Blind Pigs: Mais punks do que nunca!

O Blind Pigs é um dos maiores expoentes do punk rock nacional. A banda formada por Henrike (vocal), Gordo (guitarra), Galindo (baixo), Fabiano (guitarra) e Arnaldo (bateria) acaba de completar 20 anos de carreira, e nada melhor pra comemorar esta data tão especial do que um novo disco. Capitânia é o nome do petardo e, apesar de conter apenas oito faixas em pouco mais de quinze minutos, já é o suficiente para deixar o ouvinte atordoado. Punk Rock verdadeiro, feito por quem é professor no assunto. Na entrevista a seguir conversamos com o guitarrista Gordo e o vocalista Henrike sobre o novo disco, sobre a recente turnê pelo Brasil, os 20 anos de carreira e outras curiosidades. Com vocês, os Porcos Cegos…..ops, Blind Pigs!!

Blind Pigs (da esq. pra dir.): Galindo (baixo), Gordo (guitarra), Henrike (vocal), Arnaldo (bateria) e Fabiano (guitarra)
Blind Pigs (da esq. pra dir.): Galindo (baixo), Gordo (guitarra), Henrike (vocal), Arnaldo (bateria) e Fabiano (guitarra)

Entrevista Blind Pigs

            Música e Cinema:Boa tarde, pessoal. É um prazer falar com vocês.

             Gordo; Nós que agradecemos a oportunidade.

             Música e Cinema: O Blind Pigs completou 20 anos de carreira recentemente. Gostaria de saber como vocês avaliam todos esses anos de atividade. Qual o balanço geral da carreira? O saldo foi positivo?

             Gordo: Sim, foi muito! Fizemos quase tudo o que queríamos do jeito que realmente queríamos. Não gravamos pandeiro em música, não mudamos melodias ou rearranjamos  músicas,os discos saíram exatamente como queríamos, tocamos quando quisemos e nunca fizemos algo no qual não tenhamos tido total autonomia. Falando em realização pessoal, o saldo foi mais que bom.

             Música e Cinema: O Blind Pigs é uma das maiores, se não a maior, banda punk do Brasil, fazendo grande sucesso no underground nacional. Como é manter a banda por todo esse tempo e tocando este tipo de som, num país onde o funk e o pagode infelizmente imperam? Como é a cena punk brasileira? Ainda existe um movimento forte como na década de 80 e 90?

             Gordo:  Nunca tocamos pelo movimento. Não fazemos parte dessa leva punk dos anos oitenta; eu cresci ouvindo hardcore punk americano e europeu a partir dos 11 anos de idade e só fui conhecer uns anos depois a cena brasileira . Tocamos por satisfação pessoal mesmo! Pra banda ter ficado tanto tempo na ativa tem 2 motivos: amor pelo trabalho e a amizade, sem isso nada seria possível. Acredito que hoje em dia o movimento é menos radical e as pessoas assimilam melhor do que há 30 anos atrás. Muito disso é culpa da onda hardcore dos anos 90 no mundo, e no Brasil isso se deve, além das bandas, ao hangar 110 e as revistas de rock que começaram a enxergar o estilo com menos preconceito, já que é musica rápida, gritada e simples, sem firula, sem dispor de muita técnica ou habilidade nos instrumentos.

Henrike nos braços da galera em show da última turnê, no Cine Jóia - SP
Henrike nos braços da galera em show da última turnê, no Cine Jóia – SP

             Música e Cinema: Capitânia é o quinto álbum de estúdio de vocês e acaba de ser lançado. Eu tenho o disco e posso dizer que é um dos materiais mais empolgantes que já ouvi nos últimos tempos. Sensacional! Como tem sido a repercussão a este novo trabalho? Saiu como vocês planejavam?

