Duro de Matar: uma franquia explosiva (primeira parte)

Duro de Matar (Die Hard) é um filme estadunidense produzido em 1988. Obteve grande sucesso de público e crítica, sendo considerado um dos maiores filmes de ação da história do cinema. Protagonizado por Bruce Willis no papel do impagável policial John McClane, o filme foi baseado no romance lançado em 1970, intitulado Nothing Lasts Forever, do escritor Roderick Thorp. Com direção do renomado John McTiernan (Predador, Caçada ao Outubro Vermelho), foi o filme que alçou Bruce Willis a condição de astro de primeiro escalão do cinema de ação americano. Pra se ter uma idéia do estrondoso sucesso na época, a produção teve um orçamento estimado em 28 milhões (uma merreca para os padrões atuais. Com esse valor hoje em dia não se produz nem um episódio do Chapolin Colorado), porém arrecadou mais de 140 milhões. Pagou as contas e ainda sobrou muito dinheiro!

            Perante o sucesso exorbitante, nada mais natural do que uma seqüência (no caso, mais quatro): Duro de Matar 2 (Die Hard 2/1990), desta vez dirigido por Renny Harlin; Duro de Matar: a Vingança (Die Hard With a Vengeance/1995), novamente dirigido por John McTiernan; Duro de Matar 4.0 (Live Free or Die Hard/2007), dirigido por Len Wiseman e o último capítulo lançado recentemente chamado Duro de Matar: Um Bom Dia para Morrer (A Good Day to Die Hard/2013), dirigido por John Moore.

            Obviamente, por ser uma franquia contendo cinco partes (por enquanto, pois há rumores de uma sexta parte prevista para os próximos anos), é de se esperar seus altos e baixos, porém, no âmbito geral, a série representa com louvor o autêntico cinema de ação, tendo como protagonista o esteriótipo do herói americano: o cara durão, que combate um exército sozinho e ainda tem tempo para soltar ótimas frases de efeito e piadas prontas recheadas de humor ácido, além de salvar a sua amada no final.

            Como grande fã da série, pra mim é mais que uma honra elaborar esse artigo, sendo assim, a seguir conferimos uma breve resenha de cada episódio, bem como sinopse e informações técnicas dos mesmos. Por ser uma série longa e que rende muitos comentários, resolvi publicar o artigo em duas partes para não tornar a leitura cansativa. Em breve teremos a segunda parte. Divirta-se muito!

 Duro de Matar (Die Hard/1988): resenha, elenco e informações

Cartaz de divulgação de "Duro de Matar" (Die Hard/88)
Cartaz de divulgação de “Duro de Matar” (Die Hard/88)

            Sinopse: John McClane (Bruce Willis) é um detetive de Nova York que vai a Los Angeles para se encontrar com sua esposa (Bonnie Bedelia), que trabalha em uma grande corporação japonesa, porém, ao chegar no prédio onde ela trabalha, percebe uma movimentação estranha e descobre que o edifício foi invadido por um grupo de terroristas alemães que estão atrás de uma fortuna em títulos. Agora, McClane terá que lutar por sua vida e a de sua amada.

                      Após John Rambo (Sylvester Stallone) exterminar milhares de soldados russos e vietnamitas como se fossem míseras baratas em Rambo II – A Missão (First Blood part2/1985), e John Matrix (Arnold Schwarzenegger) dar cabo de quase um país inteiro pra salvar sua filha de seqüestradores inescrupulosos em Comando para Matar (Commando/1985), eis que surge um novo ícone da ação pra aterrorizar os meliantes. John McClane (porque cargas d’água praticamente todo herói de ação se chama John?), interpretado brilhantemente por Bruce Willis, chegou ao cinema de ação trazendo aquele típico herói que combate o crime e não exita em pregar fogo nos vagabundos, porém com um diferencial em relação aos demais: um lado mais humano, marido e pai de família, sem ser necessariamente uma montanha de músculos, mas com muita astúcia e bom humor ao seu favor.

