Facial Abuse: “Slightly Uncomfortable” (resenha)

Introdução:

            Como grande fã das vertentes mais sujas, pesadas, abjetas, estapafúrdias, grotescas e chucras da música, um de meus passatempos favoritos é a pesquisa por novas bandas destes subgêneros esquecidos por Deus, a fim de informar e saciar a curiosidade de nosso estimado leitor. Se eu agrado com isso? Provavelmente não, mas creio que pelo menos 1% dos leitores do site tem alguma afeição pelo estilo, e é justamente isso que me da força e motivação para continuar, tornando esse mundo um pouco melhor (ou pior, dependendo do ponto de vista).

Facial Abuse em ação!
Facial Abuse em ação!

            Muito bem, após essa pataquada toda, em uma dessas minhas pesquisas pelo universo virtual (e também por indicação de um colega), me deparei com uma banda chamada Facial Abuse. A princípio o nome me chamou bastante a atenção (Abuso Facial em português), mas o que me chamou mais a atenção foi o som. Contando com apenas um álbum em sua ainda escassa discografia, a banda fundada em Västeras – Suécia no ano de 2007 pratica um misto de Hardcore e Grindcore, com uma pincelada de D-Beat pra dar um caldo. Como principal influência do quarteto, é de saltar aos olhos (e ouvidos) logo de cara a presença de muito do que o Napalm Death fez de melhor na sua carreira. Só por isso já é possível afirmar que é um belo início de carreira.

            Com exclusividade aqui no Música e Cinema, nosso querido leitor vai ter ao menos uma noção do que estou falando na resenha a seguir. Slightly Uncomfortable, álbum de estréia do Facial Abuse, definido em poucas palavras. Confira!

 Resenha:

            O Grindcore tem o poder de romper as barreiras e dar um tapa na cara da sociedade capitalista com sua sonoridade agressiva ao extremo e suas mensagens contestadoras de forte cunho político e social. O Napalm Death é a maior banda no estilo. São considerados por muitos como o fundador deste subgênero e, por estarem em posição de destaque na cena e pela qualidade indiscutível de sua obra, acabam gerando seguidores por todo o mundo. Muitas bandas, se espelhando em sua sonoridade e estilo, acabam lançando trabalhos dos mais variados tipos; uns são meras cópias idênticas, porém sem conteúdo algum; outros são muito influenciados – tanto na estética e sonoridade – e são muito bem sucedidos em sua empreitada. Como exemplo dessa segunda premissa, temos o Facial Abuse. O quarteto sueco formado por Mikael Hedberg (baixo), Viktor Kumlin (bateria), Carl Gustavsson (guitarra) e Kim Wikman (vocal) se mostra como um verdadeiro discípulo dos mestres de Birmingham (UK).

Capa do primeiro disco da banda, "Slightly Uncomfortable".
Capa do primeiro disco da banda, “Slightly Uncomfortable”.

            Trabalhando em uma sonoridade que transcende a brutalidade e rispidez, o grupo reúne as principais características da fase mais experimental do Napalm Death (Diatribes e Inside the Thorn Apart), e um pouco daquela fase de retorno ao grindcore clássico, que começa com o Enemy of Music Business e vem até os dias de hoje.

            Seu primeiro álbum, intitulado Slightly Uncomfortable e lançado em outubro de 2013 de forma independente, chega a surpreender pela semelhança sonora com a banda do Barney, mas não se trata apenas de mera cópia barata. É um conjunto muito talentoso, reunindo músicos muito competentes em suas respectivas funções, com um projeto gráfico muito legal e produção de excelente qualidade. Aquele baixo “gordão”, denso e muito pesado está lá, bem como as guitarras velocíssimas e cortantes, despejando riffs simples, mas muito efetivos, e aquela bateria que martela teu cérebro inexoravelmente, causando um prazer que só o verdadeiro fã do estilo sabe descrever. E o vocal? Rapaz, se você fechar o olho vai jurar que o nosso querido Barney Greenway (vocalista do Napalm Death) resolveu dar uma mãozinha para seus colegas escandinavos, e gravou o álbum todo. Até aqueles “backing vocals” estridentes, típicos do Mitch Harris (guitarrista do Napalm Death), também dão o ar da graça no disco.

            Independente da semelhança, trata-se de um verdadeiro petardo de Grindcore. Um álbum contagiante do princípio ao fim. Faixas como Rough Night, a alucinante No Refunds, Brain Dead Bled Out, Inbreed Infantry (uma machadada no crânio!), Close Up e Next To são pequenas pérolas da bestialidade sonora condensadas em um verdadeiro compêndio da destruição. Um exemplo vivo de que as influências foram utilizadas da maneira mais consciente possível, não sendo apenas mais um clone dos inúmeros que temos por aí. Uma banda que tem potencial de sobra para permanecer e se destacar na cena. Basta se empenhar para isso.

            Se é isso que te faz feliz, pode correr atrás sem medo. Não vai ser muito fácil de achar (eu mesmo nunca ouvi falar da banda até ontem), mas vale o sacrifício. Levante o seu traseiro gordo e letárgico da cadeira e se vire. Você não vai se arrepender.

 Nota: 9,0

Formação:

  • Mikael Hedberg (baixo)
  • Viktor Kumlin (bateria)
  • Kim Wikman (vocal)
  • Carl Gustavsson (guitarra)

Faixas:

  1. Rough Night
  2. Deranged Faulty Switch
  3. No Refunds
  4. Brain Dead Bled Out
  5. Inbreed Infantry
  6. Brutal Sunday
  7. Rules of Engagement
  8. Close Up
  9. In Delusion
  10. Next To
  11. Thirsty Men

 

 Contatos:

https://www.facebook.com/FacialAbuse?fref=ts

http://facialabusegrind.bandcamp.com

 http://www.reverbnation.com/facialabuse

[youtuber youtube=’http://www.youtube.com/watch?v=8m9mHM0O_C4′]

 

Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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