             Gordo: Sim, talvez esse disco tenha chegado o mais próximo do que sempre consideramos como uma boa produção! O Átila, técnico de som e produtor, juntamente comigo, fizemos um excelente e minucioso trabalho! Falo da produção, não das músicas. Quanto à composição, foi legal, pois há muito não gravávamos coisas novas, então teve aquele frio na barriga de fazer um bom álbum, já que o Heróis ou Rebeldes era um grande disco pra nós. Eu fiz todas as músicas e cinco letras das oito do total eu dividi com o Henrike, e o Ale as outras três; digo isso pois o Mauro, nosso ex-baixista, fazia músicas comigo antes, mas nesse eu fiz praticamente sozinho, incluindo todas as melodias do disco.

             Música e Cinema: Há um intervalo de sete anos entre Heróis ou Rebeldes e Capitânia. O que houve com o Blind Pigs nesse recesso? Por que a demora no processo de composição do novo álbum? 

            Gordo: Pois é, paramos uns anos, pois precisávamos mesmo. Na época, parecia algo ruim, mas o tempo nos fez perceber onde estavam nossos erros e acertos, pois pela primeira vez víamos tudo de fora. Às vezes o músico cria expectativas com o trabalho e muitas vezes tendem a se frustrar quando as coisas não saem como planejado. A vida e a idade passam e você começa a ver que muito do que você esperava não aconteceu; isso gerou, no nosso caso, uma certa frustração, somando ao fato dos shows na época não terem uma boa estrutura, tomávamos um calote a cada dois shows, então tudo isso detonou uma revolta pessoal em cada um da banda, era a hora de parar mesmo! Foi ótimo sim, pois esse ano de 2013 que voltamos vimos tudo melhorar, pois fizemos um bom planejamento, tudo ficar mais organizado e dividido em temporadas,assim todo mundo pode seguir suas vidas ,se concentrar em família e trabalho, sem ficar o ano inteiro deslumbrado e alcoolizado.

             Música e Cinema: Nos álbuns anteriores vocês apresentavam um forte acento HC nas composições, porém neste trabalho vocês estão mais punks que nunca. Todas as músicas seguem a linha punk clássica, com influências de Forgotten Rebels, Rancid e até Clash. Esta era a idéia inicial? Uma volta às raízes?

 Gordo: Talvez, mas por influência, quem compõe acaba se influenciando pelo que gosta de ouvir, de um jeito ou de outro. Talvez por ficar tanto tempo sem compor, eu tive uma necessidade pessoal de buscar as minhas raízes, coisas que me influenciaram pra estar hoje aqui, mas como disse, foi algo natural. Minha única preocupação era não fazer o mesmo que eu já havia feito, ainda que dentro do estilo; tentar sempre inovar e surpreender, não que isso tenha acontecido, mas a idéia era exatamente essa: renovação.

"Capitânia", o novo trabalho do Blind Pigs
“Capitânia”, o novo trabalho do Blind Pigs

            Música e Cinema: O álbum todo é muito linear, apresentando agressividade, velocidade e melodia tão comuns ao estilo. A grande surpresa foi a última música, intitulada Adolescência Acabou. Confesso que levei até um susto, pois trata-se de uma balada, a primeira da carreira da banda. Muito melódica e bastante melancólica até, reflete o final da adolescência de uma forma bastante saudosista. Lembrou-me muito as baladas do Social Distortion. Quiseram um diferencial, ou foi só por experimentação mesmo? 

             Gordo: Quando o Blind parou anos atrás, eu comecei a compor coisas em outros estilos, abri a mente pra outro tipo de proposta dentro do que eu sempre gostei de ouvir, isso me fez compor muita coisa que ainda não saiu. Quando estávamos terminando os ensaios antes de entrar em estúdio, eu não estava muito contente com uma das músicas, ninguém da banda estava, foi quando, vasculhando a minha memória, lembrei dessa música, Adolescência, que fiz logo após o Blind acabar mesmo, ai mostrei a todos e decidimos gravar. Realmente é um som diferente, por isso mesmo eu tinha dúvidas quanto a gravá-la com a banda, mas me convenceram, o Henrike na verdade me convenceu, e no final acho que fizemos bem em gravá-la. Admiro muito as bandas que fazem boas músicas sem se prender ao histórico delas, e de um jeito ou de outro ela acabou soando como Blind Pigs. Isso foi legal, pois somos pessoas de mente aberta e não precisamos ficar presos a uma fórmula apenas.

