Napalm Death: mantendo o legado Grindcore há mais de 30 anos

Existem bandas que fazem a diferença, que marcam a história e, de alguma forma, contribuem para que determinado estilo permaneça vivo. O Napalm é uma dessas bandas. Fundada em Birmingham (Inglaterra) em 81, a banda permanece até hoje em atividade, mesmo sem nenhum dos fundadores, lançando novos trabalhos de qualidade incontestável (pelo menos na sua grande maioria), e mantendo sempre o foco na mais extrema das sonoridades: o Grindcore.

            Com uma extensa discografia repleta de verdadeiras obras de arte da extremidade musical e mantendo regularidade em seus lançamentos, ultimamente fomos surpreendidos com o mais novo álbum do quarteto. Lançado em fevereiro, Apex Predator – Easy Meat é o décimo quinto disco de inéditas do Napalm e marca uma ótima fase para a banda.

            A seguir você confere a resenha exclusiva de mais esse grande lançamento. Só aqui, no Música e Cinema.

Napalm Death: Apex Predator – Easy Meat (Century Media/imp./2015) – resenha 

Napalm-Death-Apex-Predator-Easy-Meat

Denominar o Napalm Death de grindcore é simplificar demais as coisas. Com toda a experiência adquirida ao longo dos anos, o grupo começou a agregar algumas influências em seus trabalhos, produzindo uma sonoridade intensa, visceral e marcante. O mais recente trabalho, Apex Predator – Easy Meat, está aí para provar essa teoria. Uma banda que é considerada o marco zero de um gênero e que hoje acaba sendo maior até que o próprio estilo que criou.

            Em Apex Predator observamos um Napalm revigorado, pesado e agressivo como poucos. A formação em quarteto, desde a morte de Jesse Pintado em 2006, tornou o grupo mais dinâmico, embora Jesse faça uma puta falta. Mitch Harris demonstra evolução gradativa a cada novo álbum lançado e aqui ele está dominando como nunca. Riffs mortíferos, solos simples, mas eficientes, e peso avassalador; além disso, seus backing vocals são sensacionais (saudades do Defecation). Com certeza, um dos melhores nesse estilo. Shane Embury continua apresentando o nível máximo de distorção e peso que um baixo pode suportar, embora eu ache que em Apex Predator ele esteja um pouco mais contido em comparação aos últimos trabalhos. Danny Herrera não requer maiores apresentações. Integrando a banda há mais de 20 anos, aqui ele demonstra o que a técnica e experiência podem acrescentar a uma banda. Vai socar bumbo e caixa assim lá na esquina. E quanto a Barney Greenway? Pois bem, ele sempre foi um vocalista correto, mas com um timbre vocal bastante comum às formações de Death e Grindcore. Uma voz sem muitas novidades, porém nos últimos álbuns ele vem aflorando suas habilidades, berrando como um demente em algumas passagens, e cantando realmente em outras, com um vocal bastante limpo e inteligível em muitas delas, demonstrando que um vocalista extremo também pode e deve ser versátil quando a situação pede.

Napalm Death (em sentido horário): Mitch Harris (guitarra), Shane Embury (baixo), Danny Herrera (bateria) e Mark "Barney" Greenway (vocal)
Napalm Death (em sentido horário): Mitch Harris (guitarra), Shane Embury (baixo), Danny Herrera (bateria) e Mark “Barney” Greenway (vocal)

            Como temática central, Apex Predator retrata os horrores do trabalho industrial escravo no mundo atual, sem necessariamente ser um álbum conceitual em sua totalidade. Faixas como Smash a Single Digit, How the Years Condemn, Cesspits, Stunt Your Growth e Hierarchies (a melhor de todas. Uma veia HC incrível!) impressionam pela intensidade e urgência, mostrando uma banda no auge da forma, que não se abateu com o peso do tempo e das modas. Já estão em seu décimo quinto registro de inéditas e ainda conseguem ser tão autênticos e eficazes quanto antes. O Napalm simplesmente redefiniu o conceito de música brutal com esse álbum, soando inovador dentro dos limites impostos pelo estilo.

            A produção está excelente, embora propositalmente suja e abafada, servindo pra abrilhantar ainda mais obra. A capa é mais ou menos no estilo Feijoada Acidente do R.D.P., onde temos uma bandeja de carne que seguramente não foi inspecionada, na qual observamos alguns detalhes nada apetitosos (mas nem cachorro de rua comeria um troço desses). Observe e divirta-se enquanto seus ouvidos são impiedosamente apunhalados.

            Bem, pode não ser o melhor trabalho da banda, mas seguramente está entre os cinco melhores. Pra comprar agora, não importa o preço.

Nota: 10

Napalm Death em ação!
Napalm Death em ação!

  

Formação:

  • Barney Greenway (vocal)
  • Mitch Harris (guitarra)
  • Danny Herrera (bateria)
  • Shane Embury (baixo)

 

Faixas:

  1. Apex Predator – Easy Meat
  2. Smash a Single Digit
  3. Metaphorically Screw You
  4. How the Years Condemn
  5. Stubborn Stains
  6. Timeless Flogging
  7. Dear Slum Landlord…
  8. Cesspits
  9. Bloodless Coup
  10. Beyond the Pale
  11. Stunt Your Growth
  12. Hierarchies
  13. One – Eyed
  14. Adversarial / Copulating Snakes

 

Contatos:

http://napalmdeath.org/scum/

https://www.facebook.com/officialnapalmdeath?fref=ts

https://soundcloud.com/centurymedia/napalm-death-cesspits

Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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