Machete Kills: mais uma obra sem noção de Robert Rodriguez

Machete Mata (Machete Kills: EUA / Rússia 2013) é o mais novo filme do cineasta americano Robert Rodriguez. Nascido em San Antonio, Texas, Rodriguez começou na carreira em 1991, sendo que em 1992 lançou El Mariachi, seu primeiro longa-metragem. Com este filme, o diretor adquiriu notoriedade no cinema americano, mas foi com A Balada do Pistoleiro (Desperado / 1995) e Um Drink no Inferno (From Dusk Till Dawn / 1996), que Robert alcançou o estrelato. Conhecido por seus filmes exagerados, tanto na estética e na violência, cheio de explosões e tiroteios, Rodriguez também ficou conhecido pela parceria com outro renomado cineasta, Quentin Tarantino, em vários outros filmes de sucesso.

Com seu cinema politicamente incorreto, nada mais natural do que lançar um personagem durão, implacável e pegador, distribuindo tiros e facadas em um verdadeiro banho de sangue, vivido pelo horroroso master Danny Trejo. Em 2010 foi lançado Machete e, em 2013, Machete Mata, ambos protagonizados pelo bonitão.

Assisti a seqüência esse final de semana e, como um alerta ou indicação, seja como for, resolvi descrever a experiência para o nobre leitor do Música e Cinema. Com vocês, Machete Cortez!

Machete Mata – sinopse, elenco e resenha

Sinopse:

Em uma nova missão, desta vez a pedido do próprio presidente dos Estados Unidos, Machete (Danny Trejo) terá o desafio de derrotar um perigoso líder de cartel, que ameaça atacar o governo americano com armas nucleares.

Machete Kills

Elenco:

  • Danny Trejo (Machete Cortez)
  • Jessica Alba (Sartana)
  • Michelle Rodriguez (Ché)
  • Mel Gibson (Voz)
  • Demián Bichir (Mendez)
  • Charlie Sheen (the President)
  • Amber Heard (Miss San Antonio)
  • Sofia Vergara (Desdemona)
  • Lady Gaga (La Chaméleon)
  • Alexa Vega (Killjoy)
  • Marko Zaror (Zaror)
  • Willian Sadler (Sheriff Doakes)

Resenha:

Queridos amigos leitores do Música e Cinema: se você acha que já viu de tudo em matéria de filmes absurdos e sem noção, acho bom mudar seus conceitos. Após assistir essa encrenca aqui, você vai perceber que sempre há mais degraus a descer. Nunca se chega ao fundo do poço! Um breve resumo pra você sentir o drama: Machete(Danny Trejo) está de volta em sua missão mais insólita. Desta vez, a pedido do presidente americano (Charlie Sheen, interpretando ele mesmo). Um perigoso líder de cartel está ameaçando a soberania americana. Sua exigência: os E.U.A. precisam exterminar todos os cartéis rivais, caso contrário, ele lança um míssil que já está direcionado para Washington. Para isto, o presidente convoca Machete para dar um fim no safado. Em troca da missão executada, terá sua ficha criminal arquivada, se tornando oficialmente cidadão americano.

Machete (Danny Trejo) e Mendez (Demián Bichir) sendo caçados por todos
Machete (Danny Trejo) e Mendez (Demián Bichir) sendo caçados por todos

Diante de tão tentadora proposta, Machete segue para a fronteira do México, onde deverá encontrar sua informante, Miss San Antonio (Amber Heard), que lhe fornecerá mais informações de como chegar a Marcos Mendez (Demián Bichir), o tal líder de cartel. Para isto, deverá ir ao prostíbulo de Madame Desdemona (Sofia Vergara), um lugar onde as moçoilas sabem se defender muito bem de vagabundos abusadinhos. Lá, ele deve se encontrar com Cereza (Wanessa Hudgens), uma jovem prostituta, filha de Desdemona, por quem Mendez nutre muito carinho. Ela sabe onde e como chegar ao bandidão.

Chegando ao seu destino, ele percebe que o traficante é um completo xarope mental: uma hora se revela um reacionário, lutando em prol do povo e por um México melhor para todos; noutra, revela-se um fdp mesmo, assassino cruel e sanguinário, querendo acabar com meio mundo, e o pior de tudo, o lazarento tem instalado em seu coração um dispositivo que, com sua morte e conseqüente parada cardíaca, lança automaticamente o míssil em direção a Washington. Aí complica a situação, não é mesmo?