             Música e Cinema: União é um dos grandes destaques do novo álbum. Muito empolgante, com refrão que gruda na cabeça, porém o que mais chama a atenção na canção é a presença de um instrumento no mínimo curioso: um banjo. Além de ser inusitado para a proposta da banda, ele conferiu uma melodia e originalidade únicas. De quem foi a idéia de introduzir o banjo à música?

             Gordo: União foi a música que ficou pronta mais rápido nesse disco. Eu estava voltando de uma viagem e dentro do ônibus comecei a ouvir toda a melodia na minha cabeça, como se alguém a cantasse no meu ouvido. Quando cheguei em casa, eu gravei e mandei pro Henrike, já com uma letra, aí eu e ele lapidamos as frases. Gosto de compor com o Henrike, pois ele completa a coisa. Não gosto muito de fazer sozinho; minhas músicas preferidas no Blind são de minha autoria e dele. Quanto ao banjo, foi idéia do Ale Galindo (baixista), pois já falávamos em gravar uma música com um instrumento diferente, experimentar, felizmente acabou ficando legal e se tornou uma boa música, porque é assim, mesmo que eu faça as músicas elas só se tornam grandes músicas quando todos participam. Somamos idéias, ideais, e em conjunto tudo fica melhor.

             Música e Cinema:  A julgar pelo título e conteúdo lírico, Antro de Trastes me parece ser uma singela “homenagem” a alguém. Quem é o homenageado na letra: a classe política ou algum “nó-cego” em especial?

             Gordo: É uma “homenagem” a um tipo de ser humano comum em qualquer sociedade, ninguém em específico. Tenho certeza que qualquer pessoa conhece alguém assim, seja amigo, político ou familiar, acho que todos no Blind Pigs concordamos em fazer letras que não sejam tão obvias, pra cada um tirar sua própria conclusão.

             Música e Cinema: Henrike, analisando a arte, título do disco e a música Sentinela dos Mares, a idéia de vocês era prestar uma homenagem à marinha? É uma forma de homenagem ao seu pai, que é oficial da Marinha brasileira?

             Henrique: Sim, com certeza! Sentinela dos Mares é uma letra de minha autoria e é inspirada na carreira do meu pai, mas também é uma letra sobre a trajetória do Blind Pigs. Tenho muito orgulho do meu pai e de sua carreira na Marinha do Brasil. Ele é Capitão de Mar-e-Guerra. Meu pai me apresentou ao punk rock quando eu tinha uns nove ou dez anos de idade. Além de ser oficial da Marinha, ele é um grande colecionador de discos e me ensinou quase tudo que sei hoje sobre rock. Quando fiquei mais velho, ele me apresentou a minha outra grande paixão, o Rockabilly, mas não as bandas “revival”, e sim os artistas da época, dos anos 50. Posso dizer que ele de uma maneira ou outra foi responsável pelo Blind Pigs existir, colocando em minha alma o amor ao verdadeiro rock’n’ roll.

"Blind Pigs", disco de 2002
“Blind Pigs”, disco de 2002

             Música e Cinema: O novo álbum tem uma produção primorosa a cargo de Átila Ardanuy, bem como uma um conceito gráfico muito bonito, muito bem embalado em um belo digipack. Como tem sido as vendas? Creio que em tempos de download ilegal de arquivos pela Internet isso tenha abalado um pouco, não?

             Gordo: Realmente o Átila na produção e o Paulo Rocker nas artes fizeram um ótimo trabalho, assim como o zona punk que acreditou e investiu nessa volta. As vendas tem sido muito boas, mas fizemos questão de disponibilizar grátis todas as músicas na rede, pois comprar o CD ou o vinil é uma opção de quem gosta, mas nos impressionamos sim com a procura. A banda não está muito preocupada em vender, estamos preocupados em fazer boas músicas pra nós mesmos e ter um bom material pra quem coleciona cd ou vinil, essa é a idéia.

                       Música e Cinema: Recentemente vocês encerraram uma turnê por várias cidades brasileiras, e afirmam que shows agora é só para o ano que vem. Como repercutiu a turnê? Tudo correu como o planejado?

