Jeff Hanneman: o adeus do mestre dos riffs

Se eu pedisse para cinco leitores do Música e Cinema listarem cinco de suas bandas preferidas de Thrash Metal, obviamente, teríamos cinco listas distintas, mas certamente uma unanimidade em todas elas: Slayer. O quarteto californiano formado em 81 é o marco zero do verdadeiro Thrash de raiz, aquele com influência maléfica herdada de Venom e Possessed. O Slayer é para muitos o pilar de sustentação do gênero, pois em toda sua carreira nunca se desviou muito de sua ideologia e identidade, dando ao mundo alguns dos maiores clássicos da história da música extrema.

LEICESTERSHIRE, ENGLAND - JUNE 12: Jeff Hanneman of Slayer performs on stage on at the third and final day of this year's Download Festival at Donington Park, Castle Donington on June 12, 2005 in Leicestershire, England. The annual rock festival features over 90 acts on three stages over three days. (Photo by Jo Hale/Getty Images)

            Mas o que chamava muito a atenção na banda, além de toda sua personalidade contestadora e sonoridade brutal, era a dupla de guitarristas que produziam aquela quantidade absurda de riffs que eram capazes de cortar a pele como navalhas, tamanha a intensidade e velocidade com que eram executados: Kerry King e Jeff Hanneman, nosso homenageado de hoje.

            Jeffrey John Hanneman nasceu em 31/01/64 em Oakland, Califórnia. Em sua família havia vários militares e ex-combatentes, pois seu pai havia lutado na Segunda Guerra e seus irmãos no Vietnã, tornando o assunto guerra bastante comum nos almoços de domingo e reuniões familiares. Sendo assim, Jeff cresceu muito interessado nesse assunto, inclusive colecionando vários artigos relacionados ao tema. Foi introduzido no mundo do Metal ainda criança por intermédio de sua irmã mais velha, Mary, que era fã de Black Sabbath. Com o passar dos anos, ao ingressar no colegial, Jeff foi se interessando e conhecendo cada vez mais bandas, até que chegou ao Punk/HC, que acabou se tornando sua grande paixão. Essa sua influência seria primordial no futuro para a consolidação do estilo do Slayer. Dave Lombardo (ex-baterista da banda) afirmou certa vez que, por conta da influência de Jeff, passou a tocar ainda mais rápido, tornando o som do Slayer conhecido por sua velocidade e brutalidade, diferenciando-se das demais bandas do estilo.

            Hanneman conheceu Kerry King em 81, pouco tempo após começar seus estudos na guitarra. Nessa época, Kerry estava fazendo um teste para entrar em uma banda de Southern Rock e, ao sair da audição, viu Jeff tocando músicas de bandas que ele adorava, como Def Leppard e Judas Priest. Com muitos interesses em comum, começaram a conversar e ali estava formada a coluna vertebral do Slayer.

Jeff Hanneman (esq.) e Kerry King (dir.): a força motriz do Slayer
Jeff Hanneman (esq.) e Kerry King (dir.): a força motriz do Slayer

            Sendo parte crucial de uma grande história, Jeff gravou todos os álbuns do Slayer lançados até hoje e dividiu com King a função também de letrista. Era um “riff master” de mão cheia, criando alguns dos mais matadores, violentos e técnicos riffs do Thrash Metal. Quem se diz fã de música pesada e não conhece Hell Awaits, Raining Blood, Black Magic, The Antichrist, South of Heaven, War Ensemble, Piece by Piece e Angel of Death, certamente não sabe o que está fazendo e merece morrer “by the sword”.

            Dois anos após gravar o último álbum de estúdio da banda, World Painted Blood (2009), Hanneman foi picado por uma aranha e aí iniciou-se seu carma. Aqui, eu necessito fazer uma observação: quando eu digo que aranhas são criaturas de satanás, todo mundo acha exagero. Aranha só trouxe benefícios pro Peter Parker; pro resto do mundo é fumo. Pois bem, por conta da picada do maldito aracnídeo, Jeff contraiu fasciite necrosante, que é uma grave doença causada por uma bactéria, que acometeu todo o tecido subcutâneo e até a musculatura de seu braço direito, fazendo com que perdesse um segmento do músculo, comprometendo demais sua saúde, ainda mais em se tratando de um músico de sua categoria. Nesse período, com a saúde bastante comprometida, foi obrigado a se desligar do Slayer, sendo substituído por Gary Holt (Exodus), que a princípio entrou como músico contratado, mas posteriormente foi efetivado no cargo.

Jeff apresentando uma horrenda cicatriz em seu braço direito, pouco tempo após sua recuperação do acidente com a aranha.
Jeff apresentando uma horrenda cicatriz em seu braço direito, pouco tempo após sua recuperação do acidente com a aranha.

Em 2012, Tom Araya (baixista e vocalista do Slayer) anunciou a recuperação de Jeff, porém, em fevereiro de 2013 começou a demonstrar novos problemas de saúde, que o impediram definitivamente de retornar ao grupo. O guitarrista tinha há muitos anos problemas com o alcoolismo, o que o levou à morte em 02/05/13, em decorrência de cirrose hepática. Encerrava-se ali uma das maiores contribuições prestadas ao gênero que tanto adoramos.

            Como todos sabem, o Slayer ainda continua firme e forte, estando prestes a lançar seu novo álbum de estúdio, ainda sem título definido. A atual formação é de uma competência ímpar, mas ainda assim jamais conseguirá suprir a falta desse gênio da guitarra Thrash chamado Jeff Hanneman. Aquela imagem do loiro cabeludo, com suas calças camufladas e coturno, batendo a cabeça na lateral direita do palco e empunhando a sua guitarra ESP estilizada da Heineken, jamais se apagará da mente do fã.

            Essa foi uma breve homenagem do Música e Cinema a essa lenda que, neste momento, deve estar fazendo a alegria de muitas almas impuras no inferno. Descanse em paz, mestre!

Aprendam como se faz a seguir:

Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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