Assim sendo, Machete se vê em um dilema: tem que defender o crápula e evitar a sua morte e levá-lo até o local onde será possível desarmar a bomba em seu peito. Com a fuga dos dois, estipula-se uma recompensa de dez milhões de dólares a quem os capturar. Neste imbróglio todo, são perseguidos por toda a sorte de gente: desde as prostitutas comandadas por Desdemona (armada de um sutiã metralhadora. Coisa de doido o negócio!! Rende as melhores seqüências do longa); até um assassino de aluguel que muda de aparência toda hora (interpretado por Cuba Gooding Jr, Lady Gaga, entre outros). E tome tiroteio, facadas, explosões, cabeças decepadas, intestinos expostos e toda gama de atrocidades possíveis e imagináveis!

Killjoy (Alexa Vega)- tomando satisfação na bala
Killjoy (Alexa Vega)- tomando satisfação na bala

Parece divertido, não é mesmo? Até é, mas o caldo entorna em certo momento. Por ser uma trama inverossímil e com muitos personagens aparecendo por todos os lados, o protagonista acaba ficando meio apagado em seu próprio filme. Outra coisa: é uma trama um tanto confusa e que não explica muito bem o desfecho de vários personagens. E quando você pensa que o traficante Marcos Mendez era a maior ameaça do filme, surge um empresário inescrupuloso, um tal de Voz (interpretado por Mel Gibson), que tem um plano estapafúrdio pior que aqueles dos vilões do 007, envolvendo clonagem, armas laser, mísseis nucleares e outras aberrações. A impressão que se tem é que Robert Rodriguez trabalha melhor em parceria com o doidão do Quentin Tarantino (vide Um Drink no Inferno e Planeta Terror, dois clássicos da bagaceira). Neste aqui, ele não consegue manter o ritmo. Nas seqüências de ação, onde Machete deveria lutar com os vilões, o negócio dura poucos segundos e fica por isso mesmo. Não tem uma luta memorável, nem mesmo quando entra em ação o capanga do bandido, Zaror (interpretado pelo ator e lutador colombiano Marko Zaror). Nessas cenas, onde poderia haver uma grande luta bem coreografada entre ele e o protagonista, o que se vê é uma troca de três golpes e acabou. Machete tinha tudo pra ser um personagem memorável do cinema de ação, mas não faz muito por merecer neste filme. Trejo não solta mais que meia dúzia de frases, todas muito sem graça, e não muda a feição uma única vez. Sempre com aquela cara de pedra. Outra coisa que incomoda nestes últimos trabalhos do Rodriguez é o uso de efeitos especiais de uma porquice atroz. Ele tem essa mania de querer que seus filmes sejam parecidos com as produções dos anos 60 e 70, mas cacete, estamos em 2013!! Mesmo contando com toda a tecnologia disponível e trabalhando junto com Tom Savini, o mestre da maquiagem, ele insiste em se utilizar de uns efeitos ridículos que mais parecem ter saído de algum episódio do Jaspion ou do Jiban. Poderia ter empregado melhor o orçamento. E, pra piorar ainda mais a situação, antes de começar o filme propriamente dito, temos o trailer de Machete Kills Again, onde o próprio age no espaço, e que conta até com Justin Bieber como andróide. Minha nossa Senhora!! Agora ferrou de vez mesmo! O negócio é tão absurdo e ridículo que eu vou começar a rezar desde já pra que isso não saia do papel. Que Deus nos proteja!

Bem, meus amigos, o filme rende poucas cenas memoráveis. Depois que se assiste, passados vinte minutos, você nem lembra mais o que aconteceu e quem é quem. Sei que é um filme que não pode e nem deve ser levado a sério, mas realmente aqui o negócio não funcionou como deveria. Uma pena!

Sexo frágil o cacete! Aqui o chicote estrala e o chumbo come!
Sexo frágil o cacete! Aqui o chicote estrala e o chumbo come!

 

 Trailer Machete Kills

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Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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One comment

  1. Péssimo filme. Sim, eu consegui assistir até o final. Metade das pessoas que estavam vendo comigo dormiram, sendo que três foram embora.

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