             Gordo: Sim, foi tudo perfeito! A Fusa records é uma ótima produtora de shows e tudo ocorreu como planejado. Novos shows só depois da copa, justamente por todos na banda terem profissões paralelas à musica.

             Música e Cinema: Henrike, no último show da recente turnê realizado no Cine Jóia em São Paulo, durante a execução de Sete de Setembro, seu filho mais velho subiu ao palco para dividir os vocais com você. Como foi essa experiência de cantar junto com o herdeiro? Creio que deva ter sido um dos momentos mais marcantes de toda sua carreira, não?

             Henrike: O show do Cine Jóia ano passado foi definitivamente o melhor show da minha vida. Lotamos a casa e foi uma grande festa. Mostramos que apesar de estarmos longe do palco há uns cinco anos ainda temos uma verdadeira e fiel Legião de Inconformados em SP. Quem não foi, perdeu. O Pedro, meu filho mais velho, subir no palco e cantar comigo foi foda demais! Me emocionou, quase chorei, e não foi nada planejado, ele que resolveu na hora subir, pegar o microfone da minha mão e mandar bronca. Foi uma noite incrível. Mostramos a força do Punk Rock nacional lotando aquela casa.

             Música e Cinema: E qual foi o melhor show e público?

             Gordo: Todos os shows foram muito fodas! Tocamos em cidades que nunca havíamos tocado antes e a recepção foi mais que calorosa; reencontramos amigos músicos e nos divertimos muito, mas acho que o show em São Paulo no Cine Jóia (famosa casa de shows de SP) foi o mais mágico para nós, pois SP é nossa casa. Foi uma noite maravilhosa!

             Música e Cinema: Ainda sobre turnês, existe a possibilidade de uma tour no exterior? Ainda veremos o Blind Pigs desbravando outros continentes? Há algum plano concreto para isso?

             Gordo: Sim, existem planos para isto, já que o disco saiu pela gravadora Pirates Press lá nos Estados Unidos, mas por enquanto são só planos. Vontade nunca faltou.

             Música e Cinema: A banda, em parceria com o selo americano Pirates Press, lançaram toda a discografia da banda em vinil, mas somente para venda durante a turnê. Esse material não se encontra mais à venda? Com a volta do vinil, vocês pretendem fazer mais lançamentos neste formato no futuro?

             Gordo: A HBB fez uma parceria com a Pirates para lançar essa coleção, mas a princípio vieram todas as cópias para o Brasil. A Pirates disponibilizou umas dez coleções lá pra um teste e, como vendeu rápido, resolveram lançar o compacto do Capitânia com duas músicas e, logo depois, lançaram o picture em parceria com o nosso selo, o Sweet Fury records. Agora temos para 2014 eps em vinil com oito músicas inéditas, ainda em fase de gravação e composição, mas essas músicas devem sair em cd aqui no Brasil até o final do ano.

             Música e Cinema: Vocês têm uma discografia com cinco álbuns de estúdio, um ep e um disco ao vivo. Está faltando um registro em vídeo de uma de suas performances tão energéticas. Algum show da recente turnê foi gravado para o lançamento de um dvd no futuro?

             Gordo: Tínhamos pensado em filmar o show do Cine Jóia para um dvd, mas os custos ficaram altos, então só filmamos o clipe, mas com certeza temos planos para um dvd, pois tenho muitas imagens guardadas de toda a nossa carreira na estrada, mas são planos pra um futuro, quem sabe ainda este ano. Gostaria que alguém o fizesse, pois a pessoa pode ver coisas boas e cenas legais vendo de fora. Tenho medo de eu mesmo fazer e perder algo que seja relevante para os fãs, mas que seja comum para nós. Prefiro alguém de fora da banda lidando com isso.

"Suor, Cerveja e Sangue", álbum ao vivo de 2004
“Suor, Cerveja e Sangue”, álbum ao vivo de 2004

            Música e Cinema:Vocês tocavam com muita freqüência no Hangar 110 (tradicional casa de shows underground de SP), porém agora não tocam mais. Ouvi vocês dizerem em recente entrevista que houve um problema pra isso não ocorrer mais, mas eu não soube os detalhes. O que realmente ocorreu?

