Mastodon: Inclassificável!

Existem na música pesada aquelas bandas que fazem o bom e eficaz “arroz com feijão” de sempre, sem nunca mudar um milímetro sequer seus andamentos e harmonias, que acabam parecendo em demasia umas com as outras. Umas são muito competentes no que se propõe a fazer, porém outras são meras cópias sem qualquer resquício de originalidade. No caso do Mastodon, essa premissa não se aplica, pois deve haver bem poucas bandas no mundo metálico que se aventuram em proposta tão complexa, variada e original quanto eles e que desempenham sua função com tanta maestria.

            O quarteto estadunidense se apresenta hoje como um dos grandes nomes do estilo, e seu mais recente trabalho, o magnífico Once More ‘Round the Sun, só vem a corroborar com essa afirmação, e com sua sonoridade inclassificável e pouco convencional vem obtendo grande destaque na mídia especializada mundial.

            Sendo assim, só nos resta emitirmos nossa opinião acerca deste grande trabalho. Uns amam, outros nem tanto, mas todos devemos concordar: os caras manjam e muito! Confira agora a resenha do mais novo álbum do mastodonte yankee, com exclusividade aqui no Música e Cinema do Brasil!

Mastodon: Once More ‘Round the Sun (Warner – nac.)

A extravagante arte da capa de "Once More 'Round the Sun".
A extravagante arte da capa de “Once More ‘Round the Sun”.

Fundado há mais de dez anos, o Mastodon é uma banda diferenciada. Se na época de seu surgimento o grupo era apenas uma grande promessa da música pesada, hoje em dia já se consolidou no posto como uma das maiores e mais inovadoras bandas do cenário extremo mundial. Posto esse que muitos almejam, mas apenas alguns atingem.

            O quarteto de Atlanta, formado por Bill Kelliher (guitarra), Brent Hinds (guitarra), Brann Dailor (bateria) e Troy Sanders (baixo/vocal) demonstram em seu sexto full lenght, intitulado Once More ‘Round the Sun, que estão sempre um passo a frente na escala evolutiva da música, pois é um grupo que se renova, se recicla e se adapta a cada trabalho lançado, em uma clara demonstração de talento e dedicação absurdos.

            Dentre todos os trabalhos da banda, digamos que este é o mais comercial, pois apresenta uma forte característica melódica, porém sem abdicar do peso que sua música pede; além disso, algumas audições se fazem necessárias para uma melhor assimilação do conteúdo devido à intensa variação rítmica e andamento intrincado, o que faz deste disco um material único em sua proposta. Os vocais de Troy estão mais melódicos e variados; as guitarras de Brent e Bill transitam entre velocidade, técnica e peso, alternando momentos agressivos com outros de pura lisergia sonora, e Brann Dailor definitivamente não é deste mundo. Dotado de técnica apuradíssima, o que ele faz na bateria neste trabalho é algo que desafia a coordenação motora e a capacidade física do ser humano. Sem parecer exagerado demais, seria como um Neil Peart (baterista do Rush) da música extrema, tamanha a variedade de ritmos e harmonias que emprega ao instrumento; além disso, ele demonstra também muita competência nos vocais, dividindo a função com Troy em alguns momentos, como em The Motherload, que possui um refrão dos mais empolgantes; além da já citada, ainda temos aqui vários outros destaques, como Tread Lightly, High Road, Chimes at Midnight, Feast Your Eyes e Aunt Lisa com sua incrível viagem instrumental e vocal.

Brent Hinds (guitarra), Bill  Kelliher (guitarra), Troy Sanders (baixo e vocal) e Brann Dailor (bateria): Mastodon. Sempre com o humor aflorado!
Brent Hinds (guitarra), Bill Kelliher (guitarra), Troy Sanders (baixo e vocal) e Brann Dailor (bateria): Mastodon. Sempre com o humor aflorado!

            Talvez o único demérito do disco seja a parte gráfica um tanto estranha. O desenho da capa chega a doer os olhos, tamanha a variedade de cores e texturas misturadas, em um desenho que parece um dragão psicodélico de parada gay, o que evidencia o caráter progressivo e diversificado do trabalho.

            O fã mais radical certamente virará a cara para o negócio, mas vai por mim: dê uma chance a esse disco! Cada hora que você o escuta descobre-se novos detalhes, novas características, o que torna a audição do mesmo uma verdadeira aventura. Só para estabelecer um comparativo, a sonoridade do Mastodon hoje em dia situa-se em algo como uma mistura entre Neurosis, Rush, Nevermore e algo de Soundgarden. Dá um nó no cérebro, mas é muito bom!

Nota: 9,0

Contatos:

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 https://myspace.com/mastodon

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Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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One comment

  1. Boa resenha, mas você se precipitou em dizer que só o Troy Sanders é o vocalista da banda, Brann Dailor e Brent Hinds, assim como Troy são Vocalistas primários, e inclusive existem músicas que apenas um deles cantam em uma faixa completa.

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