Ecliptyka: conquistando terreno

Novas bandas surgem a todo o momento na cena musical. Muitas são de qualidade duvidosa, outras nasceram para brilhar. Felizmente o Ecliptyka faz parte do segundo grupo. Uma banda ainda jovem, com apenas dois álbuns lançados, mas que já demonstra uma qualidade e profissionalismo de fazer inveja a muita banda veterana por aí.

         Lançando seu segundo e mais recente trabalho no ano de 2014, o belíssimo Times Are Changed, o grupo tem se apresentado pelo Brasil afora, arrecadando elogios e cada vez mais fãs, sempre com suas apresentações energéticas e impecáveis. Pra coroar essa fase tão alvissareira da banda, resolvemos bater um papo com o trio de vocalistas: Gui Bollini (também guitarrista), Hélio Valisc (também guitarrista), e a bela Helena Martins pra conhecermos um pouco mais da trajetória, planos e expectativas de uma das bandas nacionais mais bacanas que surgiram nos últimos tempos, Ecliptyka!

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Ecliptyka – entrevista exclusiva

  

Música e Cinema: Bom dia! Prazer falar com vocês. Obrigado por nos conceder a entrevista. Voltemos um pouco no tempo. Quem foi o idealizador da banda? Quando o projeto tomou forma?

Gui: Nós começamos a tocar juntos em 2002, fizemos diversos shows tocando covers e algumas músicas próprias, passamos por fases de estilos e idéias, mas o projeto “Ecliptyka” tomou forma realmente quando o Hélio Valisc entrou na banda em 2008. A partir disto trabalhamos em gravar nosso primeiro disco, A Tale of Decadence,que foi lançado em 2011.

Música e Cinema: Desde o princípio a abordagem musical já era essa, ou foram moldando o som até atingir o resultado atual?

Gui: Nosso som passou por diversas fases desde 2002 quando começamos a compor. Mudamos alguns integrantes até fechar a formação atual em 2008. Quando decidimos lançar nosso primeiro disco já sabíamos que deveríamos ter uma identidade musical, inovadora e inteligente, por isso houve essa demora em lançar um primeiro trabalho completo e consistente.

Música e Cinema: Bandas com vocais femininos e um direcionamento gótico/lírico existem aos montes pelo mundo, porém a Ecliptyka optou pela vertente mais Metal do som, uma abordagem mais agressiva e direta, ainda que com bastante melodia, correto?

Hélio: Sim, neste novo disco (Times Are Changed – 2014) demos uma boa noção para o público que buscamos uma sonoridade mais direta e orgânica. Com a dinâmica dos três vocais, ficou mais simples misturar algumas vertentes, sem perder personalidade e o resultado foi muito positivo, tanto para nós quanto para a crítica. Este segundo álbum firmou o espaço e identidade criada pela banda.

Música e Cinema: É perceptível no som da banda elementos do Metal tradicional, rock, algo de Metalcore americano, Death melódico e até hard rock. Afinal, como podemos denominar a sonoridade praticada por vocês?

Ecliptyka (da esq. pra dir.): Hélio Valisc (guitarra e vocal), Helena Martins (vocal),  Tiago Catalá (bateria), Eric Zambonini (baixo) e Gui Bollini (guitarra e vocal)
Ecliptyka (da esq. pra dir.): Hélio Valisc (guitarra e vocal), Helena Martins (vocal), Tiago Catalá (bateria), Eric Zambonini (baixo) e Gui Bollini (guitarra e vocal)

Hélio: Realmente, como citado acima, gostamos de mostrar do que a Ecliptyka é feita, mas sempre é complicado definir o nosso som (risos). Hoje gostamos de nos definir como uma banda de Rock/Metal.

Música e Cinema: Recentemente a banda lançou seu segundo álbum, o belíssimo Times Are Changed, que já se destaca logo de cara pela linda arte da capa. Uma ilustração bastante enigmática e, de certa forma, surreal. Qual o significado contido nesta imagem? O que a Ecliptyka quis esclarecer com ela?