             Gordo: Nosso fotógrafo processou o Hangar por uso indevido de imagem, pois a casa usou uma foto nossa que ele fez para um anúncio e não deu os devidos créditos a ele, então ele quis correr atrás dos direitos dele. Não foi algo que partiu da banda, partiu do fotógrafo, não participamos disto, mas achamos que o fotógrafo tem todo o direito de correr atrás de seus direitos, porém, o dono do Hangar viu isso como uma posição da banda, então por isso não tocamos mais lá. Eu e todos da banda gostamos demais do Marcão (proprietário do Hangar 110) e da equipe dele, tentamos conversar e tudo mais, mas ele vê a coisa como um todo. Independente da amizade que ainda existe entre nós, ele achou melhor não colocar mais a banda ali, por isso mesmo nós procuramos o Cine Jóia. No final foi até melhor pra nós, porque o Hangar não nos deixava crescer com o público, pois a casa não comporta. Apostamos em um lugar maior e lotamos o local! Desejo o melhor para o Hangar e a família Hangar e não deixei de ir lá pra assistir a shows, então no fim está tudo bem, nós só não tocamos mais lá.

            Música e Cinema:O vídeo de Sentinela dos Mares foi lançado recentemente e o de Antro de Trastes já está em produção. Ficou um trabalho sensacional. Muito simples, mas extremamente bem feito. Com a falta de um canal de tv específico para a divulgação dos vídeos, a alternativa mais utilizada na atualidade é a Internet, com canais como o Youtube e outros. Creio que esta tem sido uma boa ferramenta de divulgação para a banda, não? O número de acessos tem sido o esperado?

             Gordo: O acesso aos vídeos tem sido ótimos com certeza! A facilidade que a internet traz pra divulgação é incrível para vídeos. A televisão passa pouco, esporádico, mas no Youtube a pessoa vê quando quer e a banda não precisa ficar assinando autorizações e tal, mas pô, bem lembrado; falando nisso, ainda não mandamos os clipes novos para a tv. Falando da produção dos clipes, eu mesmo dirigi e montei o clipe de União, o de Cinco Cadeados, e estou no momento finalizando o de Antro de Trastes. O clipe de Sentinela dos Mares ficou a cargo do nosso amigo Alex Miranda da Trator filmes.

             Música e Cinema: No penúltimo trabalho de estúdio, o ótimo Heróis ou Rebeldes, vocês mudaram o nome para Porcos Cegos. Confesso que quando ouvi não me soou nada bem. O que houve naquela época para esta mudança? Algum problema com outro Blind Pigs por aí?

             Gordo: Não, mudamos o nome por que era nosso primeiro disco inteiro em português, além disso, muita gente não pronunciava direito o nome ou não sabia o significado, mas depois que voltamos descobrimos que não foi uma boa idéia, mas foi tudo por opção mesmo, traduzimos o nome por livre e espontânea vontade.

             Música e Cinema: Nos três primeiros álbuns (Sp Chaos, The Punks are Allright e Blind Pigs), vocês tinham várias composições em inglês, que eram ótimas, o que deixou de ocorrer de Heróis ou Rebeldes pra cá. Vocês pretendem voltar a gravar músicas em inglês, talvez visando uma melhor aceitação no mercado exterior, ou isso é passado?

            Gordo: Ficamos uns anos sem fazer algo em inglês, mas como disse anteriormente, foi também uma opção na época, mas nessas músicas novas que estamos gravando quem sabe saia algo em inglês, mas não é nada certo ainda. Não é uma regra fazer músicas só em português, tudo é uma questão de parecer uma boa letra, uma boa idéia.

            Música e Cinema:Todos os discos da banda foram lançados pelo próprio selo de vocês, o Sweet Fury records. Além do BP, existem outras bandas que são contratadas do selo? Pretendem lançar outras bandas do estilo no mercado?

