Ninja II: Ação, diversão, pancadaria e tiroteios à moda antiga

O cinema de ação sempre esteve em voga, mas foi na década de 80 que ele esteve no auge, com todas aquelas produções exageradas, cheias de situações inverossímeis e protagonizadas por figurões do gênero. Exemplos mais famosos são Rambo (estrelado por Sylvester Stallone), Comando para Matar (com Schwarzenegger no auge da forma), Braddock (Chuck Norris ensinando bons modos aos vietcongues), entre outros menos cotados. Todos eles tinham como ponto em comum o “exército de um homem só”, o super soldado bom de briga que não levava desaforo pra casa, e todas essas produções reuniam tudo que o fã de ação adorava: tiroteios e boas cenas de luta.

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            Tínhamos também um filão não muito explorado, mas não menos importante, que eram os filmes de artes marciais, principalmente os filmes envolvendo os temidos e enigmáticos ninjas. Nos anos 80 tivemos dois longas que são considerados os maiores clássicos dos filmes envolvendo esses guerreiros do submundo: o inigualável e insuperável A Vingança do Ninja (‘Revenge of the Ninja’/ 83), estrelado por Sho Kosugi, e Guerreiro Americano (‘American Ninja’ / 85), estrelado por Michael Dudikoff; ambos são os maiores exemplos, pelo menos na minha humilde opinião, dos filmes de artes marciais envolvendo ninjas. Fizeram muito sucesso na década de 80 e possuem um séqüito de fãs até hoje.

            Na década de 90 em diante, esse subgênero foi levemente esquecido, porém, no ano de 2009, foram lançados Ninja Assassino (‘Ninja Assassin’), e Ninja (‘Ninja’) – este estrelado pelo brilhante Scott Adkins -, o que parecia ser um novo suspiro de vida para o estilo.

            Pois bem, meus amigos, o objeto de discussão de hoje é justamente a continuação de Ninja. Se este primeiro não era lá grande coisa, pelo amor de Nossa Senhora de Guadalupe! Essa seqüência é o melhor filme de ação e artes marciais que vi nos últimos tempos! Ação desenfreada, tiros e explosões aos montes e, principalmente, algumas das melhores cenas de lutas que já se viu. Chega de prolixidade! Com vocês, Ninja 2: Shadow of a Tear. Prepare-se para a ação!

 Ninja II – Shadow of a Tear: sinopse:

             O lutador de artes marciais Casey (Scott Adkins), busca vingança após o assassinato de sua mulher, Namiko Takeda (Mika Hijii), que estava Grávida do seu primeiro filho.

  

Elenco:

  • Scott Adkins (Casey)
  • Vithaya Pansringarm (General Sung)
  • Ron Smoorenburg (dojo fighter)
  • Kane Kosugi (Nakabara)
  • Mika Nijii (Namiko)

 

  Resenha:

            Digníssimo leitor do Música e Cinema: com essa sinopse supracitada esmiuçada em parcas palavras, temos o fio condutor do que seria um dos melhores filmes a que tive o prazer de assistir em toda minha vida. Parece exagero, mas não é!

Scott Adkins, o inglês voador!
Scott Adkins, o inglês voador!

            Ninja II – Shadow of a Tear, produção americana de 2013, dirigida pelo cineasta e lutador israelense Isaac Florentine e estrelado por Scott Adkins, é um filme que facilmente entrará para a galeria das grandes produções do gênero. A história é aquela balela de sempre: mestre em artes marciais busca vingança pelo assassinato da esposa. Quantas vezes já não vimos argumentos semelhantes, não é mesmo? Pois bem, um breve resumo para o nobre leitor se situar: Casey (Scott Adkins) é um mestre de artes marciais que é instrutor em um dojo no Japão. Lá, ele vive tranqüilamente transmitindo seus conhecimentos aos alunos, incluindo sua bela esposa Namiko (Mika Nijii). Ambos estão muito felizes, pois ela espera o primeiro filho do casal. Durante uma noite, Namiko acorda com desejo de comer chocolate com algas (!!) e comenta com Casey, que, como bom marido que é, já sai madrugada a fora para buscar a insólita iguaria para sua amada. Chegando ao mercado, ao passar pelo caixa, descobre que havia esquecido sua carteira em casa. Ao voltar para casa para pegar a carteira, vê Namiko morta por estrangulamento estirada no chão. Naturalmente, nosso pobre amigo se vê desesperado, afinal havia perdido esposa e filho de maneira brutal e covarde.

Casey (Scott Adkins) após combate sangrento com Goro.
Casey (Scott Adkins) após combate sangrento com Goro.

            Inconformado e cheio de revolta pela situação, ele se recorda do ferimento peculiar no pescoço de sua esposa e começa uma investigação acerca do caso. Vai à Tailândia a convite de seu amigo e também mestre Nakabara (Kane Kosugi, que certamente é filho de Sho Kosugi), que possui uma escola de artes marciais no local e era muito próximo de sua falecida esposa. Durante a conversa, Nakabara esclarece para Casey que o tipo de ferimento que matou sua esposa foi provocado por uma arma, semelhante a um arame farpado, que era utilizado por Goro, um antigo rival da família de Namiko, que havia se tornado o maior traficante da Birmânia. Goro dominava essa técnica de assassinato e poderia estar querendo vingança, já que o pai da falecida esposa de Casey havia matado acidentalmente o irmão de Goro em uma luta. Após saber de todos esses detalhes, Casey decide ir atrás do responsável pela morte de sua amada, mesmo sendo advertido do risco de tal empreitada. Ao tentar convencer o amigo da barca furada que está entrando, Nakabara protagoniza um dos diálogos mais sensacionais do filme. Ele diz: “Casey, lembre-se: o homem que procura vingança deve cavar duas covas”, e ele responde: “vou precisar de muito mais que isso”. Diante dessa pérola da narrativa, nosso herói parte para Myanmar (antiga Birmânia) para encontrar seu algoz e arrancar-lhe o couro. Dotado de conhecimentos profundos nas artes marciais e muito ódio no coração, nosso amigão vai se embrenhar pelas florestas do país no encalço do vilão.

            Me estendi um pouco mais do que devia no resumo da trama, pois há muito tempo eu não me empolgava tanto com um filme de ação. Os filmes recentes carecem dessa dinâmica, dessa estrutura. Hoje em dia a grande maioria das produções do gênero são demasiadamente longas e demoram pra entrar no ritmo. Quando entram, nas cenas de ação, a câmera apresenta aquele padrão “epilético”, pois tremem tanto que parece que o cinegrafista está tendo um colapso, prejudicando demais para nós espectadores uma apreciação mais apurada da cena. O foco também fica muito próximo do rosto dos atores, ou seja, não dá nem pra ver direito quem está golpeando quem. Já aqui, a coisa é diferente.

            Talvez por Isaac Florentine, o diretor do longa, ser também um lutador de artes marciais, ele consegue perceber melhor do que ninguém a forma como as lutas devem ser filmadas e coreografadas. Utilizando câmera fixa, focando o corpo todo dos atores em ação e em planos amplos, temos as mais eletrizantes cenas de luta dos últimos tempos. Aquelas cenas que nos faziam grudar na cadeira ao assistirmos os grandes clássicos do cinema de ação da década de 80. Florentine já trabalhou junto com Adkins em mais alguns filmes, entre eles o primeiro Ninja e O Imbatível 3, o que confere um certo padrão de qualidade nos longas. Scott Adkins é, sem sombra de dúvida, o maior astro do cinema de ação da atualidade. Além de lutar demais, também é um bom ator. Logicamente não foge muito daquilo que se espera, mas desempenha seu papel com louvor. O filme todo é excelente, não perde o ritmo nunca e tem uma trama bem elaborada. Duas seqüências merecem destaque: a luta de Casey com o capanga do bandidão Goro. Em uma cena que deve durar uns bons dez minutos, temos os mais variados golpes, muito bem filmados e ensaiados. O negócio é tão bem feito que eu não duvido que alguém tenha se machucado durante a filmagem; outra cena memorável é o embate final, que tenho certeza que você achou que era com o tal do Goro, mas aí é que o nobre leitor se engana. Não entrarei em detalhes para não estragar a surpresa, mas a luta final é algo esplendoroso, que somente dois profissionais do quilate de Adkins e Florentine para colocar em prática. Coreografia e filmagem nota 10!

            Já deu pra perceber que tudo que pudemos observar neste filme já foi visto em pelo menos uma centena de outros, a diferença é que aqui foi muito bem feito e funciona como entretenimento. Fica a dica para os cineastas de hoje: nada de tramas complexas, longas e filmagens epiléticas. O que o fã do cinema de ação quer é isso. Uma trama simples, ligeira e ação ininterrupta, e isso Florentine sabe como ninguém. Podem apostar nisso: ele ainda vai ser muito reconhecido como o grande cineasta de filmes de ação do século 21. É só esperar.

            Bem, espero que o leitor tenha gostado. Se você agüentou até aqui, meu muito obrigado! E corra atrás desse filme. Você não vai se arrepender.

Trailer de Ninja II:

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Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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3 Comentários

  1. Esqueceu “Ninja A Máquina Assassina” com Franco Nero.

  2. Olá, Marco Antônio! Tudo bem? Obrigado pela participação. Não é que me esqueci do filme do Franco Nero. Eu só inclui neste artigo aqueles que eu mais admiro, aqueles filmes que eu considero os maiores clássicos do gênero. Não que o do Franco Nero seja ruim, só não é o meu preferido. Grande abraço e continue nos acompanhando.

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