            Trabalhando em Nova York e viajando para Los Angeles para encontrar sua esposa, em plena véspera de Natal, lá descobre que o edifício onde ela trabalha foi tomado por terroristas em busca de uma fortuna em títulos, ou seja, que bela forma de comemorar essa data tão especial, não é mesmo? Sendo o exemplo vivo da pessoa errada no lugar e hora errados, McClane vai ter que suar sangue pra se safar dessa e salvar sua esposa.

Mas que diabos eu estou fazendo aqui?!
Mas que diabos eu estou fazendo aqui?!

            Com um roteiro bem amarrado e trama segura, o filme é eletrizante do começo ao fim; além disso, o cenário da ação é um diferencial, pois foram deixados de lado as florestas asiáticas, instalações militares ou prisões de segurança máxima, para dar lugar a um arranha-céu de uma grande multinacional, deixando um clima de insegurança e claustrofobia no ar. As cenas de ação são surpreendentes, muito bem elaboradas e executadas (como a seqüência na qual John McClane tem que saltar do terraço do edifício prestes a explodir, estando amarrado por uma mangueira de incêndio na cintura. Era os primórdios do bungee jump, isto só pra citar uma); além disso, o núcleo da bandidagem também merece destaque. O chefe do grupo, Hans Grubber, é interpretado com maestria pelo ator inglês Alan Rickman (o professor Snape de Harry Potter). Um sujeito muito culto e elegante, mas que não passa de um grande lazarento. Os diálogos entre ele e John McClane são antológicos e fica até difícil imaginar outros atores interpretando os respectivos personagens. Simplesmente não daria certo. Tem fundamental importância também no desenrolar da trama o Sargento Al Powell (Reginald VelJohnson), o policial que acompanha toda a operação do lado de fora do edifício, conversando e dando informações pelo rádio para John. Acaba surgindo daí uma inesperada amizade.

            Muito bem, já me estendi demais. Creio que praticamente todo mundo já assistiu a este grande clássico, sendo assim, tudo que eu disser aqui será redundância; agora, caso o leitor ainda não tenha tido o prazer de testemunhar a noite de Natal mais “animada” da história, está esperando o quê? Vá já assistir e depois me fale. Clássico absoluto e imperdível!

John McClane (Bruce Willis) esperando seu amigão Hans Grubber (Alan Rickman)
John McClane (Bruce Willis) esperando seu amigão Hans Grubber (Alan Rickman)

Elenco:

  • John McClane (Bruce Willis)
  • Holly Gennero (Bonnie Bedelia)
  • Hans Grubber (Alan Rickman)
  • Sargento Al Powell (Reginald VelJohnson)
  • Karl (Alexander Godunov)

Direção: John McTiernan

Duração: aproximadamente 130 minutos

Duro de Matar 2 (Die Hard 2/1990)

Tensão em dobro em "Duro de Matar 2" (Die Hard 2/1990)
Tensão em dobro em “Duro de Matar 2” (Die Hard 2/1990)

            Sinopse:  Numa noite de Natal, no aeroporto internacional de Washington, John McClane (Bruce Willis) está esperando pelo vôo de sua esposa Holly Gennero(Bonnie Bedelia), mas um grupo de terroristas que exigem a soltura de um perigoso general ligado ao narcotráfico seqüestra o aeroporto, colocando em risco todos os passageiros e pessoas presentes no local. Agora, McClane terá que utilizar toda a sua habilidade e inteligência no combate a esta terrível ameaça.

            Rapaz, se no episódio anterior o policial John McClane (Bruce Willis) se via em maus lençóis contra um grupo de terroristas que infernizavam sua vida, aqui a coisa é só um pouco pior. Definitivamente, o nosso amigo John não curte comemorar as festas natalinas de forma convencional. Isso é para posers! O negócio dele é comemorar em alto estilo; para isso, nada melhor que festejar em um aeroporto seqüestrado por terroristas, enquanto aguarda a chegada do vôo de sua esposa.

            Contando com um orçamento bem maior que o do primeiro, um novo diretor com experiência em ação (Renny Harlin) e um novo roteiro recheado de situações beirando o inverossímil, Duro de Matar 2 é um verdadeiro espetáculo visual, pode acreditar!

Recarregando para o segundo tempo.
Recarregando para o segundo tempo.