Hélio: Realmente é uma bela arte e os créditos são do nosso brother Marcelo Campos (baterista das bandas Trayce/ Salário Mínimo). Quisemos mostrar para o público que de uma certa forma, muitas coisas mudaram desde o 1° álbum. Aconteceram fatos e momentos que definiram a banda em vários aspectos, principalmente no quesito musicalidade. O personagem e o ambiente retratam que o caminho foi árduo e cheio de obstáculos, mas que ao fim de tudo, olhando para trás, sabemos que daqui pra frente as coisas mudaram e complementando isto, as músicas do disco dão o mesmo recado.

Música e Cinema: Na sua concepção, qual a principal mudança ocorrida na estrutura musical e lírica da banda em relação ao trabalho anterior?

Hélio: Acima de tudo a banda evoluiu musicalmente. Apesar de ser um disco de certa forma tecnicamente menos complexo do que o A Tale Of Decadence, a profundidade musical do Times Are Changed é superior e honesta ao propósito. É um disco direto e fiel ao que buscávamos durante o processo de composição. Não que o primeiro não cumpra os mesmo quesitos, temos “hits” importantíssimos nele e que nos levaram até aqui, mas são álbuns distintos, tanto em composição quanto em execução.

Capa do novo álbum "Times are Changed"
Capa do novo álbum “Times are Changed”

Música e Cinema: A primeira música de trabalho, justamente a faixa-título, rendeu o primeiro vídeo clipe do novo álbum. Trata-se de uma espécie de manifesto, pois aborda as passeatas e conflitos ocorridos no país em junho do ano passado (a entrevista foi realizada em 2014). Certamente foi um dos episódios mais marcantes da história do Brasil. Sendo assim, gostaria de saber: trata-se de um álbum conceitual, ou apenas essa faixa tem esse foco?

Hélio: Não. Diferente do 1°, este disco não é um álbum temático ou conceitual, pelo menos não diretamente. As letras trazem todo o sentido que a capa e o nome entregam para o público, porém retratando de diversas maneiras que a nossa rotina e dia-a-dia nos imprimem desafios e mudanças a toda e qualquer forma e cabe a nós, lutar e seguir em frente, mas o conceito em relação à faixa título que retrata os acontecimentos de 2013 em nosso país, é único e exclusivo dela.

Música e Cinema: Um dos aspectos que me chamaram a atenção nesse disco foi a facilidade com que a banda cria linhas melódicas e refrãos que grudam na cabeça. Eu simplesmente não consigo esquecê-los (risos). Conte-nos quem é o responsável pela criação dessas linhas e como foi o processo de concepção das mesmas?

Hélio: Que bom que gostou (risos). Tivemos um trabalho bem interessante neste disco, principalmente entre os três vocais. De certa forma cada um foi lapidando as músicas e somando no processo todo, ninguém se limitou ao seu ato particular e isso foi ótimo pra criação das melodias no geral. Durante a pré, o Jean Dolabella (produtor) também somou bastante nas criações e todos juntos, chegamos neste resultado.

Música e Cinema: Ainda sobre melodia e refrãos marcantes, apesar das canções soarem agressivas e bem Metal, creio que elas possuem potencial até para tocarem no rádio, justamente por essa porção melódica. Isso pode ser vantajoso, pois a exposição seria muito maior. Qual sua opinião a respeito?

Hélio: Acredito que tudo é conseqüência do trabalho geral. As criações foram surgindo naturalmente e, em uma ou outra composição, acabamos captando esta direção e não forçamos nada. Temos duas ou três músicas de potencial comercial, com certeza, mas que também não deixam nada a desejar aos fãs mais exigentes e clássicos.

Música e Cinema: De todas as composições presentes em Times Are Changed, qual delas representa com mais fidelidade a personalidade musical da banda?

Gui: Acredito que, pelo fato de apresentar os três vocais, diferentes momentos em uma música direta e honesta, e o tema da letra falando sobre mudança, a própria Times Are Changed representa bem o atual momento musical da banda.

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Música e Cinema: Já que você citou os três vocais, um grande diferencial do Ecliptyka em relação às demais bandas do estilo reside  justamente neste aspecto, pois a banda possui três vocalistas distintos, cada qual com seu estilo, embora a ênfase seja no vocal melódico de Helena. Na hora da criação e produção das faixas, como fazem para dividir a música entre os vocalistas? Como decidem quem vai cantar o quê?