             Gordo: Nunca lançamos outra banda. No momento a Sweet Fury faz parcerias com a HBB, Pirates Press records e o Zona Punk nos lançamentos do Blind Pigs, mas sempre foi um sonho virar um selo pra outras bandas, mas no momento nossas vidas não comportariam essa responsabilidade.

             Música e Cinema: Vocês são os únicos remanescentes da formação original da banda. Houve algumas trocas de baixista e baterista durante todo esse tempo, mas vocês permaneceram firmes e fortes. Houve algum momento que pensaram em desistir? A amizade e o amor ao punk rock são mais fortes que qualquer intempérie?

             Gordo: Pensamos em desistir milhões de vezes. Acho que todo mundo passa por isso, parar e rever sua vida, seus conceitos e tal. A amizade é totalmente importante pra gente se agüentar (risos). Até o momento a gente se acerta, sempre tem uma desavença, uma discórdia e tal, mas sempre tentamos ver o melhor pra banda, mesmo que às vezes você tenha que abrir mão daquela frase, ou daquela foto, ou daquele riff ou nota, se você não tiver amizade a coisa não anda, pois é do convívio que tiramos boas idéias, somamos qualidades, isso é uma banda. Quanto às formações, eu acho que todas foram importantes para a soma do som e para a época. Eu e o Henrike não fizemos nada sozinhos, mas eu diria que a atual formação é a que mais me agrada, talvez pelo clima, por sermos mais velhos hoje e consigamos ver melhor o que é ter uma banda independente, e principalmente pela energia dos cinco no palco e na estrada.

             Música e Cinema: Apesar de ser uma banda de sonoridade e ideologia punk, o Blind Pigs nunca soou panfletário ou reacionário, agradando tanto punks, quanto skinheads. Até a molecada mais jovem, sem posicionamento ideológico, curte a banda. Isso é bom, pois a banda acaba abrangendo um público maior. O que você acha dessas bandas radicais com fortes convicções políticas e ideológicas? Como você vê o radicalismo na música pesada? Ainda existe isso no punk?  

             Henrike: Cada um sabe o que faz com sua banda. Quem sou eu para criticar ou julgar alguém ou alguma banda? Não sou dono da verdade. Estou longe de querer ser “policial de cena” e ficar patrulhando o que essa ou aquela banda está fazendo. Hoje, com 40 anos nas costas e 21 de banda, acho que eu tenho coisas muito mais importantes para eu me preocupar. Antes de ser vocal do Blind Pigs, punk rocker, sou um pai de família, e na boa, isso é o que importa pra mim.

             Gordo: Acho que tem que existir todos os tipos de música e ideal, desde que se respeite o próximo. Tem bandas mais politizadas, bandas mais divertidas, tem espaço pra todo mundo; no nosso caso, acho que foi reflexo de nossas bandas preferidas que nos levaram a soar assim. Eu também sempre vi o rock como um som de protesto, pra contestar o que você considera errado, injusto, mas também falamos de coisas simples como beber ou pagar contas. Acho que ainda existem radicais em todo segmento, não sou a favor de radicalismo, acho q isso só separa. Deveríamos todos conviver em paz e unidos pra sermos fortes, ainda que a pessoa a seu lado não seja igual a você, mas tenho certeza que pessoas radicais tem os mesmos desejos das que não são, os mesmos sonhos e problemas, separados apenas por uma peça de roupa, ou um corte de cabelo, ou a velocidade e distorção da música. Acho que o radicalismo leva sempre ao erro, já dizia a música.

Coletânea de demos lançada em 2012 pela Zona Punk
Coletânea de demos lançada em 2012 pela Zona Punk

             Música e Cinema: A banda se encontra em processo de composição de um novo álbum. O que podemos esperar do Blind Pigs neste novo trabalho? O mesmo punk rock energético e vigoroso de sempre, ou terá alguma inovação? Ouvi dizer que vai ter até cover de banda rockabilly dos anos 50. Podem nos adiantar algo?

