Crítica: Demolidor – segunda temporada

A primeira temporada de Demolidor foi o primeiro projeto realizado pela parceria Netflix e Marvel Studios. E ao contrário do universo cinematográfico da Marvel, a série trouxe um tom sombrio e dramático para os personagens, sem economizar na violência ou momentos tensos, destoando bastante dos filmes. Porém, mesmo sendo diferente, a série teve sucesso tanto entre público quanto pela crítica, mostrando que o estúdio pode apostar em tons diferentes para suas tramas. Mas com a chegada da segunda temporada, será que o público veria mais do mesmo ou a Netflix expandiria ainda mais seus horizontes?

Demolidor – Segunda temporada

Enquanto a primeira temporada focava no desenvolvimento de Matt Murdock como Demolidor e em Wilson Fisk como Rei do Crime, sem desviar muito desses arcos, a segunda temporada apresenta um ritmo bem diferente, explorando vários personagens, e não centralizando em apenas dois. Por isso, além da série apresentar personagens novos, também explora bastante os que já faziam parte da história, criando mais dinamismo, principalmente na figura de Karen Page, que também serve como guia ético da história, sempre interpretando de forma diferente a atitude dos vigilantes, interpretada pela ótima Deborah Ann Wolf.

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E apesar de ser uma uma história sobre super heróis, a série traz uma discussão super atual e importante, como, até que ponto a pena de morte é justa e até que ponto um criminoso pode se recuperar. E essa temática fica explícita nos diálogos brilhantes entre Demolidor e Justiceiro, que parece muito com a realidade atual, sendo visivelmente um discurso de direita vs esquerda. O roteiro tem a sensibilidade também de mostrar que enquanto os dois tem visões distintas, também estão divididos por uma linha minuciosa, já que também são muito parecidos em algumas atitudes, sendo na forma como finalizam os bandidos sua única diferença

Aliás, apesar de Charlie Cox ser um ótimo Demolidor, Frank Castle é o ponto alto da série, com Joe Bernthal se estabelecendo como o Justiceiro definitivo. O ator consegue ter o carisma necessário para o personagem, afinal ele é um anti-herói, mas também transparece toda a perturbação e insanidade do personagem, como também demonstra a segurança e frieza do herói nas cenas de ação. E apesar de desde o início ficar clara a crueldade do personagem, ele consegue dividir o público em vários momentos, sendo inevitável torcer por ele.

Mesmo com a entrada de Elektra, interpretada de forma madura por Elodie Yung, destacando toda a força e sensualidade da personagem, a discussão ética entre matar ou prender criminosos continua, mas se torna mais pessoal devido a relação íntima dela com Murdock, o que mexe mais com o protagonista. Porém o ritmo cai um pouco com o ingresso da personagem, apesar dela ser bem desenvolvida, mas a história abandona um pouco o tom urbano e realista que estava tomando e abraça questões místicas de organizações japonesas que demoram para se encaixar no ritmo da série. Mas não compromete a qualidade, já que quando essa nova vertente é estabelecida mostra-se interessante.

E com uma discussão tão profunda a cerca da atitude dos heróis, a fotografia e direção de arte não poderia apostar em outros tons que não fossem os escuros. Por isso, vemos o apartamento de Murdock várias vezes iluminado apenas por luzes do lado de fora, e os prédios das organizações criminosas sempre apresentam paredes escuras e ambientes mal iluminados, destacando o quão sombrio é aquele universo. Os poucos momentos em que vemos ambientes claros são no escritório de advocacia, delegacias ou na redação jornalística, mostrando que apenas nesses locais e entre essas pessoas as coisas são claras e limpas.

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Outro destaque são as cenas de ação coreografadas de forma perfeita, com qualidade cinematográfica e filmadas em planos médios, de forma que o público entenda todos os movimentos dos personagens. Outro ótimo recurso utilizado são os planos sequência, o que acrescenta mais intensidade e realismo às lutas. Ocorre uma cena numa escadaria em plano sequência que é uma das coisas mais bem feitas em séries nos últimos tempos.

E além da temporada ser muito eficiente em contar sua história, ela também estabelece pontos interessantes para temporadas futuras, sendo competente em satisfazer o público com a temporada atual, mas também empolgando para o futuro. A série também é muito fiel aos quadrinhos, mostrando várias referências e easter eggs ao longo dos episódios.

A segunda temporada de Demolidor consegue agradar tanto o público mais casual, quanto os fãs da Marvel mais aficionados, sendo não apenas um ótimo produto produzido pela Netflix, como também uma das melhores histórias existentes no Universo Marvel, mostrando que o estúdio pode criar entretenimento de diversos gêneros e de forma madura.

Sobre Fernando Campos

Estudante de jornalismo, mas principalmente, um cinéfilo apaixonado. Vê no cinema muito mais que uma arte, mas uma forma ensinar, inspirar, e o mais importante, emocionar as pessoas. Por isso, gosta de escrever para que os leitores possam se aprofundar nesta arte tão rica. Não tem preconceito com nenhum gênero, desde que tenha um bom filme. Está sempre disposto a conversar sobre cinema.

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