Canábicos: bebendo em boas fontes, banda entrega um dos melhores discos do ano

São décadas de rock. Milhares de discos, bandas e lançamentos já estiveram e estão no mercado. Neste contexto, falar em originalidade é algo muito relativo. O grande parâmetro é a qualidade. Lançando seu quarto disco, a Canábicos mostra que bebe em ótimas fontes e entrega um rock autêntico e nacional.

De longe o disco mais pesado da banda, “Intenso” chega após os promissores “La Bomba” (2013), “Reféns da Pátria” (2014) e “Alienígenas” (2015). Com letras em português, vocal limpo e harmonias muito bem alinhadas, o grupo mostra muita maturidade neste trabalho.

Ao escutar o disco, logo vem a cabeça trabalhos de bandas como a Cachorro Grande. São discos ótimos, com referências claras a diversas fases do rock, mas que interpretam todas as informações e transformam isso num trabalho autêntico. Pelas letras, é fácil dizer que a Canábicos realmente tem o que falar.

Desde 2013 na estrada, a banda tem Clandestino (vocal), Murcego González (guitarra/vocal), Mustafá (bateria) e MM (baixista). A produção de Gustavo Vazquez também deve ser destacada. O material está muito bem organizado. O “cozinha” dá o ritmo e as deixas perfeitas para as entradas melódicas. MM e Mustafá estão alinhadíssimos. Murcego, que também faz parte do Uganga, apresenta um trabalho mais próximo do rock psicodélico (em relação aos outros discos). Clandestino não se acomoda, arrisca mais e dá muita personalidade na interpretação das letras.

O disco começa com “Planeta Estranho”. Uma música cheia de groove, algo evidenciado na própria letra, que diz “Eu fiz um groove pra você dançar”. Uma letra curta, mas muito divertida. As referências aos alienígenas novamente presentes. Os solos e riffs de guitarra dessa música são muito bem pensados.

Fora da Lei é uma música muito encorpada, evidenciando muito o amadurecimento da banda. A letra literalmente acompanha um fora da lei. Acompanhando os riffs de Murcego, MM dita o ritmo. Clandestino, com muita personalidade, canta como se fosse o verdadeiro fora da lei.

Intenso chega para dar uma quebra no ritmo. Uma música para flutuar. Com muito trabalho de percussão, vocais com alternância e uma boa base. Se nos outros discos era possível notar forte influência de blues e rock clássico, Intenso, tanto a faixa título quanto o disco, agregam muito do rock progressivo.

As linhas de bateria dão uma ótima condução para Não Faz Sentido. Os backing vocals ajudam no equilíbrio e a produção parece ter sido certeira. Cada faixa está exatamente onde deveria estar.

Lei do Cão é a música mais rock n’ roll do disco. Uma boa letra e muita intensidade. Remete muito às produções dos anos 80, com muito groove e mostrando que o simples bem executado, é uma das melhores fórmulas. Mais uma vez, um grande trabalho de MM!

Com uma introdução ao estilo Van Halen, Viagem Espacial é uma faixa divertida. Talvez a música mais pop do disco. Ponto de equilíbrio importante.

Se os Inocentes já reclamavam da Rotina em seus primeiros discos, os Canábicos falam sobre os dias iguais e o tédio de seguir sempre na mesma direção.

Praticamente todas as letras são compostas por Clandestino e Murcego. Em Eu Não Sei O que Vai Ser de Mim, novamente um trabalho em dupla. A música de mais de 7 minutos é uma das maiores letras do disco. A música é uma mescla de rock psicodélico, progressivo e hard. Um belo encerramento.

Intenso é um belo disco. Ouça em um som de qualidade e garanto que não se arrependerá. A banda bebe em ótimas fontes. Proposital ou involuntariamente, eles usam boas características de diversas fases. Até lembranças dos materiais mais pesados da jovem guarda é possível ter. O rock vive e com muitas boas bandas!

Sobre Leonardo Caprara

Idealizador e fundador do site, tem profunda paixão pela música e pelo cinema, desbravando os mais diferentes sub-gêneros dentro destes dois maravilhosos nichos e procurando levar o melhor conteúdo para os fiéis leitores do Música e Cinema!

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