tempos. Se ele vai agüentar muito mais tempo nisso, não se sabe, mas esperamos que esse retorno seja verdadeiro e que ainda renda muitos frutos. Os fãs de ação agradecem. Terminator is back!  

Assista ao trailer de O Último Desafio

[youtuber youtube=’http://www.youtube.com/watch?v=Fv-tspCA7nc’] 

 

Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

Veja Também!

a-chegada2

A Chegada: filme sobre aliens deixa lições para os humanos

É curioso que um dos sons mais agoniantes seja o do silêncio. Simon & Garfunkel já …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *