Nervosa: as mais Thrash do mundo!

            O momento é muito favorável para a Nervosa, afinal, acabaram de lançar o espetacular Victim of Yorself; um trabalho excepcional, onde as mocinhas resgatam todo o ódio e agressividade do Thrash Metal clássico. Aqui não há espaço para modismos ou tendências afrescalhadas, é só o bom e velho som pesado que tanto adoramos.

            O trio formado por Fernanda Lira (baixo e vocal), Prika Amaral (guitarra) e Pitchu Ferraz (bateria) vem demonstrando em suas apresentações que não estão pra brincadeira, demonstrando profissionalismo, dedicação e atitude, na certeza de que ainda serão um referencial para todo o estilo, e como o momento é bastante positivo para o grupo, nada melhor do que uma conversa franca e honesta com Prika Amaral.

            Muito atenciosa e paciente conosco, ela nos contou mais detalhes sobre o novo disco, turnês, curiosidades, entre outras coisinhas.

            Com vocês: Prika, a moça Nervosa!

  Entrevista exclusiva com Prika Amaral (Nervosa)

Nervosa (da esq. pra dir.): Pitchu Ferraz (bateria), Prika Amaral (guitarra) e Fernanda Lira (baixo e vocal)
Nervosa (da esq. pra dir.): Pitchu Ferraz (bateria), Prika Amaral (guitarra) e Fernanda Lira (baixo e vocal)

 

Música e Cinema: Primeiramente, gostaria de agradecer a oportunidade e a sua paciência de nos conceder essa entrevista.

 PRIKA: Nós que agradecemos a oportunidade.

 Música e Cinema: Victim of Yourself acaba de ser lançado na Europa por uma conhecida gravadora, a Napalm Records. Certamente é um grande passo na carreira da banda na busca por novos mercados. Como foi a negociação e como chegaram a um acordo com eles?

 PRIKA: Eles entraram em contato com a gente por e-mail depois que viram o nosso clip de Masked betrayer e a negociação foi bem tranqüila. Eles cederam em muitas coisas que queríamos. Estamos muito felizes com a Napalm, pois eles tem feito um ótimo trabalho e tem nos dado um suporte incrível. O mais legal é que podemos ser quem realmente nós somos, eles não nos podam como outras gravadoras fazem. Posso dizer que temos um grande parceiro e que eles acreditam muito no nosso trabalho, e isso nos traz uma realização incrível.

Música e Cinema: O álbum é de uma qualidade impressionante. Thrash Metal muito bem tocado e produzido, demonstrando uma gigantesca evolução da banda como um todo em relação ao ep anterior. A que você atribui essa evolução? Tem a ver com a entrada da nova baterista, Pitchu Ferraz? Como vocês avaliam essa evolução em tão pouco tempo?

 PRIKA: A evolução é natural como em qualquer banda. Nós fizemos muitos shows de lá até aqui, isso melhora o desempenho, mas acredito que a harmonia entre as integrantes conta muito. Com a entrada da Pitchu, nós tivemos um entrosamento maior de idéias, postura e gostos. Isso naturalmente reflete na evolução, além disso, para a gravação do álbum tivemos um upgrade em nossos instrumentos; eu e a Fernanda gravamos com baixo e guitarra novos e bem superiores aos instrumentos que usamos na demo. Isso influencia diretamente na qualidade da gravação, porém eu acredito que no próximo disco será ainda melhor, pois acabei de fechar duas parcerias importantes: uma de um pedal totalmente desenvolvido pra mim conforme os meus gostos e necessidades, que é o pedal Nerv’o drive feito pela marca Ed’s Mod Shop, e fechei outra parceria para uma guitarra personalizada especialmente pra mim, feita pelo Purkott Guitars.

 Música e Cinema: Por falar em bateristas, esse é um posto de muita instabilidade na banda. Em pouco tempo tivemos Fernanda Terra, que saiu, dando lugar a Jully Lee, que mal esquentou o banquinho; após sua saída, houve a contratação de Pitchu Ferraz. Gostaria de saber quais os motivos que levaram a essas trocas de baterista em um relativamente curto espaço de tempo?

 PRIKA: A troca de integrantes é natural em toda banda que está começando. Às vezes demora um tempo até encontrarmos uma estabilidade e encontrarmos o pessoal ideal para se fixar na banda. Diferenças de opiniões, gostos, postura e etc… levaram a essa troca. A July Lee na verdade só fez dois shows, ela só deu um suporte, não integrou oficialmente a banda. A entrada da Pitchu nos trouxe a estabilidade que faltava, pois ela se encaixa perfeitamente naquilo que sempre buscamos. Essa harmonia perfeita reflete na banda tocando ao vivo e irá refletir nas próximas composições e gravações do próximo álbum.

"Victim of Yorself", mais novo trabalho do Nervosa.
“Victim of Yorself”, mais novo trabalho do Nervosa.

 Música e Cinema: Ainda sobre a evolução da banda, é notável sua evolução como guitarrista. Contando com técnica apurada, você despeja riffs, solos e palhetadas com uma desenvoltura impressionante. Mediante isso, gostaria de saber qual a sua rotina de ensaio?

 PRIKA: Na verdade, pra mim estou longe de onde gostaria, eu não treino absolutamente nada. Isso é ruim, mas acredite, eu não tenho nem 10 minutos para treinar. O que eu treino são quatro horas semanais de ensaio com a banda, mas o correto seria treinar pelo menos 20 min por dia. Não vejo a hora de gravar um novo disco, pois aí sim estarei mais confortável, com equipamentos novos e mais bem preparada, mas, independente disso, sempre tento fazer o meu melhor.

 Música e Cinema: No disco novo a bateria foi gravada por ninguém menos que Amílcar Cristófaro (Torture Squad), pois durante as gravações vocês estavam sem baterista. Ele é um dos mais renomados bateristas da atualidade no Metal nacional, realizando um trabalho primoroso no álbum. Mesmo Pitchu Ferraz demonstrando toda sua competência nos shows da banda, você acha que há alguma pressão para ela reproduzir com fidelidade as linhas de bateria de Victim of Yourself ao vivo?

 PRIKA: O Amílcar nos deu uma grande força em um momento crucial. Ele já tinha feito dois shows com a gente, e logo após isso ele era o único baterista disponível para encarar uma gravação. Nós tínhamos prazo com a gravadora, era para termos gravado em outubro de 2012. Porém, com as trocas de baterista já estávamos no limite para iniciar as gravações. Como o Amílcar já sabia tocar todas as músicas ele foi intimado a gravar. Em janeiro iniciamos as gravações e ele gravou tudo em dois dias. Somente no final de fevereiro de 2013 a Pitchu entrou para a banda, mas desde a entrada ela já tocava exatamente o que o Amílcar gravou. A Pitchu é uma excelente batera e ela surpreende a todos nos shows, é incrível como a galera fica de queixo caído com ela!

Nervosa no "Zombie Ritual Fest" em Rio Negrinho, RS, no final de 2013
Nervosa no “Zombie Ritual Fest” em Rio Negrinho, RS, no final de 2013

Música e Cinema: O repertório do disco é sensacional, composto por músicas empolgantes e agressivas, que refletem com perfeição o verdadeiro espírito do Thrash Metal. São todas composições suas, ou são em parceria com as outras integrantes?

 PRIKA: O disco todo foi composto 50% por mim e 50% pela Fernanda Lira, tanto em riffs quanto em letras. Eu sempre trago uma seqüência de riffs prontos e depois entra algumas sugestões de outros riffs pela Fernanda, ou ao contrário, a gente compõe juntas, claro que por ela ser baixista eu acabo lapidando os riffs dela com palhetadas e técnicas na guitarra, mas a composição é bem dividida, e funcionou muito bem nesse disco. A gente não teve grandes conflitos de gostos e opiniões, há um respeito onde cada um sabe do seu próprio valor e importância, mas já estamos na ansiedade de compor o próximo.

Música e Cinema: Algumas canções do álbum são de uma brutalidade impressionante, quase palpável, flertando até com o Hardcore e o Speed Metal, como em Justice be Done, Deep Misery e Urânio em Nós. Essa violência foi ou não intencional? 

 PRIKA: Sim, claro! Afinal, nós somos Nervosa (risos). A nossa idéia é sempre soar agressivas, tanto nas palavras quanto no instrumental. A origem do nome foi por causa disso. As letras são sempre sobre indignações e situações de raiva que envolvem a realidade, e pra isso a música tem que acompanhar toda essa raiva, é o que gostamos como música. O Thrash e o Death Metal são pura agressividade, e é essa a nossa mistura.

Música e Cinema: O título do álbum e a arte da capa são bastante intrigantes. De quem foi a idéia para a criação dos mesmos e qual a mensagem por trás deles?

PRIKA: A idéia do titulo e capa foi minha. A gente passou por um período um pouco complicado, pessoas tentaram nos prejudicar sem motivo algum, por pura inveja, e vimos todas essas pessoas se ferrarem pelas próprias atitudes, elas se ferraram sozinhas, pura conseqüência de suas próprias atitudes. A idéia do titulo veio dessa situação, Victim ofyourself quer dizer “vítima de si mesmo”, e a capa ilustra isso: uma caveira esfaqueando a outra, mas as duas representam a mesma pessoa. É fácil culpar os outros quando não se vê as próprias falhas, a pessoa que cria o mal não precisa de vingança, pois ela se autodestrói pelas próprias atitudes.

 Música e Cinema: Recentemente vocês lançaram um vídeo de divulgação da música Death. Um trabalho muito bem feito, que transmite toda aquela aura “old school”, sendo integralmente gravado em um cemitério, com a banda tocando entre túmulos e lápides. Onde o clipe foi gravado e como foram os trabalhos de filmagem? A escolha da faixa para o trabalho foi da gravadora ou da banda?

PRIKA: O clipe foi gravado num cemitério abandonado na grande São Paulo. A escolha do local veio pelo cenário da capa do disco e pelo tema da música que fala sobre morte. A escolha da música foi nossa, pois essa música representa bem a banda no seu espírito atual; ela também é uma música totalmente inédita, já que metade do disco já estava sendo tocado em shows há um ano. Foi difícil escolhermos uma, mas ela apresenta o maior número de motivos para escolhe-la como primeiro single do álbum.

 Música e Cinema: Apesar de ser ainda muito cedo para isso, pois o álbum foi lançado há poucos dias, gostaria de saber como tem sido a recepção ao novo trabalho. Vocês já têm algum número ou alguma informação acerca disso?

PRIKA: Números exatos ainda não, mas temos recebido todos os dias entrevistas do mundo inteiro, e as perguntas apresentam uma ótima empolgação com o disco. Grandes revistas e meios de comunicação têm aceitado de uma maneira incrível. O mais legal é que eles sempre perguntam sobre a cena brasileira e sempre citamos várias bandas do nosso cenário. E isso tem deixado a gente bastante feliz, pois de alguma forma estamos ajudando a divulgar a nossa cena, que é tão rica e que nos enche de orgulho cada vez que falamos nas entrevistas.

"Time of Death", primeiro ep do Nervosa
“Time of Death”, primeiro ep do Nervosa

 Música e Cinema: Contando com o apoio e distribuição de uma gravadora renomada no underground mundial, naturalmente haverá propostas para uma turnê internacional. Já existem planos para isso? Se existem, quais países serão abrangidos?

PRIKA: Na verdade nós temos um contrato assinado com a agência The Flaming Arts desde o ano passado para uma turnê na Europa. Esperamos até agora para que o disco fosse lançado, ainda não temos previsão de quando e onde porque ainda estão sendo fechados os shows, mas acredito que será depois de julho, mas é certeza que faremos ainda esse ano. Além disso, temos planos para uma turnê no Norte/nordeste do Brasil, Sul-Americana, E.U.A. e Canadá. Estamos em fase de negociações e estamos ansiosas para que tudo aconteça o quanto antes.

 Música e Cinema: Prika, apesar de estarmos em pleno século XXI, ainda não é muito comum uma banda composta exclusivamente por mulheres, principalmente no Metal pesado. Após quatro anos de carreira, como é a recepção do público, levando em conta esse aspecto? Ainda existe algum preconceito nesse mercado predominantemente masculino?

 PRIKA: A grande maioria é livre desse preconceito bobo, mas o preconceito vem da idéia das pessoas acharem que conseguimos as coisas porque somos mulheres e não por mérito, mas a questão é que sabemos que não somos a única banda de mulher no mundo nem no Brasil. Se escolheram a gente é porque viram algum potencial. Nós NUNCA pagamos pra nada, todas as nossas atividades foram por puro reconhecimento do nosso trabalho, mas mesmo dizendo isso muitos acham que pagamos, etc. Não reconhecem que existem muitas pessoas que gostam do nosso trabalho, mas estamos bem tranqüilas quanto a isso, pois certas coisas só é possível provar com o tempo, mas a verdade é uma só e ela sempre aparece.

