A Autópsia: mais um terror desnecessário e decepcionante

Norueguês Andre Ovedral tem bom elenco a disposição, mas não consegue sustentar a história e se perda em A Autópsia.

A Autópsia chegou com boas recomendações no Brasil. Filme inglês comandado pelo noruguês Andre Ovedral, levantou a questão “quem é Jane Doe?”. O título original do filme é “The Autopsyof Jane Doe”, nome utilizado como a expressão “Zé Ninguém”, ou seja, uma pessoa sem identificação.

O elenco, mesmo que enxuto, não é ruim. Emile Hirsch é um bom ator, mesmo que passe por um momento de recuperação. Brian Cox é experiente e tem ótimos papéis na carreira. A história, incrivelmente, começa bem. O início e até mesmo o terço inicial de A Autópsia é interessante. Mas então, com um diretor de bons trabalhos na carreira, um elenco adequado e uma história que começa bem, o que pode dar errado?

A Autópsia é o típico filme que parece ter sofrido muita influência externa (e negativa). Não dá para acreditar que o diretor teve convicção nas viradas finais da história. Qualquer roteirista iniciante perceberia as falhas.

Vamos a história, sem revelar muito, tendo em vista a importância dos detalhes no filme.

O filme começa com uma cena de crime. Muitos corpos e um curiosamente enterrado. A Jane Doe, “interpretada” por Olwen Catherine Kelly, aparece como um mistério para a polícia. Sofrendo pressão da imprensa por explicações, o sherife leva o cadáver para o médico legista Tommy Tilden (Brian Cox), que trabalha junto com seu filho. Acompanhado de Austin Tilden (Emile Hirsch), o médico percebe que algo está muito errado naquela autópsia.

Subtramas são mediocremente conduzidas. A morte da esposa/mãe sem nenhum aprofundamento. O relacionamento de Austin e sua vontade de trocar de emprego e cidade, tem a profundidade de um pires.

Mesmo com esses problemas, que vão aparecendo e se acumulando gradativamente, o filme não é de todo ruim em seu início. A investigação das causas da morte e a busca pela identidade de Jane Doe são interessantes e cativam o público. Quando os acontecimentos misteriosos começam a ocorrer, o caos toma conta da história.

O que era um suspense até certo ponto bem estruturado, passa a ser um clichê de filmes ruins. Uma das estreias de abril, Vida não fugiu de alguns clichês, porém bebeu em boas fontes e teve boa execução. A Autópsia tenta reproduzir histórias que originalmente já eram ruins. A conexão entre os fatos lembra filmes de baixo orçamento e despretensiosos dos anos 80.

Por fim, apenas mais um filme de terror. Não marcará e nem deve fazer parte da lista de filmes do ano dos espectadores. A boa trilha sonora e algumas cenas bem desenvolvidas, não conseguem salvar A Autópsia de uma avaliação negativa.

Sobre Leonardo Caprara

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