Genocídio: Death Metal brasileiro tipo exportação

Já não é de hoje que as bandas nacionais, independentemente do sub-gênero, apresentam qualidade muito acima da média, se equiparando e até mesmo superando muitas das bandas internacionais. O Genocídio, veterana banda de nosso cenário underground, é um exemplo vivo desta premissa. Uma banda técnica, coesa e, principalmente, talentosa, que vem batalhando há longos 26 anos, não só por amor ao estilo, mas também por reconhecimento. O quarteto paulistano acaba de lançar seu novo álbum, intitulado In Love With Hatred, e é sobre ele que discorreremos a seguir.

            Sem mais delongas, no amor ou no ódio, com vocês…Genocídio!!

Capa de "In Love With Hatred": bela e assustadora ao mesmo tempo
Capa de “In Love With Hatred”: bela e assustadora ao mesmo tempo

 In Love With Hatred – resenha

            Caros amigos que nos acompanham aqui no Música e Cinema, tenho um segredo a revelar: conheço o Genocídio já há muitos anos, admiro sua obra e trajetória, mas é uma banda a qual eu, não sei bem por quê, nunca dei a devida atenção. Ao ouvir no dia de ontem o mais novo lançamento do grupo, o estupendo In Love With Hatred, constatei uma estarrecedora realidade: em que planeta eu estava até hoje que eu não mergulhei de cabeça na obra desse pessoal? Falhei miseravelmente como pessoa! Povo, mas que disco sensacional é esse? O quarteto formado por Murillo Leite (guitarra / vocal), Rafael Orsi (guitarra), W. Perna (baixo) e João Gobo (bateria), em seu sétimo trabalho de estúdio, atingiu o ápice em termos de musicalidade, técnica e entrosamento. Contando com doze faixas arrebatadoras, com produção sonora e gráfica impecáveis, posso afirmar sem medo de errar que é o melhor trabalho da banda até hoje. Death Metal brutal, veloz e técnico, que te acerta como uma marretada no crânio. Guitarras pesadíssimas, soltando faísca a cada palhetada, unem-se ao peso descomunal da cozinha, formando o ambiente propício para Murillo vociferar contra tudo e todos. Após o “nascimento do caos” da introdução, Kill Brazil surge como um grito de revolta e desespero do fundo da alma, demonstrando a única solução para o nosso querido país. Muito brutal! Reverse, In Love With Hatred e I Deny não deixam a peteca cair em nenhum momento, demonstrando influências do Death sueco em alguns arranjos mais melódicos, unidos ao estilo sul americano no quesito agressividade. O álbum todo é bastante linear, tendo como destaques além dos já citados anteriormente, Inner Afflictive Scare, o belo cover para Come to the Sabbath do Mercyful Fate – de deixar o Rei Diamante com a sensação do dever cumprido -, Passion and Pride, com seu forte acento grindcore, sendo a melhor do álbum na minha modesta opinião, e o final com a ótima melodia e arranjo de cordas de White Room Red, que acaba destoando das demais, sendo o momento mais calmo do disco,  mas que ainda assim é uma belíssima composição.

Genocídio (em sentido horário): Rafael Orsi (guitarra), W. Perna (baixo), Murillo Leite (vocal e guitarra) e João Gobo (bateria)
Genocídio (em sentido horário): Rafael Orsi (guitarra), W. Perna (baixo), Murillo Leite (vocal e guitarra) e João Gobo (bateria)

 

            Sem perceber, acabei por destacar praticamente o álbum todo. É o tipo de disco que você escuta do início ao fim e já corre no ‘repeat’ mais uma dezena de vezes. Pena ele ter sido lançado somente agora, pois, caso contrário, estaria com toda a certeza na minha lista dos dez mais de 2013. É simplesmente incompreensível que uma formação desse quilate ainda esteja relegada ao underground e não possua o devido e justo reconhecimento. Estou diante não só de um dos melhores discos lançados este ano, mas também perante um dos melhores álbuns ao qual tive o prazer de ouvir nos últimos tempos. Vai ser difícil superá-los! Tudo que eu disser daqui pra frente será redundância, portanto, ouça e tire suas próprias conclusões. Você vai me dar razão.

Nota: 10

Faixas:

  1. Birth of Chaos
  2. Kill Brazil
  3. Reverse
  4. In Love With Hatred
  5. I Deny
  6. Till Nothing Do Us Part
  7. Inner Afflictive Scare
  8. Unseen Death
  9. Come to the Sabbath (Mercyful Fate cover)
  10. Passion and Pride
  11. White Room Red
  12. White Room Red (orchestra version)

 

Vídeo de Kill Brazil 

[youtuber youtube=’http://www.youtube.com/watch?v=TrGvGOUG0Fk’]

 

 Contato:

http://www.genocidio.com.br/

 

Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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