 Música e Cinema: Há pouco tempo atrás, uma empresa famosa do ramo lançou uma linha de pedais de distorção com o nome da banda. Isso é fruto de reconhecimento de um trabalho duro e muito bem feito. Como surgiu essa parceria?

 PRIKA: Eu já conhecia há muitos anos atrás o trabalho do Ed’s Mod Shop e entrei em contato oferecendo uma parceria, aí a idéia surgiu de fazermos um pedal com o meu nome. Esse pedal é o Nerv’o drive, desenvolvido conforme os meus gostos e necessidades. É um pedal incrível, que oferece um timbre perfeito, ao qual sempre busquei! Os outros pedais fazem parte da linha de pedais da marca, são pedais incríveis feito à mão por quem entende muito do assunto; ele personalizou as caixinhas com o logo da banda e está montando o nosso case de pedais. Eu e a Fe estamos mais do que satisfeitas, pois o trabalho do Ed’s Mod Shop é realmente impressionante.

 Música e Cinema: Você e a Fernanda Lira (vocal e baixo) estão juntas desde o início da banda. Como é a convivência entre vocês? Já surgiu algum desentendimento no âmbito profissional?

 PRIKA: Na verdade a Fernanda Lira entrou para banda depois de quase um ano e meio que ela já existia. A banda começou em fevereiro de 2010 e ela entrou em agosto de 2011, e nesse período antes dela entrar, eu mandei embora muitas meninas que não tinham o mínimo de postura profissional e psicológica, que perderam total respeito. Ter uma banda é como ter uma família, é normal existir alguns desentendimentos, dizer que não existe é mentira, mas a gente se respeita muito, somos como irmãs. Ainda estamos aprendendo a lidar com as diferenças, mas nada além do normal. O importante e fundamental é o respeito! Se isso for quebrado aí as coisas não funcionam mais. Mas já passamos por tantas coisas que poderiam ter abalado e não abalou, que te digo que temos uma relação sólida dentro da banda, somos bem resolvidas e adultas para sempre resolver as coisas com a cabeça no lugar.

Música e Cinema: Nas entrevistas conduzidas por mim para o nosso site, eu costumo sempre perguntar quais são as principais influências das bandas; sendo assim e pra não fugir do padrão, satisfaça minha curiosidade: quais são as principais influências na sonoridade da banda?

PRIKA: É uma mistura de Thrash e Death metal. Bandas como Slayer, Exodus, Destruction, Death, Coroner, Sepultura, Testament, Kreator, Vader, Cannibal Corpse, D.R.I., Sodom, Nuclear Assault, etc.

Música e Cinema: Prika, com o lançamento do novo álbum e shows agendados por todo o país, creio que a rotina de vocês seja bastante intensa. Baseado nisso, gostaria de saber quais os planos da banda daqui por diante? O que podemos esperar do Nervosa para os próximos tempos?

 PRIKA: Os principais planos são: tocar no mundo inteiro e em todos os lugares possíveis. Toda banda quer cair na estrada e divulgar o seu som, estamos loucas para gravar o nosso próximo disco, temos um desejo enorme como toda banda de tocar nos grandes festivais pelo mundo. Temos muito trabalho pela frente e vamos tentar realizar de tudo o que for possível.

 Música e Cinema: Bem, chegamos ao fim do nosso bate-papo. Em meu nome e em nome do Música e Cinema, gostaria de lhe agradecer a atenção e desejar a você e a banda todo o sucesso do mundo, pois vocês merecem. Gostaria de deixar algum recado aos fãs?

 PRIKA: Primeiramente, obrigada pela oportunidade desta entrevista e parabéns pelo seu trabalho que é muito legal! A mensagem é para o público em geral: respeitem todas as bandas, mesmo que você não goste das músicas, pois todo trabalho tem o seu mérito, independente do seu gosto musical. Agradeço imensamente todo o apoio e carinho de todos os fãs! Valeu!

 

Contatos:

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Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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One comment

  1. Extermination of Nuclear Anthrax

    Muito foda! Old school total!

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