Crítica | Mãe! – É bom? Devo assistir?

Talvez “Mãe!” seja o filme mais controverso de 2017. Tanto os críticos quanto o público, divergem completamente quando o assunto é a nova produção de Darren Aronofsky. O diretor já provou sua ousadia e criatividade em “Cisne Negro” (2011), além de outros ótimos filmes como “O Vencedor” (2010).

É preciso entender que “Mãe!” não foi concebido como um filme de entretenimento puro. Sua construção é recheada de referências e subjetividades. Tudo está inserido em um contexto amplo e complexo. Cada cena tem uma função narrativa muito específica e importante. Trata-se de um filme para ser assistido muitas vezes!

Mãe! (2017)

Direção: Darren Aronofsky
Elenco: Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Ed Harris, Michelle Pfeiffer, Brian Gleeson, Domhnall Gleeson.
Gênero: Suspense
Duração: 2h02
Nacionalidade: EUA

A história é conduzida pelo casal formado por Jennifer Lawrence e Javier Bardem. Isolados numa bela casa, cercada por um vasto bosque, eles seguem uma vida tradicional. Ele, um poeta com dificuldades para escrever, e ela uma dedicada dona de casa, que passa seu dia entre as tarefas domésticas e a reforma do local, que já foi completamente destruído por um incêndio.

Parecendo sofrer uma crise no relacionamento e um distanciamento grande, mesmo com o esforço da esposa em procurar seu marido, o casal tem sua rotina alterada quando um estranho (Ed Harris) chega e dá início a uma série de visitantes.

Pela idieia inicial, tudo parece correr para um tradicional thriller psicológico, porém Aronofsky mostra sua construção ligada a temas bíblicos. O diretor já havia trabalhado assim em “Noé” e agora embarca na subjetividade para estabelecer conexões.

A casa, que sangra, tem baticamentos e literamente vive junto com o casal, é uma importante etapa narrativa. O casal e a casa transpiram sentimentos. Os visitantes causam irritação na anfitriã, enquanto seu marido parece gostar do convívio com outras pessoas.

Com o tempo esse incômodo vai se intensificando e o desconforto aumenta nos espectadores. O filme passa a ser um caos (incrivelmente organizado pelo diretor). Quando tudo parece estar prestes a explodir, Aronofsky mostra sua capacidade de organizar uma boa linha narrativa.

“Mãe!” não é apenas mais um filme com referências bíblicas. É uma imersão no universo de criador x criatura, com muitas críticas a situação ambiental. O ciclo da vida e da morte está presente a todo momento. A mensagem é clara: o homem está no centro do caos.

É difícil escrever sobre “Mãe!” sem entregar spoilers irritantes. Com certeza é um dos melhores trabalhos de Darren Aronofsky. Comparado com Lars Von Trier, o diretor mostra que é a versão que deu certo!

O elenco foi muito bem escolhido e o resultado final é um trabalho de engenharia. Tudo está exatamente onde deveria e cada plano esconde muitas mensagens e possibilita diferentes interpretações. É um filme que gera desconforto e que pode surpreender os que buscam o cinema como entretenimento puro. Abra sua mente e dê uma chance para Aronofsky!

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Sobre Leonardo Caprara

Idealizador e fundador do site, tem profunda paixão pela música e pelo cinema, desbravando os mais diferentes sub-gêneros dentro destes dois maravilhosos nichos e procurando levar o melhor conteúdo para os fiéis leitores do Música e Cinema!

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