Fernando Menegatti: cinema e goregrind caminhando juntos

O Brasil possui realizadores independentes muito talentosos. Pessoas que, movidas pelo sonho, com talento aflorado, uma idéia na cabeça e uma câmera na mão, colocam em prática suas idéias e convicções, realizando ótimos trabalhos, mesmo sem o amparo de um grande investidor. Entre esses realizadores, podemos destacar Fernando Menegatti.

            O jovem dedicado e sonhador de Bento Gonçalves (RS), acaba de lançar seu mais recente trabalho, o aclamado Parasitas do Lodo, escancarando um lado bem obscuro do ser humano, numa forte crítica social e comportamental. O atarefado Fernando, além de cineasta, também divide sua rotina como diretor à frente de sua empresa distribuidora e produtora, a 7 Filmz, ao lado de sua companheira Andressa, e ainda arrisca os vocais mais cabulosos da galáxia na banda de Death Metal Gore Rotten Penetration. Ou seja, o rapaz é o multi-homem das artes extremas. E como ele e o nosso site compartilham de muitos interesses em comum, nada melhor do que trocar uma idéia com ele, não é mesmo?

            Com exclusividade aqui, no nosso Música e Cinema, uma entrevista exclusiva com Fernando Menegatti, o mais novo expoente dos Road Movies. Te cuida, Tarantino!

     

Entrevista exclusiva com Fernando Menegatti

 

O cineasta Fernando Menegatti e sua esposa.
O cineasta Fernando Menegatti e sua esposa.

 

Música e Cinema: Bom dia, Fernando. Obrigado por nos atender.

Fernando Menegatti: Bom dia! Eu é que agradeço pelo espaço e cumprimento o site Música e Cinema, tanto quanto os bons leitores que o frequentam.

Música e Cinema: Quando você percebeu que havia chegado a hora de produzir seus próprios filmes? Como surgiu o cineasta Fernando Menegatti?

Fernando Menegatti: Bem, por incrível que pareça essa história começou há mais tempo do que até eu imaginava. Quando criança, desde muito cedo sempre tive fascinação por desenhos animados, inclusive lembro-me de ter gasto muitos cadernos com histórias em quadrinhos que eu mesmo desenhava, em geral com temáticas voltadas para as artes marciais. O interesse por filmes também começou cedo, algo em torno dos oito anos de idade, onde meus amigos de infância e eu sempre ensaiávamos arduamente para posteriormente fazermos uma espécie de “remake” do clássico Mortal Kombat, o que seria filmado pelo pai de um deles, com uma daquelas câmeras caseiras VHS, mas claro, o “remake” infantil do Mortal Kombat nunca saiu (risos). Comecei a pensar seriamente em fazer filmes quando já estava na faculdade de Publicidade e Propaganda, no exato momento em que me deparei com as disciplinas voltadas para a área audiovisual. Depois de um tempo, graças à revolução digital, consegui comprar meus primeiros equipamentos. Já havia abandonado a faculdade de Publicidade, pois a não ser pelo fato das pouquíssimas disciplinas voltadas para o cinema, o restante não tinha nada a ver comigo. Comecei a produzir curtas em 2008, montei minha produtora, a 7FILMZ, ao lado de minha sócia e companheira, a Andressa, e desde lá não paramos mais. Formei-me em Gestão Comercial, na área da Administração, pois percebi que o mercado audiovisual brasileiro, em sua totalidade, hoje sofre por não ter profissionais que saibam gerir e obter lucro real com o seu trabalho. Os artistas brasileiros precisam urgentemente ver o que fazem com outros olhos, pois o que fazemos é um produto que possui conceito e valor agregado.

Música e Cinema: Seu mais recente trabalho é o curta-metragem Parasitas do Lodo, cuja recepção pelo público, até onde deu pra perceber, foi favorável, estreando no circuito comercial em alguns centros pelo país. Nele, podemos observar uma forte crítica social ao comportamento humano, até onde as pessoas podem chegar movidas pela ganância. Analisando isso, gostaria de saber como você avalia esse trabalho. Qual a mensagem oculta por trás da narrativa?

