Napalm Death: Uma homenagem mais que merecida!

O Napalm Death é uma das bandas mais emblemáticas e importantes de toda a história da música extrema. Além de possuírem uma extensa discografia (são 14 álbuns de estúdio, além de vários eps, splits e coletâneas), são os criadores de um sub-gênero dos mais extremos (nosso adorado grindcore), servindo de referência e inspiração para milhares de bandas do cenário mundial. Assim sendo, nada mais justo do que prestar uma bela homenagem aos reis do grind. Em uma iniciativa louvável, oito selos independentes nacionais se reuniram em conjunto com 21 bandas do nosso rico cenário underground para o lançamento de Siege of Grind: A Brazilian Tribute to Napalm Death, com cada uma das bandas envolvidas prestando seu tributo, com releituras dos maiores clássicos do conjunto britânico. Logicamente, nós do Música e Cinema não poderíamos deixar um evento desse porte passar desapercebido, por isso, a seguir, você confere a resenha deste belo lançamento com exclusividade. Aos mestres com carinho!

Resenha: Siege of Grind: A Brazilian Tribute to Napalm Death

Na ativa desde 1982, com uma discografia recheada de clássicos e sendo referência no underground, o Napalm Death vem devastando o mundo por onde passa, em turnês de grande sucesso; por conta disso, já passou da hora da banda ter seu valor reconhecido em um belo tributo. Muitas bandas bem menos relevantes já tiveram o seu, porque não o nosso querido Napalm? Pois bem, pra suprir essa carência, eis que acaba de sair do forno o Siege of Grind: A Brazilian Tribute to Napalm Death. Contando com 21 bandas do cenário, umas bem conhecidas, outras nem tanto, temos a releitura de 23 clássicos de praticamente todas as fases do grupo (o Into the End fez um medley com Multinational Corporations, Instinct of Survival e You Suffer; as bandas restantes fizeram uma cada).

Siege of Grind

As bandas convidadas, todas elas vindas do Death Metal, Crust e Grindcore, fizeram seu trabalho com perfeição, embora a qualidade de gravação oscile um pouco de uma para outra – um problema comum nesse tipo de trabalho – mas nada que comprometa o resultado final. Dentre todos os envolvidos, destaco a versão do Prey of Chaos para The Kill. Ficou arrasadora! Pesada, veloz e com o vocal de Fábio “Japa” muito semelhante ao de Barney Greenway; Lucid Fairytale, na versão do Obliteração ficou simplesmente perfeita, com baixo pulsante comandando a cozinha, guitarra navalhando tudo e o vocal desesperado de Julio coroando a desgraça toda; Social Chaos chega com Social Sterility, imprimindo uma veia mais HC ao som, num excelente trabalho; Dementia Acces, grande clássico do Utopia Banished, ganha uma versão espetacular executada pelo Subcut, com Afonso Moura debulhando nos blast beats.

Além destes, destaco ainda Forbidden Ideas com Antibody, Obitto com Warped Beyond Logic, Homicide com Right you Are, Expurgo, com  sua versão matadora de All Links Severed, Expose Your Hate com Suffer the Children e o Mito da Caverna com Envolved as One (Misericórdia!! Chega a dar medo essa aqui! Melhor que a original disparado!).

Confesso ao nobre leitor que não sou o maior fã de tributos, mas este aqui merece todos os elogios, primeiramente por homenagear uma das maiores bandas extremas de todos os tempos; segundo pela iniciativa dos selos envolvidos e pela escolha mais que acertada das bandas convidadas; e terceiro pela fabulosa arte da capa: uma bela homenagem aos grandes clássicos da discografia do Napalm (o maravilhoso From Slavement to Obliteration em destaque), em contraponto com um cenário tipicamente brasileiro, como o carnaval, o Congresso Nacional, o Cristo Redentor e a violência nas grandes capitais.

Meus sinceros parabéns aos selos envolvidos, a todas as bandas e ao pessoal envolvido em todo o processo. Um trabalho muito bem feito, que demonstra grande paixão e comprometimento. Belíssima homenagem aos pioneiros do estilo. Eles merecem! Nós, os fãs, agradecemos.

Nota: 10

Faixas:

  1. Into the End: Multinational Corporations / Instinct of Survival / You Suffer
  2. Prey of Chaos: The Kill
  3. Obliteração: Lucid Fairytale
  4. Social Chaos: Social Sterility
  5. Infamous Glory: Hiding Behind
  6. Subcut: Dementia Access
  7. Plague Rages: Plague Rages
  8. Forbidden Ideas: Antibody
  9. Baga: Next on the List
  10. Japüra Noise Project: Pay for the Privilege of Breathing
  11. Obitto: Warped Beyond Logic
  12. Orrör: On the Brink of Extinction
  13. Homicide: Right you Are
  14. Summer Saco: Silence is Deafening
  15. Reiketsu: Inside the Torn Apart
  16. Expurgo: All Links Severed
  17. Deranged Insane: The World Keeps Turning
  18. EYH: Suffer the Children
  19. Ressonância Mórfica: Unchallenged Hate
  20. O Mito da Caverna: Evolved as One
  21. Oligarquia: Siege of Power

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Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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2 Comentários

  1. Aí Ricardo Costa, apesar de eu não curtir muitos essas bandas mais pesadas, gostei das suas resenhas. Curti também as resenhas dos filmes, especialmente Curso de verão. Se possível, faça mais de filmes anos 80. Acho que já conversei com você a algum tempo atrás, mas não sei se você se lembra. Abraços.

    • Olá, Renato. Tudo bem? Fico muito feliz que você acompanha e tem gostado de minhas resenhas. É um trabalho que faço com muita paixão e carinho. Com certeza escreverei mais sobre filmes clássicos. É só eu arrumar um tempinho. Você viu a última sobre o filme “Gutterballs”? Bem, se já conversamos, realmente eu não me lembro. Perdoe-me. Mas me adicione no Facebook e a gente troca uma idéia. Grande abraço e obrigado!

      https://www.facebook.com/ricardo.l.costa.1

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