Cavalera Conspiracy: Fúria em família!

Os irmãos Max e Iggor Cavalera estão com sangue nos olhos e fogo nas ventas. Pandemonium, seu terceiro e mais novo petardo, é de uma violência e urgência que não se vê por aí todos os dias. Max já havia afirmado que o disco novo seria direto e objetivo, como um tiro certeiro, sem influências exóticas, convidados ou qualquer outro elemento que pudesse ofuscar a sua verdadeira essência maléfica, e ele entregou o que prometeu. Estamos diante de um dos álbuns mais pesados e agressivos lançados neste ano.

            A seguir você confere a resenha exclusiva do álbum. Babyloniannnn Pandemoniummmm!

 

Cavalera Conspiracy: Pandemonium (Napalm Records/imp./2014)

Capa de "Pandemonium", novo disco do Cavalera Conspiracy
Capa de “Pandemonium”, novo disco do Cavalera Conspiracy

 

Max Cavalera é certamente um dos maiores workaholics do mundo do Metal (ficando atrás somente do Dan Lilker, Shane Embury e Phil Anselmo). O cara está sempre pronto pra lançar algo, e não foi diferente desta vez com o lançamento de Pandemonium, terceiro álbum de estúdio do Cavalera Conspiracy. Deixando cada vez mais de lado as experiências musicais e focando muito mais no peso e na agressividade, Max apresenta aos fãs este que pode ser considerado seu material mais brutal. Se os discos anteriores eram demasiadamente parecidos entre si, parecendo até ser um “volume 1 e 2”, que apesar de serem dois ótimos discos, apresentavam uma sonoridade um tanto plastificada e polida em vários momentos, aqui os irmãos resolveram meter a bicuda no bom mocismo, em uma manifestação sonora das mais primitivas possíveis. Max conseguiu, finalmente, formar a identidade do Cavalera Conspiracy. Contando com três quartos da formação original, quem ocupa o posto de baixista deixado por Tony Campos agora é Nate Newton (Converge), músico talentoso que revigorou a energia do grupo, e isto fica claro logo nos acordes iniciais de Babylonian Pandemonium, uma raquetada na orelha de background praticamente Death Metal. A produção está correta, deixando tudo propositalmente bem “curto e grosso”. É tapa na cara a todo o momento.

            Banzai Kamikazi tem início com as guitarras ultra velozes e cortantes de Max e Marc, fazendo uma verdadeira muralha de peso, além disso, mais pro terço final da canção aparece o som de uma sirene, aquelas que são acionadas nos ataques aéreos, dando ainda mais sentido ao título. Scum, que não é a do Napalm Death mas é quase tão brutal quanto, começa com um som de baixo de fazer o Lemmy (Motörhead) e o Cronos (Venom) corarem de vergonha e procurarem outra ocupação nas páginas de classificados. Uma verdadeira carnificina, com o vocal de Max chamando novamente a atenção, pois além da tonalidade mais baixa, apresenta bastante distorção, conferindo uma dose extra de agressividade à composição. Só esse trio inicial já deixa o ouvinte atordoado, mas ainda tem muito mais diversão pela frente com I, Barbarian, com refrão marcante e um belíssimo desempenho de Rizzo na guitarra solo. O rapaz toca muito, conseguindo ser virtuoso em meio ao caos sonoro. Outras faixas a serem destacadas são Apex Predator, Not Losing the Edge, The Crucible (contando com Nate Newton nos vocais) e Porra, a única cantada em português. Essa última faixa citada, segundo o próprio Max, só saiu desse jeito porque se trata de um bônus, por isso ele relaxou e deixou os últimos resquícios de Soulfly em início de carreira aflorarem, pois abusa dos berimbaus, violas, batuques e enaltece a cultura e o folclore brasileiro, mas ainda bem que todo o restante do álbum vai contra essa maré.

Cavalera Conspiracy (esq. pra dir.): Iggor (bateria), Max (vocal e guitarra) e Marc Rizzo (guitarra)
Cavalera Conspiracy (esq. pra dir.): Iggor (bateria), Max (vocal e guitarra) e Marc Rizzo (guitarra)

            A capa também é um destaque a parte, pois abole o logotipo simples dos dois “C” que fora utilizado nos dois primeiros discos e dá lugar a uma arte que chega as raias do surreal, abusando das cores vivas e formando uma imagem semelhante a um tanque de guerra estilizado, um trabalho gráfico um tanto diferente, criado pelo artista e grafiteiro brasileiro Stephan Doitschinoff.

            Muito bem, meus caros senhores, com esse novo trabalho torna-se evidente que o Cavalera Conspiracy já deixou de ser projeto há muito tempo. É, sim, uma grande banda com metas estabelecidas, e que ainda tem muito, mas muito gás a oferecer. Essa nova formação ainda vai fazer história, podem ter certeza.

Nota: 9,0

   

Formação:

 

  • Max Cavalera (vocal/guitarra)
  • Iggor Cavalera (bateria)
  • Marc Rizzo (guitarra)
  • Nate Newton (baixo)

Faixas:

 

  1. Babylonian Pandemonium (03:35)
  2. Banzai Kamikazi (04:04)
  3. Scum (02:28)
  4. I, Barbarian (03:24)
  5. Cramunhão (05:25)
  6. Apex Predator (03:45)
  7. Insurrection (03:49)
  8. Not Losing the Edge (05:10)
  9. Father of Hate (03:31)
  10. The Crucible (03:27)
  11. Deux Ex Machina (06:29)
  12. Porra (06:00)

Contatos:

http://www.cavaleraconspiracy.com/

https://www.facebook.com/cavaleraconspiracy?fref=ts

https://soundcloud.com/napalmrecords/cavalera-conspiracy-bonzai-kamakazi

Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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