Cinco capas de disco que vieram pra chocar

Introdução:

             Desde seu surgimento na longínqua década de 50, o Rock’n’Roll surgiu para abalar as estruturas da sociedade moderna. De forte caráter contestador, surgiu da união do Blues, do Country, e algo de música negra americana, gerando uma sonoridade forte e contagiante. Elvis Presley, quando apareceu rebolando igual uma lagarta epilética (o que lhe rendeu a alcunha de “Elvis the Pelvis”), causou um misto de horror e espanto (ainda mais naquela época tão conservadora) em todas as platéias por onde se apresentava. Naquela ocasião, aquilo era como se fosse uma “boquinha da garrafa de Satanás”.

            Passado vários anos, novos artistas foram surgindo, e nosso bom e velho Rock foi sendo mais aceito pela sociedade, arregimentando cada vez mais fãs fiéis. Novos sub-estilos se formaram ao longo das décadas, o caráter contestador e de protesto ainda permanecia, porém algumas bandas excediam (e ainda excedem) o limite do bom senso. O nobre leitor deve estar se perguntando: “tá, mas e daí?”. Calma, eu explico com o maior prazer.

            Além da sonoridade vigorosa, por meio da qual as bandas solidificavam seus protestos e opiniões acerca de uma gama infinita de assuntos, se fazia muito importante uma boa apresentação desse material, com uma boa capa, ilustrando de alguma forma as convicções daquele artista. Como a propaganda é a alma do negócio, muitas bandas investiam pesado nas ilustrações da capa de seus discos, como forma de publicidade e divulgação, mas as bandas mais extremas (Death, Black e Gore Metal) – surgidas mais para o final da década de 70 em diante -, além de divulgarem seus trabalhos, queriam mais é chocar e causar repulsa mesmo. Muitas chegaram em um nível de brutalidade tão anormal em seus projetos gráficos que foram banidas de muitos países por onde tentavam atingir o mercado.

            Sendo assim, nada mais interessante do que criarmos um artigo sobre as capas de disco mais brutais já vistas pela humanidade. Algumas são realmente o “supra sumo” da perversão e insanidade. Um soco de bigorna na cara da sociedade conservadora! Só o Música e Cinema pra ter coragem o suficiente pra te trazer isso. Só peço para que você leia e se divirta o mais rápido possível, pois certamente os “censores” vão nos banir depois desta.

Cinco capas de disco que vieram pra chocar:

  1. Cannibal Corpse: Butchered at Birth (1991)

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20120713225738!Butchered_at_BirthO segundo álbum do quinteto de Buffalo (NY) apresenta uma capa que é um primor do bom gosto e da finesse; mas também, com um nome desse (algo como “estripado no nascimento”), não poderíamos esperar por outra coisa. Death Metal dos mais brutais, com o vocal de urso fumante de Chris Barnes causando pesadelos até no bicho-papão. Obviamente, o trabalho sofreu sérias restrições no mercado, principalmente nos países mais conservadores, onde recebeu até uma capa preta por cima da original, pra não causar repulsa nas pessoas mais sensíveis. Recebeu o selo de “qualidade” de “Parental Advisory: explicity lirics” com louvor. Recanto de clássicos como Meat Hook Sodomy, Under the Rotted Flesh e Covered With Sores. A trilha sonora ideal para um batizado ou uma festa de debutante (da filha do capeta, só se for).

  1. Deicide: Once Upon the Cross (1995)

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deicide-once-upon-the-cross-1995-cd-ex-ex-us-cd-import-13804-MLB2910581335_072012-FPolêmica, muito prazer. Meu nome é Deicide. Se existe uma banda que é chegada numa controvérsia das boas, essa é o Deicide. Começando pelo nome ( Deicide significa, segundo o próprio Glen Benton, “Ódio contra as Religiões”), passando pelos títulos de canções como Christ Denied, When Satan Rules His World e Confessional Rape, e concluindo com uma capa que demonstra muito “apreço” pela figura de Jesus Cristo, tudo na banda é pra polemizar ao extremo. Apesar de eu achar que tudo não passa de teatro (vide o episódio do “suicídio programado” de Benton), o baixista e vocalista mais fanfarrão da história da humanidade continua firme e forte em sua cruzada contra o cristianismo e agregados. Idiotices e radicalismos a parte, é um puta disco bom. Confira, mas faça como eu: escute escondido, pois é treta da grossa!

  1. Carcass: Reek of Putrefaction (1988)

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Escutando esse disco, dá pra sentir o odor nauseabundo saindo das caixas de som. E essa capa então (uma espécie de “salada de frutas” do Hannibal Lecter)? Quando a peguei nas mãos pela primeira vez, senti até asco. Deu vontade de lavar as mãos e tomar um banho na hora. Os pais do Splatter/Gore sabiam causar como ninguém, criando provavelmente a obra mais abjeta e controversa de todos os tempos. O som é de uma brutalidade ininteligível; uma barulheira infernal, que serve como uma palestra musicada sobre medicina legal. Desnecessário dizer o impacto causado por esta obra imunda. E tome Genital Grinder, Maggot Colony, Vomited Anal Tract, Suppuration, entre outras pérolas da putrefação em forma de música. Clássico! 

  1. Marduk: Fuck me Jesus (1991)

Marduk - Fuck Me Jesus

marduk-fuck-me-jesusPrimeira demo da banda, que posteriormente foi lançada oficialmente em cd com outra capa. E que capa, meus queridos! Seguindo a escola Reagan (O Exorcista) de educação sexual, a mesma mostra um momento de muita intimidade com um crucifixo. O respeito ao catolicismo, ao cristianismo e as demais religiões passou a léguas de distância daqui. Com mensagens explicitamente satânicas, este foi o início de carreira de uma das melhores bandas de Black Metal que existem. Destaque para Within the Abyss.  Marduk rules!

  1. Wurdulak: Severed Eyes of Possession (2002)

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wurdulak_severed_eyes_of_possessionEu fico imaginando a reação que minha saudosa mãezinha, uma católica das mais fervorosas, teria ao se deparar com esse disco. Imagino também qual a reação dela caso soubesse que seu único filho tão adorado tem essa desgraça em sua coleção de discos. Desculpe, mãe. Eu ainda vou à missa todos os domingos. Banda paralela de Killjoy (Necrophagia), Fug (Necrophagia e outros), Maniac (ex-Mayhem e outros), e outros malditos da música extrema, que certamente foi fundada para exteriorizar todo ódio contra as religiões em geral (principalmente contra as pobres freiras. Veja a foto da capa e compreenda minha colocação). Músicas como Rescued by Oblivion, Son of Man, Sin Eater e Severed Eyes of Possession funcionam como verdadeiros capítulos da bíblia do anticristo. Chegaram longe demais aqui (tanto que seu último lançamento é o split dvd Drunk, Damned & Decayed, lançado em 2005); após isto, nunca mais ouvi falar deles (da banda, pois os caras continuam por aí, firmes e fortes). Certamente morreram e foram queimar no inferno das bandas impuras, que creio que é o lugar de origem desses malucos. Ótimo disco de se ouvir, mas vá se confessar depois pra purificar sua alma .

    Pois bem, chegamos ao fim de mais um artigo. Espero que tenham gostado. Cuidem-se e até a próxima, amiguinhos!

 

 

 

Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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