            Bruce Willis repete o papel que o consagrou, um policial durão que age como um cowboy, quase indestrutível, porém com um coração totalmente mole no que se refere à esposa. Neste episódio, além de salvá-la de uma morte iminente, ainda tenta salvar milhares de pessoas inocentes que se encontram no aeroporto “sitiado”. A princípio, enquanto espera a chegada de sua esposa, nosso herói percebe uma movimentação estranha no restaurante do local. Como o cara não é tonto nem nada, resolve alertar as autoridades do local sobre sua suspeita, porém não dão a mínima para a opinião dele. Conforme vai verificando suas suspeitas, descobre que um grupo terrorista liderado pelo Coronel Stuart (Willian Sadler) seqüestra o aeroporto, impedindo a decolagem e aterrissagem de aviões, tudo isso porque aguarda a chegada de um general renegado ligado ao tráfico de drogas que fora extraditado, o General Ramon Esperanza (Franco Nero). Não bastasse tudo isso, John McClane ainda aguarda sua esposa, que está impedida de pousar por conta do domínio dos criminosos à torre de controle. O tempo passa, o combustível da aeronave vai se acabando, e a situação se torna cada vez mais crítica. Conseguirá McClane combater mais esta terrível ameaça? Sua esposa conseguirá pousar em segurança? Assista e confirme.

            Apesar das diferenças de roteiro, a ação é mais ou menos uma “reciclagem” das idéias do primeiro filme. Obviamente o ambiente é outro, os interesses escusos dos criminosos também, mas o desenrolar da trama acaba sendo semelhante. Renny Harlin emprega um ritmo mais frenético e até um pouco mais tenso em relação ao filme anterior, com muitas cenas de luta, inúmeros tiroteios, perseguição de snow mobiles na floresta, briga em cima da asa do avião em movimento e até a explosão do mesmo, num espetáculo digno das melhores produções do gênero.

            O filme mostra também, num aspecto negativo, como a imprensa sensacionalista é capaz de tornar uma situação já crítica por natureza em algo caótico. As autoridades tentando manter a população alheia a situação, a fim de evitar o pânico, e a imprensa fazendo de tudo pra divulgar a notícia para o mundo todo, o que realmente acontece, causando um verdadeiro tumulto generalizado no aeroporto, comprometendo ainda mais a situação.

            Vale lembrar mais uma vez que Bruce Willis nasceu para esse papel. Ele é o próprio John McClane, soltando frases de efeito a todo momento, bem como mantendo o bom humor até mesmo quando está próximo da morte. Definitivamente, é o grande momento de sua carreira. Destaque também para o chefe da segurança do aeroporto, um paspalho total chamado Carmine Lorenzo (Dennis Franz). Desde o começo do filme ele é alertado por McClane sobre a ação dos terroristas, mas acha que tudo é uma balela, percebendo somente no final da trama de que o colega estava certo. A interação dele com Bruce Willis rende ótimas situações, conferindo boa dose de humor. O núcleo do mal do filme também é digno de respeito, com ótima performance de William Sadler (Coronel Stuart), Franco Nero (Ramon Esperanza) e John Amos como Major Grant, o líder de uma equipe anti-terrorista do exército que é enviada ao local para tentar conter a situação, mas que se revela um crápula (assista e veja como).

Tô cansado disso já!
Tô cansado disso já!

            Trata-se de entretenimento da melhor qualidade, chegando em alguns momentos até a superar a produção original, mas isso é só minha opinião pessoal. Assistam e tirem suas próprias conclusões.

Elenco:

  • John McClane (Bruce Willis)
  • Holly Gennero (Bonnie Bedelia)
  • Al Powell (Reginald VelJohnson)
  • Coronel Stewart (William Sadler)
  • Capitão Carmine Lorenzo (Dennis Franz)
  • General Ramon Esperanza (Franco Nero)
  • Major Grant (John Amos)

Direção: Renny Harlin

Duração: aproximadamente 122 minutos

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Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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2 Comentários

  1. infelizmente os dois últimos foram uma porcaria os dois primeiros foram primorosos e terceiro mediano…

  2. Dica: toda vez que tiver que enfrentar qualquer situação difícil na vida (seja ela qual for), mande a melhor frase do mundo “Yippie kay-yay, motherfucker! ” e encare a parada. Parabéns pelo post.

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