Cartaz de "Parasitas do Lodo"
Cartaz de “Parasitas do Lodo”

Fernando Menegatti: Sim. Graças ao trabalho intenso e comprometido que toda a equipe teve com o filme, pude perceber uma boa recepção por parte da maioria. Quanto ao filme em si, muitas vezes é difícil falar sobre isso, mas seu propósito esteve voltado a conversar com os problemas sociais do nosso país, em especial dos brasileiros, porém em um formato ficção-entretenimento. Talvez muitas pessoas não percebam, mas os personagens são fidedignos, representantes da cultura nacional predominante. A história em si é estruturada por uma narrativa de corrupção simples; três pessoas que não têm mais nada a perder em suas vidas e que fazem parte de uma rede de crimes judiciais, isto é; os três personagens são pagos e comandados por um juiz da vara trabalhista a fim de persuadirem camponeses de uma pequena comunidade a se mutilarem para entrar em um pacotão de indenizações, onde todos ganham, inclusive De La Roque, Boris e Bella. Mas o que o filme aborda é o ser humano, a narrativa do filme é voltada para a alma dos três personagens. A intenção de Parasitas do Lodo é mostrar ao público o mundo cão, aquele o qual nós vivemos no dia-a-dia e muitas vezes não queremos perceber. Em uma das exibições que estive presente pude ver algumas pessoas se ausentando da sala por conta da cena, a qual por um momento sugere que irá ocorrer o estupro de uma grávida, ou seja; vivemos em um país, onde o índice de estupro e violência contra a mulher é altíssimo, mas algumas pessoas simplesmente preferem ignorar e viverem suas vidas como se fossem inatingíveis, até o dia em que o problema bater em suas portas, mas aí não haverá ninguém para ajudá-los. Eu penso que a hipocrisia e a irresponsabilidade são o que fazem o mastro do filme, duas atitudes que por sinal são o câncer da sociedade brasileira. É sempre difícil olhar para o espelho e acabar percebendo que também estamos cheios de imperfeições, porque sempre fomos acostumados a colocar a culpa no próximo. Mas a culpa que colocamos no próximo, (isso vale para o povo em relação ao cenário político nacional também), essa culpa que transferimos para os outros na verdade não é culpa, mas sim responsabilidade, a responsabilidade que não queremos assumir pelos erros que cometemos. Um povo não responsável não é confiável, em quesito algum, animais selvagens não são confiáveis, portanto – parasitas do lodo. Sempre tivemos um cenário político ruim, mas se nota de longe que o povo também não é lá grande coisa.

Música e Cinema: É perceptível em seu trabalho alguns traços e características dos road movies americanos, tendo em Quentin Tarantino e Robert Rodriguez seus maiores expoentes na atualidade. É correto afirmar isso? Qual a importância desses cineastas na sua carreira e no cinema de um modo geral?

Fernando Menegatti: Bem, podemos dizer que as pessoas são feitas de experiências. Os filmes que escrevi e posteriormente produzi foram feitos em diversos momentos de minha vida, por conseguinte; cada um deles é diferente. Anteriormente ao Parasitas do Lodo, estive estudando a velha escola do cinema russo e isso refletiu inteiramente naquilo que fiz naquela época.  No tempo em que escrevi até o tempo em que montei Parasitas do Lodo, eu estava sob forte influência dos road movies. Quando falamos do gênero, os maiores expoentes da atualidade são Tarantino e Rodriguez e foi graças ao que eles reproduziram em seus filmes que conheci muitos outros e tive o prazer de procurá-los no fundo do baú. No momento estou muito interessado na magnitude dos seriados policiais americanos e com certeza se fosse fazer o Parasitas do Lodo nos dias de hoje, é bem provável que o filme sairia diferente, porém todas essas experiências nos trazem certos traços, todos os gêneros e estilos acabam somando. O cinema e todos os seus subgêneros são uma escola; você tem que assistir para realmente aprender e cada uma das disciplinas vão lhe complementando de alguma forma, o que futuramente lhe dará um caminho mais claro a seguir. Fazer cinema é se alimentar de experiências e se alimentar de experiências é posteriormente experimentar sem medo de errar, caso não faça isso, lamento, mas o bicho papão dos clichês e pastelões da vida está sempre aí disposto a lhe pegar para levá-lo lentamente ao fundo do poço. O caminho que parece certo nem sempre é ajustável a todos.

