Cinco capas de disco que vieram pra chocar – parte II

Introdução:

             Após o estrondoso sucesso da primeira parte (até parece), me senti na obrigação de presentear o nobre leitor do Música e Cinema com a segunda parte de Cinco Capas de Disco que vieram para Chocar, afinal, o que mais tem nesse mundo é capa de disco brutal. Dá pra fazer mais umas dez partes no mínimo, mas vou poupar-lhes de tamanho desgosto e sofrimento. Se na primeira parte eu peguei pesado, nessa aqui eu excedi todos os limites. Atinge um outro patamar. Se você é cardíaco, epilético, tem pressão alta, diabetes, ou está grávida, sugiro que desista agora; agora, se a tua praia é uma grosseria das boas, leia e se identifique com algumas das obras mais asquerosas e brutais da música pesada mundial. Espero que gostem.

 As Cinco Capas em Questão:

XXX Maniak: Harvesting the Cunt Nectar (2004)

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  Uma dupla de psicopatas enrustidos dá vida a esse projeto mais que bizarro. Em seu primeiro e único full lenght (a banda possui outros registros, mas só splits), lançado em 2004, o XXX Maniac tem como função principal horrorizar e chocar quem se submete a ele. Um goregrind violentíssimo, com bateria eletrônica programada em uma velocidade desumana dá corpo e forma a canções que são verdadeiras obras shakespeareanas. Espie só os títulos: Desperately Craving Anal Attention, A Knife Called Pussylicker, Catholic Slut, Semen for the Basement Slaves, entre muitas outras, que farão a alegria dos pervertidos e depravados de plantão. E essa capa então? Protagonizada pelos próprios integrantes, Matt Moore (guitarra, baixo e programação) e Anthony West (vocal e samples), mostra os mesmos em pleno trabalho em uma atividade pouco convencional, digamos assim. É bruta, suja, asquerosa e repulsiva, mas muito bem feita e repleta de detalhes, que cada hora que observamos encontramos novos elementos. Resumindo, é música boa, mas só pra ouvidos amaciados por longos anos de extremidade.

Brujeria: Matando Güeros (1990)

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  Quando surgiu em 1990, o Brujeria veio cercado por toda uma aura de mistério e obscuridade, pois, rezava a lenda, o mesmo era formado por guerrilheiros mexicanos extremistas, que pregavam o ódio e o racismo como política, e estavam sempre com os rostos ocultos por máscaras. Ninguém sabia de quem se tratava, mas logo foram desmascarados. Por trás de pseudônimos como Asesino, Fantasma, Hongo e Pinche Peach, estavam músicos muito conhecidos no meio, como Dino Cazares (Fear Factory), Bill Gold (Faith no More), Shane Embury (Napalm Death), entre outros. Praticando um grindcore/death metal dos mais extremos, enaltecendo o tráfico de drogas, entre outras patifarias em suas letras, o primeiro disco da banda se destacou na época pela originalidade e grosseria explícita (afinal, naquela época, era bem pouco comum grindcore cantado totalmente em espanhol, além de todo aquele apelo visual e lírico). E essa capa então? Coisa linda de viver (ou de morrer, né?). Mostra a imagem real da cabeça de alguém que foi decapitado por um trem, tudo muito explícito e sem firulas. Ahh, como eram mágicos os anos 90!

Prostitute Disfigurement: Embalmed Madness (2001)

 Prostitute Disfigurement: Embalmed Madness

    De uma meiguice e ternura encontrados somente numa Galinha Pintadinha, só que não! Brincadeiras a parte, temos aqui uma afronta à moral, à família e aos bons costumes. Pense comigo: uma banda com o nome de “Desfiguração da Prostituta”, que lança um disco chamado “Loucura Embalsamada”, e que ilustra sua capa com uma mulher “cavalgando” um cadáver decapitado e em adiantado estágio de putrefação, tá querendo o quê? Promover a paz mundial e proteger as baleias? Não, meus amiguinhos! O negócio aqui é atingir o máximo em brutalidade que alguém em pleno gozo de suas faculdades mentais pode conseguir. Algo ofensivo e extremo, como só as boas bandas holandesas podem nos oferecer. Feasting on Remains, Choking on Defecation, Rotting Away is Better Than Been Gay (olha o preconceito…hehehe), e On Her Guts I Cum são os destaques dessa bela obra da contraversão musical. Obrigatório!

Meat Shits: Sniper at the Fag Parade(2002)

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Se julgarmos somente pela capa, certamente este é um álbum que merece posição de destaque não só nessa, mas em qualquer lista dos “mais polêmicos” de qualquer lugar do mundo. O apelo visual e lírico aqui é algo que desafia o bom gosto. Pena que o som seja uma porcaria sem precedentes. Formado na época apenas por um insano chamado Robert Deathrage (vocal, instrumentos e samples), o disco sofreu censura em tudo quanto é canto. Tudo nele é ofensivo, principalmente o conteúdo lírico, que demonstra forte teor homofóbico e racista. Se nosso chapa Deathrage realmente odeia a bicharada ou se é só pose, nunca saberemos, mas o negócio aqui gera desconforto. Ele só devia ter deixado um pouco de lado a preocupação exacerbada em chocar e ter focado mais na música, que é o que realmente importa. Nem vou destacar nenhuma música, mas se tiver curiosidade, é por sua conta e risco.

Waco Jesus: The Destruction of Commercial Scum (1999)

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    Desde que eu era um garoto ouvia meu pai sempre dizer: “O homem pode perder tudo nessa vida, menos o bom senso”. Naquela época, por ser muito jovem, eu não entendia muito bem qual a mensagem contida nesse argumento, mas hoje compreendo e vejo que ele tinha razão. Essa capa do primeiro trabalho dos americanos do Waco Jesus demonstra que o bom senso e o bom gosto aqui foram para o espaço para sempre. Provavelmente os caras nem sabem o que é isso. Além de brutal, o negócio aqui é nojento, chegando às raias do escrotismo (se é que esse termo existe). O som é um Brutal Death Metal muito veloz e pesado, com aquelas belas mensagens edificantes e de auto-ajuda. Mass Pussy Obliteration, A Butt Plug in Your Pussy My Fist up Your Ass e Cunt Killer falam por si só. Apesar da capa totalmente desnecessária, a sonoridade compensa. Ótimo disco, mas jogue o encarte fora.

            Muito bem, meus queridos, essa foi a segunda parte do “Cinco capas de discos que vieram para chocar”. Espero que tenham gostado. Leiam, comentem e compartilhem. Grande abraço e até a próxima!

*Obs.: Em virtude da censura, as imagens das capas do Waco Jesus e do Meat Shits não estão aparecendo no artigo. Realmente são imagens muito fortes que podem impressionar as pessoas mais sensíveis. Por conta disso, disponibilizei os respectivos links no lugar dessas fotos. Caso o leitor tenha curiosidade, é só acessá-los para visualizar a imagem. Peço desculpas pelo transtorno. Obrigado!       

Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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One comment

  1. gostei das capas e muito louco esse negocio

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