Agnostic Front: a morte do sonho americano

Existem bandas que já nascem clássicas. Desde sua origem já possuem “certificado de garantia” e, sendo assim, já sabemos o que vamos encontrar e a chance de decepção é remota. O Agnostic Front é uma dessas bandas. Contando com uma discografia repleta de pérolas do estilo, e servindo de base para toda uma cena que se estabeleceu após a sua fundação, o quinteto capitaneado por Roger Miret (vocal) e Vinnie Stigma (guitarras) acaba de lançar mais um belo trabalho. Com o instigante título de The American Dream Died, o novo álbum sai após um intervalo de quatro anos (My Life My Way saiu em 2011), e ainda mantém a intensidade e a fúria das ruas de NY condensadas em um único disco. The American Dream Died soa muito impactante, denunciando uma banda que não tem prazo de validade, e que protesta e se manifesta sobre as injustiças do mundo contemporâneo na forma de Hardcore da melhor qualidade; aliás, falar em Hardcore é quase que obrigatório pensar em Agnostic Front.

            A seguir, confira a resenha exclusiva desse belo material. Para o Música e Cinema o sonho não morre.

Agnostic Front: The American Dream Died (Voice Music- 2015 – nac.)

Capa do novo álbum "The American Dream Died"
Capa do novo álbum “The American Dream Died”

 

A capa com a estátua da liberdade com um crânio no lugar da cabeça, afirmando que “o sonho americano morreu”, certamente chama a atenção e demonstra que alguém não está lá muito satisfeito com o sistema vigente. Estamos diante do mais novo álbum dos inventores do NY hardcore, o Agnostic Front. Fundado em 1982 e resistindo bravamente ao teste do tempo e às muitas mudanças de formação, o quinteto novaiorquino chega ao seu décimo primeiro trabalho de estúdio, intitulado The American Dream Died. Composto por 16 poderosas faixas, que na sua grande maioria mal excedem os 2 minutos, temos reunidas aqui algumas das mais brutais e empolgantes canções já criadas pelo grupo.

            A predileção por temas políticos e sociais é evidente nas letras, demonstrando uma banda com forte teor contestador, que bota pra fora tudo aquilo que está engasgado em composições que alternam momentos de HC, punk, Thrash e até Oi, e que devem causar um verdadeiro holocausto na platéia durante a execução nos shows. Outro aspecto a ser ressaltado são os refrãos épicos, que se assemelham a verdadeiros gritos de protesto, criando um clima de união, como se fossem uma grande família Hardcore. Roger Miret (vocal) chamou a galera em peso e fez um trabalho bem bacana nesse quesito.

Agnostic Front (esq. p/ dir.): Craig Silverman (guitarra), Roger Miret (vocal), Pokey Mo (bateria), Mike Gallo (baixo) e Vinnie Stigma (guitarra)
Agnostic Front (esq. p/ dir.): Craig Silverman (guitarra), Roger Miret (vocal), Pokey Mo (bateria), Mike Gallo (baixo) e Vinnie Stigma (guitarra)

            O disco é rápido e rasteiro, durando apenas 27 minutos. É o tempo de escutar, tomar um café, e botar no repeat novamente. Quando você perceber já ouviu umas cinco vezes e nem cansou. O álbum todo é bastante homogêneo, mantendo a qualidade e a empolgação em todas as faixas, mas há alguns destaques: The American Dream Died, Police Violence (que em apenas 58 segundos demonstra todo o “carinho” e “respeito” da banda para com a polícia americana. Ice T aprova!), Test of Time, Never Walk Alone (com participação de Freddy Cricien – Madball, Toby Morse – H2O e Lou Koller – Sick Of It All), Enough is Enough, I Can’t Relate, A Wise Man, que conta com a brilhante participação de Matt Henderson (ex- Agnostic Front e Madball) em todas as guitarras, e Just Like Yesterday (um olhar saudosista da trajetória da banda resumida em uma canção). A ótima produção ficou a cargo de Freddy “Madball” Cricien (irmão de Roger Miret), ou seja, ficou tudo em família mesmo. Talvez o único pormenor a ser apontado seja o vocal horroroso de Roger, que parece um cachorro gripado latindo em alguns momentos, mas o cara é uma verdadeira lenda, a personalidade e a alma do Agnostic Front, portanto, esse detalhe acaba sendo irrelevante. Vale menção honrosa também para toda a banda, em especial para Vinnie Stigma (guitarras) e Pokey Mo (bateria), que estavam especialmente inspirados na execução desse material.

            The American Dream Died é o retrato de uma banda que luta firme em prol de suas convicções e que, mesmo após três décadas de trabalho e muita dedicação, ainda exala paixão e fúria em cada acorde e vocal proferidos, demonstrando que a caldeira ainda está muito longe de esfriar. O disco já saiu em versão nacional, portanto, tá esperando o que? São apenas alguns trocados que farão a sua alegria. Compre imediatamente!

Nota: 9,0

Colunista feliz é assim!
Colunista feliz é assim!

 

Faixas:

 

  1. Intro
  2. The American Dream Died
  3. Police Violence
  4. Only in America
  5. Test of Time
  6. We Walk the Line
  7. Never Walk Alone
  8. Enough is Enough
  9. I Can’t Relate
  10. Old New York
  11. Social Justice
  12. Reasonable Doubt
  13. No War Fuck You
  14. Attack!
  15. A Wise Man
  16. Just Like Yesterday

  

Formação:

 

  • Roger Miret (vocal)
  • Vinnie Stigma (guitarra)
  • Craig Silverman (guitarra)
  • Mike Gallo (baixo)
  • Pokey Mo (bateria)

 

Contatos:

 

Agnosticfront.com

facebook.com/agnosticfront

[email protected]

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Sobre Ricardo Costa

Casado, 42 anos, médico veterinário. É fã de música desde a adolescência, principalmente dos subgêneros mais extremos do Metal. É fã também incondicional de cinema, principalmente de horror e ação. Seu principal hobby é pesquisar e conhecer bandas novas e filmes obscuros. Trará sempre novidades acerca de lançamentos, bem como artigos, matérias e entrevistas muito interessantes para os nossos leitores

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One comment

  1. Ae Ricardo, tava lendo seu post do REM e achei esse aqui! Massa demais essa banda. Vlw

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