Besta: portuga-core, ora pois!

Há um bom tempo, Portugal vem se revelando um novo paraíso de bandas extremas. Da terra dos patrícios, já fomos agraciados com o Simbiose, Holocausto Canibal, Brutal Brain Damage, Raw Decimating Brutality, Grog, Serrabulho, entre outras. Todas representando com louvor seus respectivos estilos; porém, creio que deva haver algo na água dos portugas, pois há aproximadamente dois anos surgiu mais uma formação de esmagar o crânio do ouvinte, tamanha a brutalidade e peso produzidos por esse quarteto (agora trio). Me refiro ao Besta, banda que pratica um esmagador grindcore com influências crust/d-beat, seguindo a escola de Napalm antigo, Doom, Disrupt e Terrorizer. Neste já extinto ano de 2013, lançaram um fabuloso ep com o título de Herege. O negócio é tão maravilhosamente bruto, sujo e asqueroso que me conquistou já na primeira audição e se tornou o disco do ano pra mim.

Besta em ação (esq. pra dir.): Lafayette (bateria), Rick Chain (guitarra e vocal) e Gaza (baixo)
Besta em ação (esq. pra dir.): Lafayette (bateria), Rick Chain (guitarra e vocal) e Gaza (baixo)

            Ficou curioso? Pois bem, a seguir eu satisfaço a sua curiosidade com a resenha desta pérola do underground além-mar, com a máxima exclusividade aqui, no nosso Música e Cinema.

 Besta: Herege – resenha

            Caros amigos leitores do nosso Música e Cinema: eu preciso agradecer a Deus todos os dias de minha vida por ter sido apresentado ao grindcore, pois este famigerado sub-estilo da música extrema me tornou uma pessoa realizada e um homem melhor (ou não, depende do ponto de vista). Bendita a hora que eu escutei pela primeira vez aquela imundície do From Enslavement to Obliteration e fui corrompido pelos acordes dissonantes, sujeira extrema e peso exorbitante daquele trabalho. Isso me fez querer desbravar o mundo por todos esses anos, pesquisando novas formações dos mais insólitos países, até chegar a este digníssimo exemplar do verdadeiro grindcore arranca couro. O Besta toca música suja, grosseira, deselegante, ultrajante e, principalmente, viciante. É uma banda ainda bastante jovem, contando em sua discografia com um ‘full lenght’, dois splits e um ep, este que é a razão de existir dessa resenha, chamado Herege. O disquinho foi lançado ainda no início de 2013 e contém apenas seis canções em pouco mais de sete minutos, mas que causam mais danos colaterais do que muita bomba de nêutrons por aí! O trio formado por Rick Chain (vocal e guitarra), Gaza (baixo) e Lafayette (bateria) produz a sonoridade do final dos tempos. Com uma introdução macabra, narrada pelo mítico Zé do Caixão, Império do Ódio te acerta como um soco nas gônadas, iniciando com o baixo ultra distorcido e bateria a 200 por hora pra dar um substrato para o vocal de ogro com dor de dente de Rick. Este início já deixa o ouvinte temeroso pelo que ainda estará por vir. É Tudo Falso (Heréticamente Falando) e Símbolos da Ignorância chegam praticamente emendadas uma na outra, demonstrando uma banda afiada que, em poucos acordes, consegue deixar o ouvinte atônito. Nosso querido Zé dá o ar da graça novamente no início da breve D.E.A.O. Quarenta e cinco segundos de vocais desesperados, guitarras e cozinha absurdamente pesados e distorcidos, perfazendo a melhor canção do disco (já dei ‘reapeat’ nela umas vinte vezes agora há pouco). Por mim, o disco podia acabar agora que eu já estava mais feliz que criança em loja de doce, mas ainda havia Herança Macabra, com seu leve acento HC oitentista e, a cereja do bolo, um cover magistral para Social Sterility (sim, a dos próprios), que dispensa qualquer comentário. Final perfeito para um disco mais que perfeito.

A diabólica capa do ep "Herege".
A diabólica capa do ep “Herege”.

            Eu juro que procurei, mas não encontrei nenhum defeitinho sequer nesta pequena obra-prima da grosseria sonora. São poucos minutos de execução, mas que dizem tudo que nós, fãs de extremidade, queremos ouvir. Banda coesa e homogênea, execução primorosa e produção excelente. Poucas vezes vi um registro de uma banda dar tão certo assim logo de cara. Ouvi muitos discos de qualidade indiscutível neste ano que passou, mas este aqui me pegou pela garganta e não soltou mais. Disco do ano, sem mais!

Nota: 10

Vídeo de Império do Ódio

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Contatos:

 https://www.facebook.com/bestahardcore?fref=ts   

Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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