 

Bastidores de "Parasitas do Lodo"
Bastidores de “Parasitas do Lodo”

Música e Cinema: Parasitas do Lodo conta com um elenco desconhecido, porém com bastante intimidade com as câmeras. O vilão De La Roque (interpretado por Fábio Vergani) é um verdadeiro crápula, cruel, imoral e inescrupuloso. Uma interpretação bastante convincente. Sendo assim, diga-nos qual o critério utilizado por você na escolha do elenco? Como chegou ao resultado final?

Fernando Menegatti: O elenco é maravilhoso. Cada um deles já havia trabalhado comigo em algum filme, então foi muito fácil saber do que e quem nós precisávamos. Penso que no Parasitas do Lodo não tivemos bem um critério para escolher os atores, pois os personagens foram criados para eles. Quando escrevi o roteiro era a cara deles que eu via. O fato de conhecer as pessoas com quem você vai trabalhar tem muitas vantagens, pois de certo modo você sabe até onde cada um se permite e consegue explorar melhor o potencial, tanto do filme quanto do ator. Não preterindo os outros, mas De La Roque foi um personagem marcante, inclusive muitas pessoas me agraciaram com elogios quanto à direção do filme referente ao ator Fábio Vergani, por conta da capacidade do personagem em falar com os olhos. Acho isso fundamental, o corpo fala, o personagem precisa ser completo, precisa ter as emoções ou a falta delas à flor da pele, mas ter equilíbrio e fazer do menos o seu mais e Fábio Vergani se saiu muito bem nesse quesito. O Brasil possui uma gama de excelentes atores, mas que infelizmente andam abafados pelo apelativo circense da TV brasileira, o que acaba se espalhando para o cinema nacional muitas vezes. Enquanto a TV americana surgiu do cinema, a TV brasileira surgiu do circo, por conta disso, quando comparamos as produções audiovisuais tanto televisivas como cinematográficas dos dois países, logo percebemos a cruel diferença na qualidade e complexidade de conteúdo.

Música e Cinema: Mediante a críticas positivas ao novo trabalho, você acha que atingiu seus objetivos com ele? A mensagem foi assimilada pelo público?

Fernando Menegatti: Cinema e televisão são como um supermercado, você precisa ter um seguimento para seus diversos produtos, contudo, cada produto ou filme precisa ter seu nicho, seu público-alvo, ou seja; você precisa saber para quem está fazendo o conteúdo. Num supermercado não se vende produto químico para limpeza a uma criança, mas sim a um adulto e é por isso que os produtos estão dispostos nas gôndolas de formas diferentes e alturas diferentes. O Parasitas do Lodo teve um nicho, um público-alvo muito claro, então tenho a certeza que sim, os objetivos do filme foram alcançados, tanto quanto sua mensagem, e isso é facilmente percebido quando você nota que o público-alvo toma o filme como referência para alguma coisa, ou simplesmente o elogia com propriedade no que diz, mas em contrapartida você vê que misturado a este público-alvo está diferentes tipos de públicos e muitos desses não irão gostar, mas cabe a você saber o que quis com aquele determinado produto/filme e medir o quanto foi significativo aos objetivos propostos. Nenhum filme é criado com a intenção de agradar a todos, pois isso não existe. Você pode gostar de mousse de maracujá, mas eu odeio.