Gui: Nós levamos em conta o texto contido nas letras e partes melódicas de cada parte das músicas. De certa forma, a Helena por ser a vocalista principal é mantida como primordial na hora de cantar, mas se na hora de compor sentirmos que é interessante colocar alguma outra voz ou elemento musical cantando em uma parte específica, nós fazemos. A idéia é manter a atenção do ouvinte sempre ativa e tornar as canções mais dinâmicas.

Música e Cinema: Times Are Changed foi produzido por Jean Dolabella (ex-baterista do Sepultura), que está se tornando um dos maiores nomes da produção nacional. Como foi trabalhar ao lado dele? Ficaram satisfeitos com o resultado? Creio que tenha sido um grande passo para uma banda ainda jovem, não é mesmo?

Gui: Trabalhar com o Jean com certeza foi um divisor de águas na nossa carreira. Ele nos ensinou muito com sua bagagem musical e até mesmo pessoal no quesito de carreira artística, direcionamento musical e performance. Nós saímos completamente satisfeitos com o resultado final e temos a certeza de que fizemos um trabalho de qualidade, muito honesto e fiel.

Música e Cinema: E quanto aos shows? Recentemente vocês abriram para a Tarja em sua última visita ao Brasil. Isso deve ter dado uma ótima projeção ao Ecliptyka, não? Como foi a experiência de abrir para uma das maiores estrelas do estilo? Ela é uma influência para a banda?

Gui: Com certeza foi um momento memorável e importante em nossa carreira, tanto é que falamos dele até hoje! É sempre muito bom ter a chance de dividir o palco com ídolos e profissionais que respeitamos muito. A Tarja (e o Nightwish) tem uma certa influência na nossa música com certeza, pois ela é uma das poucas grandes artistas femininas que representam e tem peso no Rock/Metal.

Música e Cinema: Existem planos para alguma turnê internacional? Algo está sendo agendado? O mundo precisa conhecer Times Are Changed (risos).

Hélio: Muito obrigado! Sim, existem planos em andamento para uma turnê internacional, porém não fechamos nada ainda. O contato existe e temos alguns suportes fora do país que estão trabalhando em parceria para isso. Mas até o momento não temos datas exatas. Talvez algo para agosto/ setembro de 2015.

Música e Cinema: Helena, apesar de não praticar canto lírico na banda, você tem uma linda voz, muito potente e afinada. Você estuda canto?

Helena:Muito obrigada! Sim, o estudo em canto é e deve ser constante. Comecei a estudar muito cedo, quando tinha 12 anos de idade, e não parei desde então. A princípio estudei canto lírico, mas depois que entrei para o Ecliptyka, com 16 anos de idade, percebi que não era bem o que eu e a banda buscávamos. Comecei então a estudar canto popular e mais voltado pro rock, e até hoje não parei. O que mais vale nos estudos de canto, além de você entender as técnicas para não machucar as cordas vocais, é toda a bagagem que você acumula para conseguir expressar a sua identidade vocal, mostrar quem você realmente é e se firmar como tal. Na minha opinião, é isso que faz de um cantor um artista realmente, e é isso que eu busco sempre.

 Música e Cinema: Já te disseram que você é a cara da Simone Simons do Epica (risos)?

Helena:Já sim, muitas vezes! (risos). É claro que fico lisonjeada, pois a Simone é belíssima. E muita gente que nunca ouviu nosso som e vê alguma foto nossa, logo de cara já acha que fazemos o mesmo tipo de música que o Epica, unicamente por causa disso. Mas estamos bem longe deles, musicalmente falando. É tudo, na verdade, apenas coincidência.

Música e Cinema: Agora que o segundo disco foi lançado e está começando a ser promovido, quais as expectativas de vocês? O que o futuro reserva para o Ecliptyka?

Hélio: Tivemos bons shows no 2° semestre de 2014, para públicos novos e que ainda não tínhamos nos apresentado, o trabalho segue e estamos abrindo a agenda para o 1° semestre de 2015. Quanto ao futuro, estamos planejando mais um, talvez dois videoclipes para este semestre, além dos planos da turnê internacional e um streaming para os fãs de longe, que ainda não podem ir aos nossos shows. Vamos seguindo!

Música e Cinema: O que o Ecliptyka escuta quando não está fazendo música? Todos os integrantes têm gosto musical parecido, ou cada um escuta uma coisa diferente?