            Henrike: Espere e veja! (risos). Mas falando sério, a idéia é lançar dois compactos em vinil com essas músicas. Um no primeiro semestre e o outro no segundo. Punk rock sempre, mas sim, tem um cover rockabilly anos 50 do Don Gibson. Rockabilly anos 50 é uma das minhas grandes paixões.

             Gordo: Não posso falar muito das músicas ainda, pois não estão prontas, mas o Blind sempre teve essa coisa de se renovar, não gravar o mesmo disco, não se repetir. Tem músicas diferentes, nós também ainda não pensamos em participações especiais ou algo assim. Ainda é muito cedo pra falar. Sobre o cover, gravamos esse do Don Gibson, mas a música é surpresa.

            Música e Cinema:Em uma carreira com uma discografia repleta de clássicos do punk nacional, vocês devem ter aquele que lhes agrada mais, que lhes soa melhor. Qual o disco favorito do Blind Pigs na opinião de vocês?

             Henrike: Sempre é o mais recente, no caso o Capitânia. Acho que é um disco maduro, com ótimas letras e uma bela arte (a cargo do nosso brother Paulo Rocker), mas gosto muito também do Heróis ou Rebeldes.

             Gordo: Difícil escolher, porque cada um tem sua história, mas eu acho o Capitânia o disco mais bem produzido da nossa carreira. A experiência dos outros discos nos fizeram achar melhor os timbres; a produção do Átila Ardanui tem nos agradado bastante, aquele viking beberrão sabe como ninguém tirar um bom som dos velhos aqui.

             Música e Cinema: Como um dos únicos representantes do autêntico street punk no Brasil, como você vê o futuro para o estilo no país? O que você espera do Blind Pigs para os próximos anos?

             Henrike: Bom, em primeiro lugar, discordo um pouco do que você afirmou, que “somos um dos únicos representantes do autêntico street punk no Brasil”. Temos no Brasil ótimas bandas no estilo. O problema é que mesmo com Internet, poucas pessoas ficam sabendo, as bandas ficam relegadas apenas a sua cena local, lançam CDs que só vendem para os amigos. Mas em parceria com o selo HBB isso vai mudar. Para este ano compilei uma coletânea de bandas street punk nacionais que merecem ser ouvidas, desde bandas novas a veteranas. E vai ser lançada em vinil, coisa fina. O projeto é lançar uma coletânea dessas por ano, para documentar a cena street punk nacional, sem política. O que espero do Blind Pigs? Shows uma vez por ano, durante uns dois meses ao ano, pois tenho minha vida e minha vida não é a banda, e lançar material novo em vinil.

                    Música e Cinema: Agora chegou o momento Contigo da entrevista (risos). Quais suas bandas favoritas?

             Gordo: Clash, Rancid, Forgotten Rebels, Street Dogs, Cock Sparrer e outras tantas, mas também ouço muito Ska, Blues e rockabilly.

             Música e Cinema:  Gordo, mudando um pouco de assunto, além de guitarrista e membro fundador do Blind Pigs, você também tem uma carreira de produtor e editor de vídeos, fazendo um belo trabalho com várias bandas do rock e do punk nacional, entre eles Ultraje a Rigor, CPM 22, Gritando Hardcore, e o próprio Blid Pigs. Conte-nos um pouco mais sobre a sua atividade.

             Gordo: É, eu sou diretor e montador de documentários e clipes, trabalho com isso há 20 anos e no momento estou montando o clipe do Cabrones Sarnentos, do Rio de Janeiro. Também estou terminando um curta-metragem chamado Metaleiro Matador, que foi uma produção trash que escolhi de estréia nos filmes; além disso, de vez em quando alguém me chama pra fazer uns bicos de ator, mas meu foco na real é atrás da câmera.

             Música e Cinema: Bom, pessoal, chegamos ao final. Gostaria de agradecer a atenção de vocês e desejar toda a sorte do mundo para a banda. Alguma consideração final aos nossos leitores?

             Gordo: Valeu! Muito obrigado pela oportunidade e o espaço destinado aqui. O recado é que sejam felizes, façam o que gostam, cuidem da família, estudem e busquem evoluir, sempre tentando ser alguém melhor.

Contatos:

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 https://myspace.com/blindpigs

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Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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