Música e Cinema: A meu ver, a maior procura do grande público é pelos blockbusters, as grandes produções de ação e aventura americanas que todos os anos entopem os cinemas de todo o país. Tenho a impressão que a grande massa é alienada nesse estilo inverossímil de entretenimento, deixando de lado o cinema independente, que é um cinema mais focado no lado real e concreto da realidade. Você acha que as grandes produções podem ofuscar e até mesmo tirar o espaço das produções independentes? O público brasileiro é receptivo a este tipo de cinema?

Fernando Menegatti: O grande público procura os blockbusters porque os produtores executivos desses filmes tem dinheiro e sabem como vender o seu peixe. Aqui podemos ligar muito do que eu disse anteriormente. O cinema independente só continua underground, porque não se organiza e quando se organiza acha que os profissionais vivem de vento ou energia solar. Acredito que isso é uma questão muito ampla, os independentes precisam correr atrás do prejuízo. As universidades literalmente expelem milhões de diretores de cinema, entre outros profissionais do ramo, por ano. O cinema independente precisa de produtores executivos, você precisa entender de dinheiro, de como ganhar dinheiro com o que faz antes de fazer. O melhor exemplo para isso foi o que houve na Austrália nos tempos do exploitation. Antes desse movimento forte, ninguém no mundo conhecia o cinema australiano, mas os independentes se uniram e começaram a fazer seus filmes, abordando temáticas, as quais eles achavam que deveriam abordar (siga seu coração J). Estamos falando de filmes com conteúdos e cenas fortes: explosão, destruição, estupros, sangue, mutilações, genitais, entre outros, mas eles foram tão unidos em fazer o que tinham certeza que sabiam fazer que se permitiram investir nos próprios filmes. Formaram uma rede de executivos entre eles mesmos que tiravam do bolso o que podiam, assim foram conseguindo mais espaço nas salas de cinema do país, pois tinham dinheiro para pagar. Com o tempo o público foi apreciando os diferentes gêneros de filmes dentro do exploitation e com o tempo o público foi se identificando com aquele cinema, porque ele estava lá, porque o cinema independente se fazia presente de verdade. Cresceu tanto que produtores executivos de outros países se interessaram em financiar e distribuir os filmes australianos, daí saiu o clássico Mad Max, o que impulsionou a carreira de Mel Gibson. Sem o cinema independente australiano, hoje Mel Gibson não seria nada. Em muitas cidades inclusive dos Estados Unidos os exploitations australianos ganharam mercado e passaram a perna nos próprios blockbusters americanos. Cinema independente organizado cresce, o único problema é que o exploitation padeceu da mesma doença que o Western, não se inovou, não trouxe novos atrativos, tudo que não se renova um dia morre. Realmente acredito que o espaço dos independentes é intocável, pois é do cinema independente que saem novos conceitos, é no cinema independente que de tempos em tempos Hollywood encontra mais sangue para suas veias e absorve os novos talentos. Há público para tudo, desde que sejamos competitivos, é a lei da oferta e procura, você mostra seu produto, mas precisa garantir que ele chegue da forma correta até ao seu público-alvo, então posteriormente as pessoas vão querer mais. É o segredo de qualquer negócio. As leis de incentivo funcionam, mas será difícil de construir algo além da dependência estatal que já se tem para produzir, porque negócio que é negócio parte da iniciativa privada e acontece sem amarras, porém sabemos das dificuldades, mas creio que as leis de incentivo precisam ser encaradas realmente só como um incentivo e não como o caixa eterno que sempre estará ai para o que der e vier, até mesmo porque isso não é verdade. As leis de incentivo são boas, mas estão ligadas ao cenário político que é conturbado. Hoje tem, mas e amanhã? Produção de conteúdo audiovisual é como, por exemplo; legalizar seu pequeno negócio para que um dia ele cresça, hoje você ganha incentivos para isso, que pode ser através de maior facilidade em financiamentos ou pelo simples fato de ter uma carga tributário imensamente menor, mas você sabe que tem que fazer dinheiro para continuar vivendo, para ter sustentabilidade e independência. Um dia você cresce por mérito seu e não precisa mais de incentivos.