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ecliptyka-2014-2000x1333Gui: Nossos gostos musicais variam fortemente apesar de algumas semelhanças e talvez isso seja um dos fatores responsáveis pela dificuldade de definição do estilo da banda. A Ecliptyka escuta desde Pop, Funk (não o carioca, pelo amor de deus), Soul, Blues e todos os estilos e variações de Rock/Metal.

Música e Cinema: Pra encerrar, gostaria de saber quais as cinco bandas responsáveis por moldar a personalidade do Ecliptyka?

Gui: Iron Maiden, Guns and Roses, Killswitch Engage, Halestorm, Alter Bridge.

Música e Cinema: Pessoal, muito obrigado por sua atenção. O Música e Cinema agradece e deseja toda a sorte do mundo pra vocês. Algum recado para os nossos leitores? O espaço é de vocês.

Gui: Nós é que agradecemos a oportunidade de falar de nosso trabalho! Muito obrigado ao Música e Cinema! Para os leitores, esperamos que vocês gostem de som da banda e que venham aos nossos shows para gente se divertir junto com muito Rock and Roll e Metal! Keep rockin’!

Contatos:

 

http://ecliptyka.com/site/

https://www.facebook.com/ecliptyka?fref=ts

Ecliptyka: Times Are Changed (Die Hard/ nacional / 2014 –resenha)

  

         Quem não conhece, ao ver a foto da banda pode pensar: “Jesus, lá vem mais banda de Metal gótico com vocal operístico pra encher o saco”. Mas ainda bem que é só a impressão mesmo, pois o que o Ecliptyka mostra em Times Are Changedestá muito além disso. O quinteto formado por Gui Bollini (guitarra e vocal gutural), Helena Martins (vocal), Hélio Valisc (guitarra e vocal melódico), Tiago Catalá (bateria) e Eric Zambonini (baixo) destila todas as suas influências de Metal tradicional, progressivo, Rock clássico, Metalcore americano, Power Metal e muitas outras, porém tudo moldado e incorporado a um estilo bastante próprio, criando uma música difícil de ser rotulada, mas muito agradável de se ouvir. Pra facilitar, é tudo Metal da melhor qualidade e ponto final.

         O que mais me chamou a atenção na audição desse disco, obviamente além da qualidade técnica de todos os músicos, foi a grande capacidade e facilidade que eles têm de incorporar melodia e refrões marcantes às composições, criando músicas que, involuntariamente, nos pegamos a cantarolar dias depois de ouvir o trabalho. Ao meu ver é algo que poucas bandas conseguem atualmente. Além disso, os três vocais intercalados na maioria das composições permitem uma mudança de clima e andamento que envolve o ouvinte, agradando tanto quem curte uma sonoridade mais calma e tranquila quanto quem curte algo mais pesado. O vocal de Hélio se assemelha muito ao do Cris Cornell (Soundgarden), fazendo um contraponto perfeito entre o gutural de Gui e o melódico/agudo de Helena, criando uma sonoridade belíssima. Sendo assim, algumas faixas obtem destaque quase que imediato,tais como Times Are Changed (primeiro vídeo clipe de trabalho), com refrão muito marcante na voz de Hélio; Embrace the Pain, Changed and Gone e a comovente balada Save Me From Myself, embora todas as composições presentes no trabalho sejam de muita qualidade. A banda está ainda mais entrosada e afiada do que no primeiro álbum, o que indica que encontraram o seu caminho e por ele pretendem seguir por ainda muito tempo. Não posso deixar de citar a excelente produção de Jean Dolabella (Family Mob Studios e ex-baterista do Sepultura), que fez mais um grande trabalho e mostra o por quê é considerado um dos maiores profissionais da área no Brasil. A ilustração da capa é uma das mais bonitas que vi nos últimos tempos, cortesia do grande artista Marcelo Campos (baterista do Salário Mínimo), que certamente serviu como um ótimo cartão de visitas para a banda e vai chamar a atenção nas prateleiras das lojas de todo o mundo.

         Pois bem, meus amigos, apesar de eu ser fã da vertente mais brutal da música, o Ecliptyka foi uma agradável surpresa pra mim. Dêem uma chance a esse pessoal. Vocês vão se surpreender.

Nota: 9,0

 

Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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