Body Count: Fala merda? Leva tiro!

Em recente entrevista à imprensa americana, Ice T afirmou que não tinha a intenção de retornar a carreira de rapper, pois o atual rap é muito bonzinho, mainstream demais, mas que tinha a idéia de retornar com sua banda, o nosso querido Body Count, pois já tinha praticamente um disco composto e que este era brutal demais. Realmente, o negócio é bruto mesmo e atende pelo nome de Manslaughter.

            Em seu mais recente álbum, Ice T continua a detonar tudo e todos, sem se preocupar se está ou não ofendendo alguém, como já é de se esperar do BC. Contando com nova formação e uma ótima produção, o registro pode ser considerado como uma nova fase da banda, muito mais pesada e começando a deixar de lado a veia rap que sempre permeou a trajetória do grupo.

            Lançado praticamente agora, tive acesso ao material e, pelo menos a meu ver, é o que soa melhor até hoje. Um verdadeiro álbum de Metal/HC, sem malabarismos desnecessários. E já que tive acesso a ele, porque não expor minha opinião acerca do mesmo, não é?

            Confira agora, com exclusividade, a crítica desse mais novo petardo da banda mais Metal do Rap (ou seria mais Rap do Metal?) aqui no seu site preferido. BC is in the house….again!

Body Count: Manslaughter (resenha)

Capa brutal de "Manslaughter"
Capa brutal de “Manslaughter”

 Os “mano” do Metal ressurgem com toda a força e fúria em Manslaughter, quinto álbum de estúdio do Body Count, e a primeira impressão que temos ao ouvirmos a bolachinha é de que os caras não têm o mínimo receio de se expressarem da forma mais ríspida e contundente possível.

            O título do trabalho já gera expectativa (“assassinato de homens” numa tradução literal) e, ao contrário de seu antecessor, o pouco divulgado Murder 4 Hire, aqui temos composições intensas, empolgantes e muito bem produzidas. Talvez isso seja uma contribuição direta da nova formação, que agora conta com Juan Garcia (Juan of the Dead para os chegados) na guitarra (ex-Agent Steel e EvilDead), e Ill Will na bateria. Ainda temos por aqui alguns indícios do gangsta rap, afinal, essa é a origem do nosso querido “T de gelo”, mas em Manslaughter o que prevalece é o Metal na sua mais pura concepção, além de algumas passagens Hardcore pra dar aquele clima de guerrilha urbana tão comum ao trabalho do BC.

            O instrumental está muito pesado, com guitarras bastante densas em todas as composições, e solos sensacionais de Ernie, que vem obtendo cada vez mais destaque na banda. O que o neguinho toca nesse disco não é brincadeira! Ice T continua com aquela pose de rapper malandrão, com seu vocal característico que já se tornou a marca registrada do grupo, e a cozinha de Vincent Price (não é o ator) no baixo e Ill Will na bateria marcam presença vigorosa, fazendo o peso ecoar por toda a audição do trabalho.

BC is in the house!!
BC is in the house!!

            São 14 faixas em quase uma hora, mas que passam voando, tamanha a qualidade das mesmas. Um álbum que mantém o padrão do início ao fim, graças ao time vencedor por trás dele. Os destaques são vários: Talk Shit, Get Shot, o primeiro vídeo do trabalho, representa um recado um tanto duro para os falastrões, em um título auto-explicativo; Pray for Death é sensacional, muito pesada e com refrão marcante; 99 Problems BC é o resquício Rap que nunca pode faltar, contando com linguagem pesadíssima (é tanto “bitch”, “fuck” e “shit” que deixariam minha mãe horrorizada) e andamento hip-hop. Uma ótima canção! A faixa título contém o melhor trabalho de guitarras do disco, com peso em profusão, andamento cadenciado e refrão se destacando sempre; Institutionalized 2014 é uma excelente versão do grande clássico do Suicidal Tendencies, com uma letra totalmente modificada, mantendo apenas o ritmo e o refrão da original. Pesada, agressiva e hilária; Pop Bubble é Metal moderno puro e duríssimo, com participação de Jamey Jasta (Hatebreed) dividindo os vocais com Ice, num resultado magnífico, e I Will Always Love You, a balada do cd, prestando uma homenagem aos veteranos e às forças armadas americanas. Uma forma de agradecimento por todo o serviço prestado.

            Como é de praxe em nossas resenhas, eu não posso simplesmente ignorar a produção gráfica e sonora do petardo. A capa sofreu até uma censura, apresentando aquele aspecto “embaçado” em algumas cópias. Bobagem isso! Só porque mostra a banda portando armas e pisando sobre uma pilha de cadáveres. Meiguice pura!

            O melhor trabalho da banda sem pestanejar, facilmente presente na lista de melhores do ano do nosso site. Um retorno digno de uma banda que tem ainda muita história pra contar. Essencial!

Nota: 9,0

 

 

Formação:

  • Ice T (vocal)
  • Ernie C (guitarra solo)
  • Juan Garcia (guitarra)
  • Ill Will (bateria)
  • Vincent Price (baixo)
  • Sean E Sean (vocal de apoio/samples)

Faixas:

 

  1. Talk Shit, Get Shot (3:47)
  2. Pray for Death (3:40)
  3. 99 Problems BC (3:09)
  4. Back to Rehab (3:25)
  5. Manslaughter (3:13)
  6. Get a Job (3:01)
  7. Institutionalized 2014 (3:46)
  8. Pop Bubble (3:24)
  9. Enter the Dark Side (3:30)
  10. Bitch in the Pit (3:00)
  11. Black Voodoo Sex (3:58)
  12. Wanna Be a Gangsta (3:45)
  13. I Will Always Love You (5:14)
  14. 99 Problems BC (Rock Mix) (3:22)

Contatos:

https://www.facebook.com/bodycountofficial?fref=ts

http://sumerianrecords.com/artist/details/id:35/Body+Count

https://myspace.com/bodycount

Assista ao vídeo de Talk Shit, Get Shot

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Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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