Fernando Menegatti urrando no Rotten Penetration!
Fernando Menegatti urrando no Rotten Penetration!

Música e Cinema: Perfeito! Você recebeu algum convite para expor Parasitas do Lodo em algum festival nacional? Existe essa possibilidade?

Fernando Menegatti: Sim. Já recebi vários convites, a maior parte de cine clubes (público-alvo), mas também recentemente recebi um convite para que o filme participasse de um festival. Porém creio que o maior sucesso de um filme é ter um lugar aonde ele possa habitar, e esse lugar é na cabeça do público. Hoje se produz muito, ainda mais se falarmos em curtas metragens, porém pouquíssimos agradam
a alguém e muitos desses ganham uma gama infinita de prêmios em festivais, mas na verdade eles não possuem sentido de existir, porque nenhum público quer vê-los. Conheço produtor de filme Trash que consegue viver só com o dinheiro que ganha vendendo seus filmes, estou falando de filme Trash, criticado e esnobado pelos “intelectuais” cineastas brasileiros. Em contrapartida, pelo que se vê quase todo mundo que ganha prêmios, coroas, plumas e paetês nesse país, por conta de seus conceituados filmes de “arte”, precisam se escravizar produzindo publicidade para ter uma renda. O público é a base de tudo; se não tem público, apague a luz e vá embora.

Música e Cinema: Seus trabalhos anteriores são Às Suas Ordens (2009), Un Baccio su Cristo, Il Santo su Pozzo (2011) e Não Antes das Eleições (2012), todos curtas independentes. Parece-me que você tem um projeto em andamento para um longa. Se isso for verdade, poderia nos adiantar algo a respeito? O que o público pode esperar de você para o próximo trabalho?

Fernando Menegatti: Sim. Desde o final do ano passado estou escrevendo vários roteiros e somente agora estou me aproximando da conclusão do primeiro tratamento. Prefiro ainda não falar nada sobre, até mesmo porque muita coisa pode mudar até a versão final, mas creio que poderão esperar de mim mais maturidade. Aprendi muita coisa com o que fiz até agora e sempre vou ter muito o que aprender, a final, aquele que não tem mais o que aprender já está morto, não é? Creio que o longa-metragem ainda irá demorar algum tempo até estar completamente pronto, mas tenho certeza que muitas outras novidades estarão por vir em breve. Novas parcerias, novos espíritos, fôlego novo!

Música e Cinema: Você possui também uma produtora, a 7FILMZ, que é por onde você lança seus trabalhos. Todos de forma independente, com a cara e a coragem. É muito difícil a vida de cineasta independente no Brasil. Qual o principal empecilho que você encontra para poder colocar seu produto no mercado? Você acha que daqui a algum tempo o panorama pode ser mais favorável para o realizador independente?

Fernando Menegatti: Como você disse, lanço todos os meus filmes pela minha produtora, a 7FILMZ. Um dos maiores empecilhos encontrados é a falta de distribuidoras, o que não é novidade no cinema nacional, ainda mais se tratando de curtas metragens. Por conta disso a 7FILMZ acaba cumprindo também essa função ligada à distribuição. Não tenho certeza se daqui a algum tempo teremos um cenário melhor ou pior, na verdade nós é que teremos que escrever essa história. Sei que se os independentes continuarem desorganizados e com medo de apostarem dinheiro para valer nas próprias ideias (isso gera comprometimento com o sucesso do trabalho) não chegaremos a lugar algum.

Música e Cinema: Além de cineasta, você também é vocalista do Rotten Penetration, uma grande banda de Death/Gore/Splatter que já está na ativa há mais de 10 anos fazendo a alegria dos bangers com paladar mais extremo – eu incluído nessa -, e que possui um conteúdo lírico que daria um ótimo roteiro para o filme de horror gore mais cascudo da história da humanidade (risos). A pergunta é: você já cogitou a hipótese de transformar alguma letra do Rotten Penetration em roteiro para algum curta ou longa-metragem? Isso se tornará realidade um dia? Diga que sim, por favor (risos).

Fernando Menegatti: Claro! Novidades estão por vir. Ainda não posso adiantar muita coisa, mas provavelmente será algo voltado para a internet, onde todos poderão ter acesso imediato.

Música e Cinema: Como cineasta, eu gostaria de saber quais são seus filmes e diretores prediletos e quais suas maiores influências?

Fernando Menegatti: Isso é muito difícil de responder, até mesmo porque a cada dia conheço mais e mais. Sou apreciador de muitos gêneros, mas posso falar sobre alguns já tradicionais, mas que me marcaram:

  • The Godfather I,
  • The Exorcist (1973),
  • Pulp Fiction,
  • Kill Bill I e II,
  • Rope,
  • Psicose,
  • A Viagem dos Comediantes,
  • Evil Dead I, II e II,
  • I Spit on your Grave (1978),
  • Tropa de Elite II,
  • Natural Born Killers,
  • Scarface,
  • Duel,
  • Snatch,
  • Full Contact,
  • The Shining,
  • Laranja Mecânica
  • Chinatown
  • The Good, the Bad and the Ugly… Entre outros.

Quanto aos diretores posso citar alguns nomes como Theo Angelopoulos, Alfred Hitchcock, Quentin Tarantino, Sergio Leone, Stanley Kubrick, entre outros.

Música e Cinema: Profissionalmente falando, o que é mais prazeroso pra você: cantar no Rotten Penetration, ou dirigir e produzir filmes independentes? Em qual destes setores está seu maior público?

Fernando Menegatti: Bem, considero as duas atividades importantes para mim. São momentos muito diferentes, cada um deles trazem experiências diferentes. Gosto de me sentir envolvido escrevendo um roteiro e depois colocando a ideia em prática, mas também gosto da sensação de estar em cima do palco fazendo guturais (risos). Penso que o público que ouve o som e/ou aprecia as letras Rotten Penetration também é meu público em muita coisa do que faço no cinema. A resposta certa é que para mim o cinema e a música estão unidos, um não vive sem o outro.

Música e Cinema: Pra encerrar nosso bate-papo: o que o futuro reserva para o cineasta Fernando Menegatti?

Fernando Menegatti: Ainda não sei, mas espero bons frutos. Penso que uma mudança drástica na TV e no cinema brasileiro terá de ocorrer, isso é inevitável para continuar existindo, portanto gostaria de fazer parte disso.

Música e Cinema: Fernando, foi um prazer falar com você. Obrigado pela paciência para conosco do Música e Cinema. Gostaria de deixar algum recado para os nossos leitores? Fique a vontade.

Fernando Menegatti: Eu é que agradeço ao Música e Cinema pelo grande espaço concedido. Vocês possuem magnífica importância! Gostaria de parabenizar o leitor pelo bom gosto. Agradecer os que acompanham meu trabalho no cinema e também agradecer os que acompanham meu trabalho como vocalista no Rotten Penetration, pois como eu disse; o público é a base de tudo, precisamos de vocês, são vocês que ditam as regras! Por fim, gostaria de deixar o contato da 7FILMZ para os interessados em receber notícias quanto às próximas atividades: [email protected]. Aqui está nosso canal no youtube, ainda não há muita coisa, mas em breve teremos novidades: https://www.youtube.com/channel/UC4dCPGoORiKbPfoDfYgkPeQ . Também gostaria de deixar o link do Parasitas do Lodo que já está na íntegra no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=n8gJe4H-Us0 .

Um grande abraço!

   

    

Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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